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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O EGIPTO DE TUTANKHAMON


O Antigo Egipto é a expressão que define a civilização da Antiguidade que se desenvolveu no canto nordeste do continente africano. A nação do antigo Egipto tinha como fronteira a norte o Mar Mediterrâneo, a oeste o deserto da Líbia, a leste o deserto da Arábia e a sul a primeira catarata do rio Nilo.
A história do Antigo Egipto inicia-se em cerca de 3150 a.C., altura em que se verificou a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egipto, e termina em 30 a.C. quando o Egipto, já então sob dominação estrangeira, se transformou numa província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha Naval de Ácio entre os aliados Cleópatra e Marco António contra Octávio.

Tutankhamon foi um faraó, do Antigo Egipto, que faleceu ainda na adolescência.
Era filho e genro de Akhenaton, o faraó que instituiu o culto de Aton o Deus Sol, e filho de Kiya, uma esposa secundária do seu pai; casou-se aos 10 anos com Ankhsenpaaton, sua meia-irmã que, mais tarde, trocaria o nome para Ankhsenamon, foi a terceira das seis filhas do faraó Akhenaton e da rainha Nefertiti; sendo assim, Tutankhamon era genro de Nefertiti, cujas origens familiares são pouco claras, o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni, filha do rei Tushratta, império que existiu no que é hoje a região oriental da Turquia. O seu nome significa "a mais Bela chegou".
Tutankhamon Assumiu o trono quando tinha cerca de doze anos, restaurando os antigos cultos aos deuses e os privilégios do clero, principalmente o do Deus Amon de Tebas. Morreu em 1324 a.C., aos dezanove anos, sem herdeiros, depois de nove anos de trono, o que levou os especialistas a especularem sobre a hipótese de doenças hereditárias na família real da XVIII dinastia ou homicídio. Devido ao facto de ter falecido tão novo, o seu túmulo não foi tão sumptuoso quanto o de outros faraós, mas mesmo assim é o que mais fascina a imaginação moderna pois foi uma das raras sepulturas reais encontrada intacta. Ao ser aberta, em 1922, ainda continha peças de ouro, tecidos, mobília, armas e textos sagrados que revelam muito sobre o Egipto de há 3466 anos.

As fontes disponíveis sobre a vida de Tutankhamon referem explicitamente o nome do pai e da mãe deste rei. A sua origem real é contudo certa, como mostra uma inscrição num bloco de pedra calcária encontrado em Hermópolis, chamada no tempo por Khmunu, o que significa "A cidade dos oito deuses".

Para alguns investigadores o seu pai foi o rei Amen-hotep III (1389 a.C.- 1351 a.C. ou entre 1391 a.C. e 1353 a.C.) ou Amenófis III, segundo a versão helenizada do nome, enquanto que outros defendem ter tido como pai o filho e sucessor deste, Amen-hotep IV, que mais tarde mudaria o seu nome para Akhenaton em resultado das concepções religiosas que faziam do Deus Aton, a divindade mais importante.

Para apoiar a tese da paternidade de Amen-hotep apontava-se as várias inscrições nos muros e na colunata do templo de Luxor, feitas no tempo de Tutankhamon, nas quais o jovem rei  se refere a Amen-hotep como seu pai. Contudo, deve ser salientado que no Antigo Egipto o termo "pai" tinha um sentido amplo, podendo ser utilizado para se referir a um avô ou até mesmo a um antepassado longínquo. A ser filho de Amen-hotep III, poderia ter tido como mãe a grande esposa real deste soberano, Tié ou Teye, mas segundo historiadores, sendo Akhenaton proscrito, era mais interessante que se pensasse que Amen-hotep III era seu pai. No túmulo de Tutankhamon no Vale dos Reis encontrou-se uma madeixa de cabelo desta rainha. Para reforçar ainda mais esta tese apontam-se as semelhanças físicas entre Tié e Tutankhamon, mas a mesma era sua avó paterna.

No entanto, em recente análise de ADN das múmias, ficou comprovado que o pai de Tutankhamon era o faraó monoteísta Akhenaton.
Outra hipótese provável dos progenitores de Tutankhamon, aponta como seus pais Akhenaton e uma esposa secundária deste, Kiya, rainha que poderia ter origem estrangeira, talvez mitânia. Uma cena num relevo do túmulo de Akhenaton, no qual a família real lamenta a morte de um membro, é interpretada como uma alusão à morte de Kiya durante um parto, sendo este justamente o parto de Tutankhamon.

Sabe-se pouco sobre Kiya, mas os últimos dados que se conhecem desta figura referem-se ao ano 11 do reinado de Akhenaton, data que se considera mais ou menos coincidente com o nascimento de Tutankhamon.

Tutankhamon ascendeu ao trono aos nove anos de idade, sucedendo no cargo a Semenkhkare, rei sobre o qual se sabe muito pouco; segundo a egiptologia, Semenkhkhare seria Nefertiti com outro nome, mas, Semenkhkhare era o título dado aos co-regentes dos faraós, esse era na realidade um nobre, chamado Panhesy, da alta estirpe de Amarna que se casou com Meritaton, filha mais velha de Akhenaton e Nefertiti, que a sucedeu após a sua morte, ambos teriam sido assassinados em Amarna juntamente com quase todos seus moradores, pois Ay cujo prenome foi Kheperkheruré, o que significa "Eternas são as manifestações de Rá ou Ré" vizir na época, queria o trono e, sem herdeiros seria mais fácil. Por milagre, Tutankhamon e sua irmã Ankhesenamon, conseguiram sobreviver á matança e foram levados para Tebas para serem casados e coroados, ele com 9 anos e ela com 11 anos de idade.

Devido à jovem idade do rei, Tutankhamon, os verdadeiros governantes durante este período foram Aye e Horemheb, dois altos funcionários do tempo de Akhenaton, que mais tarde seriam eles próprios faraós. Ay era, provavelmente amante de Tié talvez já viúva nesse tempo e pai de Nefertiti. Durante o tempo de Akhenaton era Horemheb o intendente dos cargos reais, tornando-se vizir, uma posição de grande prestígio que manteve durante o reinado de Tutankhamon.

No quarto ano do seu reinado o jovem rei mudou o seu nome de Tutankhaton para Tutankhamon "imagem viva de Amon". A sua esposa fez o mesmo, passando de Ankhesenpaaton para Ankhesenamon "ela vive para Amon". Esta mudança dos nomes está relacionada com a rejeição das doutrinas religiosas de Akhenaton e com a restauração dos deuses antigos. Durante a fase final do reinado de Tutankhamon a repressão sobre o culto aos outros deuses tinha-se acentuado, tendo o rei mandado destruir todos os nomes de outros deuses que se achassem em inscrições, com excepção de Aton:

A situação do Egipto parecia ser catastrófica nesta época, a acreditar no texto gravado numa estela, a chamada "Estela da Restauração", que foi encontrada no terceiro pilar do templo de Amon em Karnak.


Nele se afirma que os templos dos deuses estavam em pleno estado de decadência e estes, irados, tinham lançado a confusão no país. Até as expedições militares no Próximo Oriente pareciam não alcançar sucesso devido à indiferença perante os templos e os deuses.
Assim, e ainda segundo a estela, o rei terá mandado fazer novas estátuas de deuses e restaurar os seus templos, bem como os cultos diários que ali eram conduzidos.  
Tutankhamon faleceu aos dezanove anos em 1324 a.C. Uma vez que o seu túmulo não estava ainda pronto, foi sepultado num túmulo de dimensões pequenas, pouco habitual para alguém que ocupou o cargo de faraó.

A sua viúva, Akhesenamon, toma uma atitude desconcertante. Numa carta enviada a Suppiluliuma I, rei dos hititas, a rainha pede ao soberano um dos seus filhos como marido, prometendo-lhe o trono do Egipto. Os hititas tinham sido inimigos do Egipto, razão pela qual este pedido era estranho. Suppiluliuma desconfiou das intenções da rainha, julgando tratar-se de uma armadilha. Na resposta enviada perguntou à rainha onde estava o filho de Tutankhamon. Ankhesamon, despeitada, afirma que não tem filhos. Depois de reflectir o rei hitita decidiu atender ao pedido da rainha, enviando um filho para casar e ser coroado rei do Egipto. Contudo, este príncipe nunca chegou ao Egipto, julgando-se que foi morto no caminho por espiões enviados por Horemheb ou Ay.
Ay casaria com Akhesenamon, talvez contra vontade desta, o que permitiu a Ay tornar-se rei.
Ay teria já uma idade avançada, entre os sessenta e os setenta anos, e inexplicavelmente meses depois, a rainha morre misteriosamente, tendo sido ele faraó durante quatro anos, morrendo de "causas naturais" meses após Horemheb retornar de uma das várias guerras em que participava. Respeitou a memória de Tutankhamon, não usurpando os seus monumentos. Ay foi sucedido por Horemheb que não precisou casar com ninguém, pois já não haviam membros da família real vivos e, por ser herói de guerra, teve o apoio maciço do povo, reinou durante vinte e sete anos e não deixou herdeiros.

Devido à falta de elementos informativos relativos a Tutankhamon, especula-se sobre os motivos da sua morte. Em 1925 foi realizada uma autópsia à múmia, tendo-se considerado na época a hipótese de uma morte natural, talvez por tuberculose.
Em 1968 uma equipe da Universidade de Liverpool, obteve autorização para realizar um raio-X à múmia. Uma ferida perto da orelha esquerda do faraó, que penetrou no crânio, produzindo uma hemorragia, foi apontada como causa da morte. Esta ferida poderia ter sido causada por um golpe ou um acidente. As radiografias mostraram como um osso tinha penetrado no crânio. Alguns investigadores avançaram com a hipótese de assassinato que teria tido como autores Ay e Horemheb. O que pelas confusões pelo poder na época seria o mais provável.

Em Janeiro de 2005 a múmia foi retirada do seu sarcófago no túmulo do Vale dos Reis, tendo sido alvo de um exame no qual se recorreu à tomografia computadorizada. Este exame, que teve uma duração de quinze minutos, gerou 1700 imagens.
Os novos exames retiraram a hipótese de morte por assassinato. Em Novembro de 2006, com base em novas e sofisticadas análises, apresentaram-se novas evidências que sustentam esta teoria. Quanto ao osso encontrado no crânio julga-se que foi provocado por um erro durante o processo de embalsamamento do corpo.

Em Maio de 2005, egípcios,  franceses e americanos reconstituíram a sua face a partir de imagens de tomografia computadorizada. O rei Tut - como foi apelidado - tinha a parte posterior do crânio estranhamente alongada e o queixo retraído.
Conforme notícias divulgadas em de 2010, Tutankhamon teria morrido, na verdade, devido à malária combinada com uma infecção óssea, segundo um estudo divulgado nos Estados Unidos. Para outro autor o faraó Tut teria passado por severo episódio de malária antes de assumir o trono, mas teria morrido assassinado por Aye com um golpe na porção posterior do crânio.

Em torno da abertura do túmulo e de acontecimentos posteriores gerou-se uma lenda relacionada com uma suposta "maldição" ou "praga da morte", lançada por Tutankhamon contra aqueles que perturbassem o seu descanso eterno. O mecenas de Carter, Lord Carnarvon, faleceu a 05 de Abril de 1923, não tendo por isso tido a possibilidade de ver a múmia e o sarcófago de Tutankhamon. No momento da sua morte ocorreu na capital egípcia uma falha eléctrica sem explicação e a cadela do lorde teria uivado e caído morta no mesmo momento na Inglaterra. Nos meses seguintes morreriam um meio-irmão do lorde, a sua enfermeira, o médico que fizera as radiografias e outros visitantes do túmulo. Para além disso, no dia em que o túmulo foi aberto de forma oficial o canário de Carter foi engolido por uma serpente, animal que se acreditava proteger os faraós dos seus inimigos. Os jornais da época fizeram eco destes factos e contribuíram de forma sensacionalista para lançar no público a ideia de uma maldição. Curiosamente, Howard Carter, descobridor do túmulo, viveu ainda durante mais treze anos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010