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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

ANTIGUIDADE ESPARTANA


Esparta, em grego “Σπάρτη”, é um município da Grécia, situada nas margens do rio Eurotas, no Sudeste da região do Peloponeso. Foi uma das mais notórias cidades-estado da Grécia Antiga que cerca do ano 700 a.C. conquistou a vizinha Messénia, uma prefeitura localizada na periferia do Peloponeso cuja capital é Kalamata.
Duzentos anos mais tarde, coligou-se aos seus outros vizinhos, formando a Liga do Peloponeso.

Na Guerra do Peloponeso, no século V a.C., Esparta derrotou Atenas e passou virtualmente a governar toda a Grécia, mas em 371 a.C. os outros estados revoltaram-se e Esparta foi derrubada, apesar de manter-se poderosa durante mais duzentos anos.
Esparta encontra-se situada numa região de terras apropriadas para o cultivo da vinha e da oliveira.
Na Antiguidade, Esparta, era uma cidade de carácter militarista e oligárquica. O governo de Esparta tinha como um de seus principais objectivos fazer dos seus cidadãos modelos exemplares de soldados, bem treinados fisicamente, corajosos e obedientes às leis e à autoridade.

Em Esparta, os homens eram na sua maioria soldados e foram responsáveis pelo avanço das técnicas militares, melhorando e desenvolvendo um treino, organização e disciplina, inéditos naquela época.
Relativamente ao poder, Atenas era a principal rival de Esparta e foi ela que liderou as cidades-estado gregas na luta contra os invasores persas, em 480 a.C.. A Constituição de Esparta, segundo a tradição, foi escrita por um legislador chamado Licurgo, que teria vivido no século IX a.C..

Segundo a mitologia grega, o primeiro habitante da região chamava-se Lélex. O seu neto,  Eurotas, deu origem ao rio com o mesmo nome, ao dragar os pântanos da Lacónia. Eurotas foi sucedido por Lacedemon, casado com Esparta, filha de Eurotas. Várias gerações depois, Héracles interveio em Esparta, reinstalando o rei Tíndaro, que havia sido deposto por seu irmão Hipocoonte.
Durante as invasões dóricas, Esparta foi conquistada, e a diarquia de Esparta começa com os irmãos gémeos Eurístenes e Procles. Esparta surgiu em meados do século IX a.C.. Durante a época micénica existiram a Sul do local onde nasceria Esparta dois centros urbanos, Amiclas e Terapne. Nesta última cidade, encontraram-se santuários dedicados ao rei Menelau e à sua esposa Helena, personagens da Ilíada de Homero.

À semelhança de outras partes da Grécia, a Lacónia conheceu um decréscimo populacional com o fim da era micénica. No século X a.C., os Dórios penetraram na região. No século seguinte, quatro aldeias da Lacónia uniram-se para fundar Esparta; no século seguinte a cidade de Amiclas foi incluída em Esparta.

Perante o problema gerado pelo aumento populacional e pela escassez de terra, Esparta optou pela via militar para solucionar a questão, ao contrário de outras “polis” gregas que recorreram à fundação de colónias. Esparta fundou apenas uma colónia, Tarento, actual Taranto, no sul da Itália. Assim, Esparta decidiu conquistar os territórios vizinhos, tendo conquistado toda planície da Lacónia no final do século VIII a.C. Na luta pelo domínio no Peloponeso, Esparta teve como rival Argos, cidade do Nordeste do Peloponeso.
Em 570 a.C., uma tentativa de conquista da Arcádia revelou-se um fracasso, tendo Esparta optado por alterar a sua política no sentido da diplomacia. Assim, Esparta ofereceu a outras localidades do Peloponeso a possibilidade de integrar uma liga por si liderada, a chamada Liga do Peloponeso. A maioria dos estados do Peloponeso integraria esta liga, com excepção de Argos.

Durante as Guerras Persas, Esparta liderou as forças que defenderam a Grécia em terra, enquanto Atenas defendia pelo mar. Com o final da guerra, as relações com Atenas deterioraram-se, culminando na Guerra do Peloponeso  (431-404 a.C.), que os Espartanos venceram.

A educação espartana, que recebia o nome técnico de agogê “passagem”, apresentava as particularidades de estar concentrada nas mãos do Estado e de ser uma responsabilidade obrigatória do governo. Estava orientada para a intervenção na guerra e a manutenção da segurança da cidade, sendo particularmente valorizada a preparação física que visava fazer dos jovens bons soldados e incutir um sentimento patriótico. Nesse treinamento educacional eram muito importantes os treinamentos físicos, como salto, corrida, natação, lançamento de disco e dardo. Nos treinamentos de batalha, as meninas dedicavam-se ao exercício do arco e flecha. Já os meninos eram especialistas em combate corporal, assim como em tácticas defensivas e ofensivas.

De acordo com Plutarco (50-120 d.C.), quando nascia uma criança espartana, pendurava-se na porta da casa um ramo de oliveira, se fosse um menino, ou uma fita de lã, se nascesse uma menina. Havia rituais privados de purificação e reconhecimento da criança pelo pai, além de uma festa de nascimento conhecida "comogenetlia", na qual o recém-nascido recebia um nome e presentes de parentes e amigos. Desde o nascimento até à morte, o espartano pertencia ao Estado. Os recém-nascidos eram examinados por um conselho de anciãos que ordenava eliminar os que fossem portadores de deficiência física ou mental ou não fossem suficientemente robustos. Uma forma usual de selecção eugénica naquela época.
As crianças Espartanas eram espancadas pelo pai para se tornarem mais rijos e fortes, e, se não o fossem, morreriam.

A partir dos sete anos de idade, os pais não mais orientavam a educação dos filhos. As crianças eram entregues à orientação do Estado, que tinha professores especializados para esse fim. Os jovens viviam em pequenos grupos, levando vidas muito austeras, realizavam exercícios de treino com armas e aprendiam a táctica de formação militar.
Com sete anos, o jovem espartano entrava no exército. Mas só aos trinta anos de idade adquiria plenos direitos políticos, podendo, então, participar na Assembleia do Povo ou dos Cidadãos, denominada  Apela ou Apelá; era uma assembleia formada por cidadãos espartanos com mais de trinta anos que elegia os membros da Gerúsia e aprovava ou rejeitava as leis encaminhadas por eles. Correspondia à Eclesia, em Atenas. Todo espartano homem, com mais de 30 anos, podia participar nas reuniões, que, de acordo com Licurgo, aconteciam a cada lua cheia, nas imediações de Esparta.

Depois de concluído o período de formação educativa, os cidadãos de Esparta, entre os vinte e os sessenta anos, estavam obrigados a participar na guerra. Continuavam a viver em grupos e deviam tomar uma refeição diária nos chamados "syssitia".
Para o historiador italiano Franco Cambi, a educação desenvolvida em Esparta e Atenas constitui dois modelos educativos diferentes. Em Esparta, a perspectiva militar orientava a formação de cidadãos guerreiros, defensores do Estado. Já em Atenas, predominava um tipo de formação mais livre e aberta, que, de modo mais amplo, valorizava o indivíduo e as suas capacidades. As mulheres recebiam educação quase igual à dos homens, participando dos torneios e actividades desportivas.

O objectivo era dotá-las de um corpo forte e saudável para gerar filhos sadios e vigorosos. Consistia na prática do exercício físico ao ar livre, com a música e a dança relegadas para um segundo plano, ao contrário do que tinha sucedido na época arcaica. Assim como os homens, também iam para os quartéis, quando completavam sete anos de idade, para serem educadas e treinadas para a guerra mas dormiam em casa, onde recebiam da mãe aulas de educação sexual. Assim que atingiam a chamada menarca, primeira menstruação, começavam a receber aulas práticas de sexo, para gerarem bons cidadãos para o estado, aulas onde se usavam escravos, com coito interrompido para não engravidarem de hilotas e recebiam também uma educação mais avançada que a dos homens já que seriam elas que trabalhariam e cuidariam da casa enquanto os seus maridos estivessem servindo ao exército.

Assim que atingiam a maturidade, entre dezanove e vinte anos, elas pediam autorização ao estado para casar, passando por um teste comprovativo da sua fertilidade, engravidando de um escravo, só para a reprodução,  bem tratado e alimentado mas morto aos 30 anos por ser considerado velho. O filho que ela tinha com esse escravo era morto e a mulher conseguia autorização para casar. Caso não conseguissem engravidar, eram mandadas para os quartéis para, assim como os homens, servirem o exército espartano.
A mulher espartana podia ter qualquer homem que quisesse, mesmo sendo casada, já que os seus maridos ficavam até aos 60 anos de idade ao serviço do exército nos quartéis, e podia também requisitar o seu marido ao general do quartel; o mesmo não podia ser feito pelos homens.

Ter muitos filhos era sinal de vitalidade e força em Esparta, assim, quanto mais filhos a mulher tivesse, mais atraente seria, podendo engravidar de qualquer espartano, mas o seu filho seria sempre considerado filho do seu marido.
As divindades femininas desempenharam em Esparta um papel bastante importante: dos cinquenta templos mencionados por Pausanias, trinta e quatro estão dedicados a deusas.

A deusa Atena era a mais adorada de todas. O deus Apolo tinha poucos templos, mas a sua importância era crucial: desempenhava um papel em todas as festas espartanas e o monumento mais importante na Lacónia era o trono de Apolo em Amyclai.
Outro traço distintivo era o culto aos heróis da guerra de Tróia. Segundo Anaxágoras, Aquiles era aqui adorado como um Deus e Esparta tinha dois santuários que lhe eram dedicados. Outras personagens da Guerra de Tróia honradas por Esparta foram Agamémnon e sua esposa Clitemnestra, Cassandra, Menelau e Helena.

Esparta prestava também culto a Castor e Pólux. A tradição afirmava mesmo que teriam nascido na cidade. A dualidade das personagens faz lembrar a existência de dois reis em Esparta. Vários milagres foram-lhes atribuídos, sobretudo relacionados com a defesa dos exércitos espartanos; representações dos gémeos em ânforas eram levadas para o campo de batalha ao lado dos Reis, com o fim de bom augúrio.
Por último,  Héracles era, em Esparta, uma espécie de "herói nacional". Segundo a tradição, o herói teria ajudado Tíndaro a reconquistar o seu trono. O tema dos seus "Doze Trabalhos" foi largamente explorado pela iconografia espartana.
Os sacerdotes desempenhavam um papel importante em Esparta. Os dois Reis tinham eles próprios um estatuto de sacerdotes: estavam encarregues de realizar os sacrifícios públicos, que eram bastante valorizados, sobretudo em tempos de guerra. Antes da partida de uma expedição militar, efectuava-se um sacrifício a Zeus; no momento em que se passavam as fronteiras realizavam-se a Zeus e Atena e antes da batalha a Ares.

Em 1834, o governo do então reino da Grécia fundou a moderna cidade de Esparta, que ocupa parte da antiga Esparta e que é capital do departamento da Lacónia.