SEM GRILHETAS NEM SENSURA

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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

sábado, 27 de fevereiro de 2010

OCEANÁRIO DE LISBOA A VER O MUNDO:


Vejamos de um modo rápido e simples:


" ...Primeiro, observe melhor o planeta onde vive.
Faça-o girar nas suas mãos.

Depois, pense no seguinte:

- A Terra tem 4500 milhões de anos de idade.
- 99% das espécies que viveram no planeta encontram-se hoje extintas.
- A Humanidade vive dos recursos da Terra há apenas 130 mil anos.
- A indústria dominou por completo a vida do Homem nos últimos 250 anos.
- Neste período, o nosso impacto no planeta semeou mudanças profundas na sua História Natural.
- O clima da Terra está a mudar.
- Reconhecemos que os recursos essenciais à vida escasseiam em diversos locais do planeta.
- Convivemos pacificamente com a morte de muitos pela falta desses recursos.
- A sobrevivência da Humanidade, tal como a conhecemos hoje, poderá estar em causa.
- A nossa vida depende da nossa capacidade de gerir os recursos disponíveis.
- O nosso futuro, e o dos nossos descendentes, depende da capacidade de darmos o exemplo.
- A vida, tal como a conhecemos, depende da nossa vontade de sermos os primeiros a agir.

Decida o futuro do seu planeta!
Controle os consumos energéticos e as emissões de CO2.

Pense no seu impacto.
Reduza todos os seus consumos.


No final, se não souber por onde começar use a RODA DA sustentabilidade.

A missão do Oceanário de Lisboa é sensibilizar os cidadãos e promover a conservação dos oceanos através da alteração de comportamentos. Acreditamos que se mudarmos a nossa atitude e reduzirmos o nosso impacto negativo sobre a natureza será possível a utilização e dependência dos recursos naturais por muitas gerações.

O Homem habituou-se a consumir descontroladamente e a gastar de forma pouco sustentável. O comportamento consumista das populações traz implicações devastadoras para a natureza e para a nossa sobrevivência, pelo que é urgente tomar medidas e consciencializar os cidadãos.

No Oceanário de Lisboa também somos consumidores, tal como todos os cidadãos, e preocupamo-nos com o que gastamos, com a origem das nossas aquisições, com a qualidade dos produtos e com as implicações das nossas acções face ao meio ambiente. Desta forma procuramos divulgar meios para POUPAR, ainda que gastando. Se pudermos consumir de forma mais consciente, poupando dinheiro, poupando a natureza, poupando água, poupando energia e, em última análise, poupando os recursos que o planeta nos oferece estaremos a contribuir individual e colectivamente para a utilização sustentável dos recursos, pelo menos, garantimos o nosso FUTURO."


É FEIO SER INVEJOSO

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Diferenças e semelhanças entre Josef Stalin, Benito Mussolini e Adolf Hitler.


Vou começar assim com estas três figuras da história mundial recente pela ordem etária:

Josef Stalin; Benito Mussolini e Adolf Hitler:

Josef Stalin nasceu em Gori a 21 de Dezembro de 1878, foi secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e do Comité Central a partir de 1922 até à sua morte em 1953, tendo sido o líder de facto da União Soviética. O seu nome de nascimento era Ioseb Besarionis Dze Djughashvili Stalin” foi uma alcunha adoptada, que significa “Aço”;

Benito Amilcare Andrea Mussolini nasceu em Osmm Omtevlm a 29 de Julho de 1883 foi um político italiano que liderou o Partido Nacional Fascista e é creditado como sendo uma das figuras chave na criação do Fascismo que tem o seu simbolismo no “fascio”, Tornou-se o Primeiro-Ministro da Itália em 1922 e começou a usar o títuloIl Duce” que significa “O Doce”.

O fascio é um termo latino "fasces", na expressão "fasces lictoris" (em Italiano, fascio littorio: "feixe de lictor") refere-se a um símbolo de origem Etrusca, usado pelo Império Romano, associado ao poder e à autoridade. Era então denominado fasces lictoriae, por ser carregado por um lictor, o qual, na Roma Antiga, em cerimónias oficiais, jurídicas, militares e outras, precedia a passagem de figuras da suprema magistratura, abrindo caminho por entre o povo.

Adolf Hitler, nasceu em Braunau am Inn (Áustria-Hungria) a 20 de Abril de 1889, foi o líder do Partido Nacional-socialista dos Trabalhadores alemães. O Fuher vinha do Partido dos Trabalhadores, e era declaradamente contra o regime capitalista. Nazismo nada mais quer dizer que Nacional-Socialismo, e os seus “slogans”, como "morte ao marxismo para que o socialismo verdadeiro viva!", deixavam claro que o objectivo era adoptar tal ideologia na Alemanha.

Hitler, Mussolini e Stalin foram todos ditadores com princípios muito diferentes:

O princípio de Hitler era a superioridade biológica e cultural dos povos “arianos”;

O de Mussolini era de um nacionalismo baseado na recordação da glória de Roma;

O de Stalin, era sobre o princípio fundamental do marxismo-leninismo.

Todos eles começaram com princípios muito diferentes, embora alegadamente “socialistas”, tiveram o apoio popular, mas todos eles, de facto, acabaram funcionando como Estados fundamentalmente totalitários.

SEGUEM AS HIPERLIGAÇÕES ÀS FIGURAS EM REFERÊNCIA:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Josef_Stalin

http://pt.wikipedia.org/wiki/Benito_Mussolini

http://pt.wikipedia.org/wiki/Adolf_Hitler

VER ARTIGO (clicar): "ENTRE DOIS MUNDOS" (Parte II)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

SALGUEIRO MAIA


O que há ainda para escrever sobre SALGUEIRO MAIA? Já quase tudo foi dito e escrito sobre o HOMEM que, de pé firme, suportou as investidas do regime deposto e foi de facto o grande prático, que no terreno, no Cais do Sodré e finalmente no Carmo deu a vitória à revolução do 25 de Abril.

Só me resta esclarecer um pormenor é que Salgueiro Maia recusou sempre, determinante e firmemente, o ceptro do poder, a medalha, a coroa da sua glória. Homens como ele, íntegros, ainda existem felizmente nesta sociedade de interesses agraciantes. Nelson Mandela é outro nome incomodativo para o poder Britânico, assim como Salgueiro Maia o foi em Portugal ou cuja referência ainda é para outros, alguns que se aproveitaram do momento pós-revolucionário e se colaram que nem lapas ao poder constituído. Mas o povo, como sempre, sereno e justo soube dar a coroa da glória a quem merece da memória a imortalidade…

SEGUEM AS HIPERLIGAÇÕES SOBRE SALGUEIRO MAIA:

http://www.vidaslusofonas.pt/salgueiro_maia.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Salgueiro_Maia

http://www.rtp.pt/gdesport/?article=101&visual=3&topic=1


A EXPOSIÇÃO NO MUSEU DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


TODOS OS PRESIDENTES DA REPÚBLICA ESTÃO ALI REPRESENTADOS POR MAGNÍFICOS QUADROS A ÓLEO, OBRAS DOS MAIS FAMOSOS PINTORES PORTUGUESES, À EXCEPÇÃO DO ACTUAL PRESIDENTE DA REPÚBLICA QUE AINDA ESTÁ EM FUNÇÕES MAS QUE JÁ TEM LÁ LUGAR PRÓPRIO PARA SER COLOCADO.

NÃO FOSSEM ALGUNS PORQUÊS, EM MINHA OPINIÃO, QUE OFUSCAM ALGUMA “COISINHA” E TUDO FICARIA UMA MARAVILHA.

COMO DIZ O DITADO: “NÃO HÁ BELA SEM SENÃO”.

MAS A QUESTÃO É OUTRA, QUE FOI BEM COLOCADA, É PREMENTE E ASSAZ INCRÉDULA PELA OMISSÃO QUE NOS ASSALTA, QUE É A SEGUINTE: NÃO HÁ SEQUER UMA LIGEIRA REFERÊNCIA, FUGAZ QUE FOSSE, AO GENERAL HUMBERTO DELGADO, “O GENERAL SEM MEDO” CANDIDATO POPULAR À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA EM 1958 MAS, COMO TODOS NÓS SABEMOS, SÓ NÃO FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORQUE A SUA ELEIÇÃO FOI UMA FRAUDE ULTRAJANTE DO ESTADO NOVO. A SUA HISTÓRIA É SOBEJAMENTE CONHECIDA PARA NOS ALONGARMOS MAIS EM EXPLANAÇÕES.

MAS HÁ OUTRO “SENÃO” RELACIONADO A YASSER ARAFAT. SABEM QUEM FOI ARAFAT? FOI LÍDER DA FATAH, A MAIOR DAS FACÇÕES DA OLP, ANTERIORMENTE UMA ORGANIZAÇÃO TERRORISTA E CO-DETENTOR DO NOBEL DA PAZ.

NA EXPOSIÇÃO DO MUSEU ESTÁ UM OBJECTO QUE ALEGADAMENTE É REFERIDO COMO UM ÍCONE DE REPRESENTAÇÃO DA PALESTINA, OFERECIDO POR ARAFAT.

LEMBRAM-SE QUANDO O DALAI LAMA ESTEVE EM PORTUGAL A 26/11/2001? AGORA FOI OFICIALMENTE RECEBIDO POR BARACK OBAMA E, COM OS PROTESTOS HABITUAIS DA CHINA… SÓ QUE OS AMERICANOS NÃO SE DEIXAM INTIMIDAR. IRONIAS DA POLÍTICA…

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

É BURRO, MAS NÃO TANTO…!?


A leitura anda arredia por estas bandas e há muito que a literacia se instalou na generalidade dos hábitos portugueses. Porquê? Será preguiça ou simples desmotivação?

Nestas últimas gerações o imediatismo da Net, no mau sentido da utilização, tem furtado a malta jovem do pé dos livros e do estudo saudável.

Sem sentido jocoso… talvez o “Magalhães” traga algo de novo à escolaridade e o Ministério da Educação acabe com a indisciplina, renove a selecção pelos exames e abandone este laxismo que já é instituição habitual.

Disciplina, educação e rigor escolar nunca fizeram mal a ninguém.

O computador não substitui a leitura de um bom livro e não é a calculadora que ensina a matemática.

É sabido que as melhores “cabeças” acabam por estudar em universidades estrangeiras e por lá ficam a trabalhar, bem integrados, nas matérias em que se especializaram.

Quem é que faz de Portugal um país periférico?

LITERACIA:


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sem palavras...

CONTRADIÇÃO NOS SIGNOS.




HISTÓRIAS DE ENCANTAR

Sabem o que são histórias antropomórficas?

Je vous présente:

Monsieur JEAN DE LA FONTAINE

ainsi que l'histoire suivante:


O MACACO E O BURRO



HISTÓRIA DO TEMPO EM QUE OS ANIMAIS FALAVAM:
Um macaco vagabundo que andava fugido do bando, dissidente político, cansado de caminhar, sem destino, encontrou um burro amarrado a uma árvore à borda da estrada, matreiro, disse-lhe: “Olá burro, se me levares montado, ficas liberto dessa escravidão”… Saturado de ser burro de carga, toda a vida, o burro que sonhava ser livre, acedeu ao convite do insinuante símio e de bom grado, felizes, partiram os dois em perfeita simbiose. O macaco montado no burro com a corda a servir de rédea.
“Arre burro” dizia o macaco enquanto se balançava, incitando a marcha.
Andaram por caminhos íngremes, montes e vales mas, ao atravessarem um deserto, sedentos, encontraram uma árvore, alta, com frutos suculentos. Oh! que bom, disse o burro, mas não posso ir lá acima. Logo o macaco respondeu ao burro: “vou lá eu acima buscar a fruta, mas só a carrego se continuar montado em ti”. Tá bem disse o asinino, e assim continuaram … o macaco montado no burro a comer a fruta; em três que comia, só dava uma ao asno, porque era “burro” e não dava conta.
Mais longe encontraram a pele de um leão. O astuto macaco disse ao burro: “veste a pele do leão que a gente vai aí a uma quinta procurar comida”. Assim fizeram, o obediente burro vestiu a pele do leão e o macaco continuou montado nele. Arre burro dizia o macaco. Calcorrearam muito, até ao por do sol e, por fim, chegaram a uma grande quinta, onde pediram guarida. No dia seguinte pela manhã, o macaco reuniu todos e disse à assembleia da bicharada: “Oi gente, meu povo, o leão tem fome! Se não nos derem de comer ele mata algum”. O porco que era governador, com medo de ser o primeiro, deu ordens de serviço e providenciou bastante comezaina, com o devido arraial, com danças e cantares da bicharada. A porca, sua mulher, apreensiva pediu uma audiência ao macaco e indagou-o receosa, se num dia de fome o leão não comeria algum leitãozinho da sua prole. Não, isso talvez nunca aconteça, respondeu o macaco, o leão come carne mas também é vegetariano. A notícia espalhou-se de boca em boca e foi publicada no jornal da quinta, e assim toda a bicharada ficou tranquila, pois sendo assim, um leão devorador mas também vegetariano não era preocupante.  
Ali ficaram, muito tempo, no ripanço da boa vida, o burro disfarçado de leão como presidente e o macaco como ministro sem pasta da administração interna. Como a vida é boa diziam os malandros, refastelados. 
Um dia o burro distraiu-se dos cuidados recomendados pelo macaco e um rato que era jornalista, fisgou-o pela fresta da porta e viu o burro a despir-se da pele do leão. Não perdeu tempo foi logo dali contar na rádio da bicharada. Organizaram uma assembleia geral que, por unanimidade, deu numa violenta revolução. De imediato correram à procura dos meliantes de pau na mão, à cacetada aos dois malandros que se puseram em fuga, a galope, sem olharem para trás.
Em debandada, o macaco, como sempre, montado no burro, dava às “esporas” e gritava: Arre burro! Foge, foge burro…!
MORAL DA HISTÓRIA: Burro não confia em macaco nem veste a pele de leão.
Autoria da história e adaptação antropomórfica: O próprio.

CÃO É AMIGO DO DONO

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O DES/ACORDO ORTOGRÁFICO


O português é uma língua novilatina ou românica, quer dizer, assenta as suas bases no latim e do qual é ainda uma sobrevivência.
A língua falada e escrita é dinâmica, ou seja, evolui naturalmente consoante as influências exteriores, interculturais, etimológicas, etc. Portugal encontra-se inserido na Europa e, embora Atlântico, é nessa configuração geográfica, nessa condição dinâmica, linguística, que naturalmente vai evoluir. O português, tal qual se fala hoje em Portugal não será falado nem escrito da mesma forma daqui a um século ou pouco mais.
Este acordo dito ”ortográfico”, forçosamente luso-brasileiro, não vai influenciar a dinâmica dessa evolução futura, vai ser nulo e embora por isso, não devesse existir, vai ser persistente. Os países de expressão lusófona, Angola e Moçambique, irão também evoluir exclusivamente dentro desse condicionalismo geográfico, intercultural, para aquém do Atlântico, no seu continente africano. O Brasil no outro lado além mar, irá ter as influências culturais Sul anglo-americanas. Este acordo ortográfico essencialmente político “económico” não vai, obviamente, travar, atrasar as dinâmicas dessas naturais evoluções linguísticas. De qualquer forma iremos sempre esquecer, perder as nossas origens latinas, “galegas de D. Dinis” e com o desenrolar desedificante do tempo, começando já por esta organização incipiente generalizada que esqueceu ou ignora Camões, padre António Vieira, Bocage, Pessoa e outros que construíram pela escrita uma língua falada a que ainda chamamos Português, iremos cada vez mais, ensinar aos nossos escolares a escrever mal e a falar pior. A evolução da incultura...

Em minha opinião, finalmente, não devia nunca ser fixada uma meta para iniciação de um acordo "aborto" ortográfico que por si só é inoperante no contexto evolutivo da língua falada versus escrita que não pode impedir essa evolução natural, intercultural, linguística, neste país com 900 anos de história. Este acordo deveria imediatamente ser considerado nulo por todas as maiorias lusófonas falantes.
José Douradinha

A INQUISIÇÃO EM PORTUGAL


A Inquisição de Évora

por António Borges Coelho

Quando olhamos o lugar sagrado da acrópole, ladeado pela massa formidável da Sé e a leveza do Templo Romano, quando abrirmos os olhos num estremecimento ante a grandeza monumental do passado, estamos longe de imaginar o medo, a superstição, a glória assassina e os passos, por vezes de extraordinária grandeza, dos condenados ao último suplício.
A Norte da praça, a Inquisição Velha encostava os seus cárceres ao Templo Romano. Olhava o Paço do Arcebispo e a Sé. Estendia-se mais tarde a Poente, ocupando casas compradas ao conde da Vidigueira, ainda hoje marcadas pelas armas do Santo Oficio. A legenda Judca causam tuam circundava a espada e o ramo de oliveira. Em 1636, o arquitecto Mateus do Couto redefiniu o espaço. Uma parte era ocupada pelo palácio inquisitorial, morada individualizada dos três inquisidores; na outra, erguiam-se as duas salas do despacho, os cárceres, os cárceres de vigia, a sala de tortura, não visível na planta mas onde se aplicavam os diferentes tratos, particular-mente o do potro e o da polé, e ainda os cárceres da penitência. Restam uma imponente sala do despacho, diferentes espaços reaproveitados, o brasão e outros símbolos, cerca de catorze mil processos, livros de receitas e despesas, correspondência diversa, cadernos do promotor, livros de denúncias.
A Inquisição Portuguesa nasceu legalmente em Évora no ano de 1536, legitimada pelo papa, apadrinhada pelo rei D. João III e pelos infantes seus irmãos que sucessivamente ocuparam a mitra da cidade, o cardeal Afonso e o futuro cardeal e inquisidor-geral D. Henrique. E nesta cidade se organizou o primeiro organismo dirigente, o chamado Conselho das Cousas da Fé, onde pontificava o doutor em Cânones pela Universidade de Salamanca, fundador da Inquisição de Lisboa e futuro arcebispo de Évora, doutor João de Melo. Mas, como tribunal autónomo, a Inquisição de Évora nasce a 5 de Setembro de 1541 com a posse do seu primeiro inquisidor, o temível licenciado Pedro Álvares de Paredes, e é extinta pelas Cortes Constituintes por decreto de 31 de Março, publicado no Diário das Cortes de 2 de Abril de 1821.
Juntamente com as inquisições de Coimbra e de Lisboa, a Inquisição de Évora foi um tribunal dito da fé que sujeitava à sua jurisdição todos os crentes, incluído o rei, a quem por vezes ameaçou de excomunhão. Zelava pela fé tridentina [1] e pela limpeza de sangue. A sua presa privilegiada eram os cristãos-novos. Opunha-se tenazmente à sua fusão com os cristãos-velhos, medindo continuamente o sangue das vítimas e contrariando os casamentos mistos. O seu santo ofício consistia em vigiar, escutar, ler, prender, interrogar, submeter a tortura, julgar e condenar sem apelo nem agravo os chamados heréticos, os relapsos, os sodomitas, os feiticeiros, os bígamos, os solicitantes, os ateus. Só prestava contas ao Conselho Geral e ao Inquisidor-Geral. Todas as justiças ficavam sujeitas ao seu poder que, por intermédio do Conselho Geral e das outras Inquisições, cobria o território nacional e o império marítimo.

O seu aparelho era formado por três inquisidores com preeminência do mais antigo, o da primeira cadeira, por deputados, promotor, notário, fiscal, meirinho [2], alcaide e guardas dos cárceres. No pessoal eventual, incluíam-se o médico, a parteira, o barbeiro, o pintor das efígies dos condenados à morte, os padres que eram incumbidos de ajudar, nos últimos momentos, os condenados a confessar ou a morrer. A acrescentar a estes funcionários da sede, espalhavam-se pelas principais cidades e vilas os comissários ou delegados locais do Santo Oficio, escolhidos entre os clérigos mais eminentes, os familiares leigos que asseguravam com a sua espada as prisões e a ordem no auto da fé, os qualificadores ou doutores universitários que analisavam as proposições suspeitas de heresia.
No dia 13 de Janeiro de 1729, D. João V visitou incógnito, em companhia do físico-mor, os cárceres da Inquisição de Évora. Entrou pela porta secreta do alcaide dos cárceres, assistiu ao interrogatório de um feiticeiro, examinou os cárceres de vigia, entrou na sala do despacho, olhou das janelas o palácio do arcebispo e penetrou depois, à luz das velas, na sala do "secreto". A 6 de Fevereiro, no seu regresso da fronteira, o rei visitou de novo os cárceres e na sala da tortura um dos guardas sujeitou-se simuladamente aos tratos de polé e às correias do potro.

Não faltaram conflitos a minar o entendimento entre as quatro grandes instituições que marcavam a vida da cidade: a Sé, a Universidade, a Inquisição e o Concelho. A Inquisição e a Sé estavam frente a frente. O Concelho tinha a sua sede num dos extremos da Praça Grande ou Praça do Giraldo onde se desenrolavam os autos da fé. A Universidade marcava um espaço junto da antiga alcáçova [3] . Na coexistência nem sempre pacífica dos poderes, os arcebispos furtavam-se a ir ao auto da fé por questões de preeminência. Queriam uma cadeira especial que os inquisidores, administradores do acto, negavam. Mas a ligação à Sé era orgânica: quase todos os inquisidores acumulavam o seu cargo com os de cónego da Sé e muitos deles subiram às mitras, designadamente à mitra de Évora, considerada nos meados do século XVIII mais rendosa que a Sé de Braga e a segunda das Hespanhas.

Também não faltaram questões com a Universidade que disponibilizava os seus doutores para a pregação nos autos da fé e para o acompanhamento final dos presos. As questões eram ainda de preeminência. Quem devia abastecer-se primeiro de carne no mercado: os criados dos inquisidores ou os da Universidade? Num conflito célebre entre a Universidade e a Inquisição, deflagrado em 1643, D. João IV decidiu contra a Universidade, possuidora de antigos privilégios e partidária da Restauração, e a favor da Inquisição que contra ele conspirava e prendera o padre jesuíta Francisco Pinheiro, lente de Teologia.

A tensão entre a Inquisição e a cidade explodiu algumas vezes em violência. Um dos momentos de maior tensão viveu-se na última década do século XVI quando os inquisidores prenderam boa parte dos mercadores eborenses da Praça Grande. Para escárnio das famílias, penduravam-se na igreja de S. Antão as efígies dos condenados à morte. Mas os inquisidores queixavam-se que alguém as destruía pela calada ao mesmo tempo que os cristãos-novos se recusavam a ser fregueses de S. Antão.

Numa sociedade mortificada por escrúpulos de consciência, sempre desconfiada dos seus pensamentos e dos pensamentos e das práticas dos vizinhos, o tribunal alimentava-se quase exclusivamente da denúncia. E toda a sua actividade interna consistia em fabricar denúncias, verdadeiras e falsas, usando as longas prisões sem culpa formada, as ciladas, a coacção psicológica, a tortura. O momento mais alto era o do auto da fé anual, a «Testa» que por vezes se prolongava pelo dia inteiro e onde eram «reconciliados» ou garrotados e queimados os hereges relapsos e negativos, quase sempre cristãos-novos.

O lugar de deputado e de inquisidor abria as portas do verdadeiro cursus honorum que desembocava nas mais altas prebendas da Igreja e do Estado: conezias [4] , mitras, reitorados da Universidade, Conselho de Estado (por inerência, o membro do Conselho Geral tornava-se membro do Conselho de Estado), Mesa da Consciência e Ordens. Pelos quadros da Inquisição de Évora passaram doutores e mestres em teologia, doutores, licenciados e bacharéis em direito canónico ou em ambos os direitos. Entre eles, o teólogo dominicano Frei Jerónimo de Azambuja que participou no Concílio de Trento, e Marcos Teixeira, cónego doutoral da Sé de Évora, futuro bispo do Brasil que comandou a reconquista da Baía tomada pelos holandeses em 1624.

O chamado distrito onde a Inquisição de Évora exercia a sua actividade abarcava todo o sul do Tejo com excepção da península do Setúbal. Nos seus primórdios recebeu presos de Trás-os-Montes e da Beira. As cidades e vilas mais castigadas foram Beja, Évora, Elvas, Montemor-o-Novo, Campo Maior, Arraiolos, Viçosa, Estremoz, Serpa, Faro. Os períodos de maior rigor ocorreram nos governos de Filipe II e IV e após a morte de D. João IV. E só depois do governo do Marquês de Pombal, o pedreiro livre substitui o cristão-novo.

Entre as vítimas conta-se o desembargador e humanista Gil Vaz Bugalho, cristão-velho, amigo de linguistas de origem hebraica, doutos no latim, no hebraico e no caldeu, tradutor para linguagem dalguns livros do Velho Testamento e queimado em 1551. Frei António de Abrunhosa, franciscano natural de Serpa, parte de cristão-novo e cristão no coração, assistiu à prisão da mãe, das irmãs e sofreu ele próprio a perseguição dos seus conventuais e do Santo Oficio. Manuel Casco de Farelais, aluno da Universidade e fidalgo cristão-novo, enviou da prisão um Padre Nosso em verso antes de ser queimado em 1629. Em 1613 um cristão-novo denunciava alentejanos que judaizavam em Hamburgo e Amesterdão. Entre eles contavam-se o licenciado Francisco da Rosa, dos Rosas de Beja, Manuel Gomes de Évora (Jacob Abenatar), Álvaro de Castro, dos Namias de Beja, Melchior Mendes de Elvas (Abraão Franco), Nuno Bocarro (Jacob Pardo), dos Bocarros de Beja, e outros. Os fugitivos diminuíam as forças de Portugal e alimentavam as da Holanda e doutros países do Norte.
António Costa Lobo, um dos cidadãos mais ricos de Beja, onze anos preso sem culpa formada e queimado em 1629, afirmava que o Santo Ofício era um tribunal do diabo. Que os inquisidores vinham da Beira julgar as consciências alheias e, em vez de as salvarem, as metiam no inferno.

Durante quase três séculos muitos dos homens mais poderosos das cidades e das vilas a Sul do Tejo passaram pelos cárceres e sofreram o confisco dos seus bens. De tal modo que, já em 1630, o inquisidor-geral D. Fernando de Castro escrevia que se o reino estava menos rico em compensação estava mais católico. Mas no fim das contas, sem somar o sofrimento e a humilhação, sem contar a «desonra das gerações», nas palavras de frei António de Abrunhosa, podemos afirmar que o Alentejo e o Algarve ficaram menos católicos e mais pobres.


Notas de resistir.info:
[1] Fé tridentina: disposições aprovadas no Concílio de Trento (1564) para combater a reforma protestante.
[2] Meirinho: oficial de diligências.
[3] Alcáçova: pequena fortaleza.
[4] Conezias: rendas dos cónegos.


António Borges Coelho (Murça, 1928), historiador e poeta português, catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tem vastos títulos publicados sobre as áreas medieval e começos da Idade Moderna; a sua principal obra será, porventura, o Portugal na Espanha Árabe, colectânea de textos árabes sobre a ocupação muçulmana daquilo que viria a ser o território de Portugal.