SEM GRILHETAS NEM SENSURA

SEM GRILHETAS NEM SENSURA

NOTA:

NESTE BLOGUE, todos os títulos possuem hiperligação relacionada no YOUTUBE.

AOS AMANTES DO CONHECIMENTO E DA VERDADE OBJECTIVA

A TODOS AQUELES QUE GOSTAM DE VER E DE SABER PARA ALÉM DA SUBJECTIVIDADE E DA VERDADE OCULTA.

PESQUISAR NESTE BLOGUE

PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA
O FILOSOFO DE PORTUGAL

sexta-feira, 17 de junho de 2011

ROMA, OS ROMANOS E O IMPÉRIO



O Império Romano foi um Estado que se desenvolveu a partir da península Itálica e chegou a dominar terras distantes desde a actual Inglaterra,  França,  Portugal,  Espanha, Itália, partes da Alemanha,  Bélgica, toda a península Balcânica,  Grécia,  Turquia, Arménia,  Mesopotâmia,  Palestina,  Egipto, Síria, Etiópia e todo o norte da África. Foi o império que mais influenciou a civilização ocidental. Esta fase da história da Roma Antiga foi caracterizada por uma forma autocrática de governo. O Império Romano sucedeu à República Romana que durou quase 500 anos (509 a.C. - 27 a.C.) e tinha sido enfraquecida pelo conflito entre Caio Mário e Lúcio Cornélio Sula e pela guerra civil de Júlio César contra Pompeu.


Muitas datas são comummente propostas para marcar a transição da República ao Império, incluindo a data da indicação de Júlio César como ditador perpétuo (44 a.C.), a vitória do seu herdeiro Octaviano na Batalha de Áccio (2 de Setembro de 31 a.C.), ou a data em que o senado romano outorgou a Octaviano o título honorífico de Augusto (16 de Janeiro de 27 a.C.).
Também a data do fim do Império Romano é atribuída por alguns ao ano 395, com a morte de Teodósio I, após a qual o império foi dividido em pars occidentalis e pars orientalis. A parte Ocidental, o Império Romano do Ocidente terminou, por convenção, em 476, ano em que Odoacro depôs o último imperador Rómulo Augusto, ou mais precisamente até à morte do seu predecessor,  Flávio Júlio Nepos, que se considerava ainda imperador e assim era considerado por seu par oriental.


Já o Império Romano do Oriente perdurou até à queda de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453.
Assim, Império Romano tornou-se a designação utilizada por convenção para referir ao Estado romano nos séculos que se seguiram à reorganização política efectuada pelo primeiro imperador, César Augusto. Embora Roma possuísse colónias e províncias antes desta data, o Estado pré-augusto é conhecido como República Romana.


As duas datas indicadas como início (27 a.C.) e fim (395) convencionais de um Império Romano unitário, como frequentemente sucede em definições de períodos históricos, são puramente arbitrários. Em particular por três razões: seja porque não houve jamais um fim verdadeiro e formal da res publica romana, cujas instituições jamais foram abolidas, mas simplesmente transferido o poder efectivo ao imperador; seja porque, nos 422 anos desse intervalo, se sucederam duas fases de organização e legitimação do poder imperial profundamente diferentes, o principatus et dominatu; seja porque, mesmo depois da divisão do império em duas partes, as instituições continuaram a sobreviver, uma até à deposição do último césar do Ocidente, Rómulo Augusto, em 476, ou mais precisamente, até à morte do seu predecessor, Júlio Nepos, que se considerava ainda imperador, perpetuando-se por mais um milénio na entidade mais tarde chamada, por convenção, de Império Bizantino.


O ano de 476 foi considerado, por convenção, como a data de passagem entre a Antiguidade e a Idade Média.
Os historiadores fazem a distinção entre o principado, período que vai de Augusto até à crise do terceiro século e o domínio ou dominato, que se estende de Diocleciano até a queda do Império Romano do Ocidente. Durante o principado (do latim princeps, "primeiro"), a natureza autocrática do regime era velada por designações e conceitos da esfera republicana, manifestando os imperadores relutância em se assumir como poder imperial. No dominato (dominus, "senhor"), pelo contrário, estes últimos exibiam claramente os sinais do seu poder, usando coroas, púrpuras e outros ornamentos simbólicos do seu status.


Ainda que não tenha sido o mais vasto império que existiu, título que pertence ao Império Mongol, o Império Romano é considerado o maior em termos de gestão e qualidade do território, de organização sociopolítica e de importância da marca deixada na história da humanidade. Em todos os territórios do império, os romanos construíram estradas, cidades, pontes, aquedutos, fortificações, exportando assim o seu modelo de civilização e, com o tempo, assimilando as populações e civilizações sujeitadas, num processo tão profundo que, por séculos após o fim do império, estes povos continuaram a definir-se romanos. A civilização nascida sobre as margens do Tibre, crescida e difundida na época republicana e desenvolvida plenamente na época imperial, está na base da actual civilização ocidental.


Além do Império Romano do Oriente, único estado sucessor a pleno título do Império Romano, outras entidades estatais reivindicaram esse título: no ocidente, o Reino Franco e o Sacro Império Romano germânico e, no oriente, o Império Búlgaro em primeiro, e depois o Império Russo dos czares, que continuaram a usar os títulos adoptados do Império Romano. Ainda hoje, muito das instituições políticas, sociais e jurídicas no mundo inteiro se inspiram na Roma antiga.


Descobertas arqueológicas indicam que a área de Roma já era habitada em 1400 a.C..
A Monarquia: (753 a.C a 509 a.C);
A República: (509 a.C a 27 a.C.);
O estabelecimento do Império Romano em 27 a.C. com Octaviano, Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus;.
O Império Romano do Ocidente sofreu a invasão dos povos bárbaros e, já enfraquecido internamente, caiu em 476 com a deposição do imperador Rómulo Augusto.


Outros reis estabeleceram-se em Roma, embora não mais usassem o título de “Imperador romano". O Império Oriental, com a capital em Constantinopla, continuou a existir por quase mil anos, até 1453 com o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna.
Porém, para além da arqueologia e dos legados que ficaram por todo o império, o conhecimento de grande parte da história de Roma deve-se aos seus escritores, poetas e historiadores:


Públio Virgílio Marão - Publius Vergilius Maro, também conhecido como Vergílio ou Virgílio. (70 a.C. - 19 a.C.), foi um poeta romano clássico, mais conhecido por três obras principais, as Éclogas (ou Bucólicas), as Geórgicas e Eneida, apesar de vários poemas menores também lhe serem atribuídos;

Marco Pórcio Catão - Marcus Porcius Cat, ( 234 a.C. - 149 a.C.), também conhecido como Catão, o Velho ou o Censor, foi um político romano, cônsul de Roma em 195 a.C., e censor em 184 a.C.. É considerado o primeiro escritor em prosa latina de importância; foi o primeiro autor de uma íntegra história da Itália em latim. Alguns historiadores argumentaram que, a não ser pelos impactos que causaram os seus escritos, o grego teria substituído o latim como língua literária em Roma. O seu manual De Agri Cultura, também chamada De Re Rústica, ou Acerca da Agricultura é a única das suas obras que sobreviveu na íntegra. Nela descreve-se o rito das suovetaurílias, entre muitos outros temas;

Caio Salústio Crispo (86-34 a.C.), foi um dos grandes escritores e poetas da literatura latina.
Proveniente de uma família do interior, mas de posses, teve uma formação requintada. Foi cedo para Roma, e recebeu apoio de pessoas de influência da sua família. Com o apoio de César, Salústio foi eleito questor, cargo que lhe assegurou uma cadeira no Senado Romano. Investiu contra adversários de César, e estes passaram a ser os seus adversários, como Cícero.

Marco Túlio Cícero - Marcus Tullius Cicero (106 a.C. - 43 a.C.), foi um filósofo, orador, escritor, advogado e político romano. Cícero era um escritor talentoso e energético, com um interesse numa grande variedade de tópicos de acordo com as tradições filosóficas e helenísticas nas quais ele tinha sido treinado. A qualidade e acessibilidade dos seus textos favoreceram grande distribuição e inclusão nos currículos escolares. Os seus trabalhos estão entre os que mais influenciaram a cultura europeia, e ainda hoje constituem um dos corpos mais importantes de material primário para a escrita e revisão da história romana.

Caio Júlio César - Caius ou Gaius Iulius Caesar (100 a.C. –  44 a.C.), foi um patrício, líder militar e político romano. Desempenhou um papel crítico na transformação da República Romana no Império Romano.
A obra escrita que chega aos nossos dias coloca César entre os grandes mestres da língua latina. Os seus trabalhos incluem:
De bello Gallico – Comentários sobre as campanhas da Gália;
De bello Civili – Comentários sobre a recusa de obedecer ao senado e a guerra civil.
Estas narrativas, aparentemente simples e directas, são na realidade sofisticadas manobras de propaganda política dirigidas à classe média de Roma.

Tito Lívio - Titus Livius (59 a.C. - 17 d.C.), conhecido simplesmente como Lívio, é o autor da obra histórica intitulada Ab urbe condita ("Desde a fundação da cidade"), onde tenta relatar a história de Roma desde o momento tradicional da sua fundação 753 a.C. até ao início do século I da era comum, mencionando desde os reis de Roma, tanto os primeiros como os Tarquínios.

Públio (Caio) Cornélio Tácito - Publius (Gaius) Cornelius Tacitus ou simplesmente Tácito, (55 - 120 d.C.), historiador romano, foi questor,  pretor (88), cônsul (97), procônsul da Ásia (aproximadamente 110-113) e orador.
É considerado um dos maiores historiadores da Antiguidade. Escreveu por volta do ano 102 um Diálogo dos oradores e depois, sobre a vida e o carácter de Júlio Agrícola, um elogio ao seu sogro, que havia sido um eminente homem público durante o reinado de Domiciano e que havia completado, como general, a conquista da Britânia, além de ter feito uma expedição à Escócia. As suas obras principais foram Annales ("Anais") e Historiae ("Histórias"), que tinham por tema, respectivamente, a história do Império Romano no primeiro século, desde a chegada ao poder do imperador Tibério até à morte de Nero (Annales) e da morte de Nero à de Domiciano (Historiae).

Caio Suetónio Tranquilo - Gaius Suetonius Tranquillus, ou simplesmente Suetónio, foi um grande escritor latino que nasceu em 69 dC., em Roma e faleceu por volta de 141.
Suetónio situa-se num vasto escalão intermediário da literatura latina. Não teve a grandeza dos autores do apogeu, como Virgílio, Horácio, Cícero, Ovídio, Tito Lívio, aos quais foi posterior. Nem de um Juvenal, que lhe foi posterior. Foi amigo de Plínio.
Filho de um tribuno da décima terceira legião; dedicou-se às armas e às letras. Escreveu sobre os Doze Césares tendo sido contemporâneo na idade adulta e o último dos  biógrafos de  Domiciano. Suetónio Viveu o tempo dos cinco bons imperadores: Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio.
Teve prestígio na corte de Adriano, tendo sido secretário as epistolis (letras). Caiu, porém, em desagrado por ter monopolizado o interesse da imperatriz Sabina. Foi afastado em 122 e a partir daí passou a dedicar-se a escrever história.
Suetónio foi um grande estudioso dos costumes da sua gente e do seu tempo e escreveu um grande volume de obras eruditas, nas quais descrevia os principais personagens da época. Foi, sobretudo, um indiscreto da devassidão das intimidades da corte romana, dando-nos uma visão íntima dos vícios dos imperadores e das intrigas que dividiam a nobreza.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A DÁCIA ROMANA



A Dácia é a antiga região da Europa, cujo território coincide com a Roménia e a Moldávia, limitado a norte pelos Cárpatos e ao sul pelo Danúbio.  A região foi conquistada pelo Império Romano após as guerras Dacias ocorridas nas duas primeiras décadas do século primeiro d.C. no Império de Trajano, que a incorporou como uma província romana .


A primeira menção feita aos Dácios procede de fontes romanas, mas os autores clássicos são unânimes em considerar os dácios um ramo dos “getae”, um povo trácio conhecido dos escritos gregos. Estribo especificou que os dácios eram os getae que viviam na região da planície Panoniana, enquanto os getae, propriamente ditos, habitavam as regiões próximas do Mar Negro (Cítia Menor).


Os seus habitantes eram chamados de dácios pelos gregos, enquanto o nome em latim é suposto vir de trácios.
Em 87 o imperador Domiciano decidiu enviar o seu prefeito e chefe da Guarda Pretoriana , chamado Cornelius Fuscus, para punir e conquistar os dácios com quatro ou cinco legiões, que caiu numa emboscada e foram derrotados perto da actual Bucovina. Nesta batalha Fuscus pereceu. 


Foi depois dessa vitória que Dirpaneo, como antes os romanos o chamavam, mudou o seu nome para Dekebal cujo significado seria: forte como dez homens.
Em 88, Tettius Iulianus comandou outro exército romano foi derrotado novamente. Quase simultaneamente, os germânicos se rebelaram na fronteira Renvs e para parar o Império Romano teve que desviar forças de Moesia, (actual Sérvia) forças que estavam até então encarregadas de reprimir os dácios. Sob tal cenário, os romanos foram forçados a comprar a paz dos dácios, pagando grandes quantias de dinheiro em forma de tributo. 


Os romanos ainda tinham engenheiros e arquitectos para embelezar e fortalecer o capital da Dácia em Sarmizegetusa (tratado de 89). A situação humilhante para os romanos durou até o hispânico Trajano tomar o título de imperador em 98, que imediatamente ordenou uma série concertada de campanhas militares no Império Romano que antecederam a sua máxima extensão geográfica.


Diupanneo-Decebalus foi então derrotado pelos romanos, que invadiram a Dácia após a Terceira Batalha de Tapae que ocorreu em 101. No entanto, os romanos impuseram um rei fantoche ("Cliente") para os dácios no âmbito do "protectorado" Romano, três anos depois ganhou Decebalus, restabelecendo as tropas romanas na Dácia com as quais os romanos foram obrigados a enviar enormes reforços.


Depois de um prolongado cerco de Sarmizegetusa e uma longa guerra, os romanos conquistaram a Dácia. Depois de ser capturado e preso pelos soldados romanos, Decebalus foi forçado a cometer suicídio no ano 106 .
O imperador Trajano tornou a Dácia numa província romana, após as vitórias em campanhas conhecidas como Guerras Dácias, que tiveram lugar nos períodos (101 -102 ) e (105 - 107).  De 500 mil a 2 milhões dácios foram vendidos como escravos.
O ordenamento do território da nova província foi definido apenas em 117 pelo imperador Publius Aelius Traianus Hadrianus.


Desistir de algumas faixas de territórios conquistados pelo seu antecessor, Adriano dividiu a área em duas províncias: Dácia Inferior e Superior, aproximadamente correspondente aos actuais Oltenia e Transilvânia, dos quais a terceira unidade administrativa no norte, Cetatea Porolissum, vai chamar aos outros dois Apulensis Dacia e Dacia Malvensis com o governador no cargo, antes da reunificação em 168 numa única província sob Marcus Aurélio.


As subdivisões foram feitas em termos de defesa e eficiência. Assim contra a política expansionista, Trajano Adriano tornou-se consciente dos problemas delicados encontrados com a nova aquisição territorial, a entrada no território bárbaro, além do limite natural do Danúbio, arriscaram a tornar-se uma área de tensão, em vez de reforçar a posição romana na região dos Balcãs. Além disso, devido à sua posição geográfica, a província foi compensada com respeito às artérias de tráfego do império.
A capital foi Sarmizegetusa, inicialmente chamada Ulpia Traiana, fundada como uma colónia do norte a 30 km da oppidum Dacian. Outras cidades foram gradualmente desenvolvidas em torno de instalações militares: em Dácia Superior, Apulum,  Napoca , Potaissa , Porlissum em Dácia Inferior, Romula e Drubeta.


Os principais recursos naturais da província amplamente explorada pelos romanos, foram os de sal e de mineração , especialmente de ouro, até ao ponto onde se diz que, após a anexação da Dácia começou a cortar impostos em todo o império.
Com o processo das invasões bárbaras no século III , as tribos germânicas exerceram pressão sobre as províncias da fronteira do Império Romano, enquanto os recursos militares do Império estavam ficando sobrecarregados.  


Na verdade, embora o imperador Aureliano conseguisse derrotar os godos em 271, tomou a decisão de deixar a província, a partir deste ano e a evacuação do exército romano e da administração civil da província de Moesia, cuja evacuação foi completada em o 272 .
Apesar do abandono do Império, a ocupação romana deixou os habitantes da antiga província latino um selo indelével, reflectiu, principalmente, na língua, que conseguiu manter as suas romances e raízes, apesar do isolamento e foram submetidos às influências eslava. A Dácia Romana evoluiu com o tempo dando lugar hoje à Roménia.