SEM GRILHETAS NEM SENSURA

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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

AS MINHAS POESIAS



VENI CREATOR SPIRITUS ET INSUFLA MENTES NOSTRAS


ABSTRACÇÕES:
Edificámos de betão as gaiolas,
com muros altos, mirados, alvejados,
gradeados sem piedade, abstraídos.
Obliterámos as urbes hesitantes;
escravizámos as bases piramidais.
Dogmas, impropérios infinitos;
Abjuração das mentes titubeantes.
Conjugámos o verbo possuir,
politicamente, religiosamente sem fim.
Apostasias comummente procriantes.
Substituídos por genes oblíquos,
manchados de sangue morno,
cambaleamos alados, torpes.
Sanguessugas de um astro moribundo.
Viajando no espaço impoluto,
incólumes no sentido inverso,
semeámos a desordem instituída.
O relógio do tempo, avassalador,
isócrono avança, progressivamente,
imparável...
Inevitavelmente… Cercados.

Montijo, Nov/2008





DECRETA-SE:
Que a partir de agora, o dia passa e ser noite,
Noite escura… eterna sem estrelas.

A partir de agora:

Só nascem meninos com “pilinhas” compridas
E as meninas passam a tê-las, mas curtas.

É proibida a amizade;
É proibida a fraternidade;
É proibida a comunicação!

E as mãos dadas …

O "A" passa a ser "H",
Para a 8ª letra do alfabeto.
Mas se o "H" for "G" é um desastre!

A partir de agora:

A voz do desespero,
Proíbe o calor do Sol.
É proibido o arco-íris e as outras cores...

A partir de agora:

Sem luz, fomenta-se a
Escuridão e o silêncio.

Não é permitida a voz da razão!

O ódio, o rancor, a desconfiança,
o ciúme passam a ser obrigatórios.

A competição sub-reptícia
Passa a ser apanágio da urbe,
E é premiada (com um automóvel).

Os porcos passam a ter asas,
escuras asas de dragão.
Asas longas, da pobreza!...


Os muros edificam-se e dividem:
A lógica, o espaço e a imaginação! ...

A partir de agora o homem passa a ser
Para sempre, como foi…
Igual a si mesmo!
Montijo,Abril/1999



NOITE QUENTE:
Cálida era a noite de lua cheia.
Os nossos corpos escaldantes, palpitantes,
sedaram-se nas mornas águas de um duche.
Desnuda, surgiste intensamente molhada.
A tua silhueta vislumbrava-se ondeante.
Pela janela, escancarada do quarto, via a lua.
A luz do luar projectava a tua sombra...
Na penumbra envolvente, éramos nítidos.
Os contornos do teu peito, hirto, balançante,
aliciante, como doce pudim de geleia,
quedou-se quando paraste deitada.
O teu monte de Vénus tentava os meus dedos;
que atribuis de afiadas setas de Cupido.
Serenamente, a meu lado, nada insinuaste.
Os teus mamilos como uvas suculentas,
desafiavam os meus lábios sedentos.
O cheiro artificial do sabonete perfumado,
emanava etéreo do teu corpo morno.
A noite, silenciosa, prometia ser longa...
Animadamente conversámos de coisas fúteis.
Com tentações, carentes mas sem toques.
Aparentemente indiferentes,
Quietos esperámos um pelo outro.
Esperámos, esperámos até dormir...
Montijo, Abril/2006




TÊ VÊ DE QUEM TE VÊ:
Telenovelas,
bagatelas infinitas,
lucrativas
da incultura,
ocupativa,
recreativas,
intempestivas,
impeditivas
sem direitos,
primordiais,
fundamentais.
Intervaladas.
Das publicidades
infinitas,
consumidas.
Dos Directos
Ao vivo.
Criativos,
abrangentes.
Do Irmão Grande;
Dos circenses;
Dos famosos,
militares ou não,
fieis ou infiéis,
a
l
i
e
n antes.
Janelas abertas
cativantes,
indiscretas,
dos mil mirantes.
Espreitantes,
em fechaduras
solicitantes.
Das curiosidades
frustrantes.
Montijo, Março/2000



OCLUSÃO:
Almejei apenas possuir-te
em roda dos costumes procriantes.
Sem atender aos teus chamamentos,
ignorei os teus íntimos desejos líbidos
Montijo, Set/2008



SÓ VER-TE:
Os teus olhos de flor-de-lis,
amendoados, negros azeviche.
São luzes, cintilantes, ofuscantes,
distantes do meu olhar.
Teus cabelos negros caídos,
São ondas revoltas do mar,
tocados pelo vento atrevido,
por onde desejo navegar os meus dedos,
ansiosos, saudosos, esvaídos,
abandonados ao tempo,
como folhas caídas de Outono.





SUPERMERCADOS:
Dos superes,
Dos hiperes,
Espaços colossais,
Arquitecturais,
Comerciais,
Cheios,
Solitários,
Dos passos,
Dos passeios,
Domingueiros, sem espaços,
Das filas,
Dos carros e dos escapes,
Dos carrinhos empurradinhos,
Dos cheiros,
Dos cigarros,
Das comidinhas,
Dos dinheiros,
Inflacionados,
Do fim do mês,
Espaços Impessoais,
Estudados,
Dos empregados,
Educados, ocupados
Arrumadinhos,
Das estantes,
Coloridas,
Dos Vermelhos,
Atraentes, colocados,
Dos brancos, reluzentes,
Estrategicamente,
Iluminados,
Musicados,
Frequentados,
Sem chuva nem sol,
Das lojinhas,
Das bruxinhas e do pão mole.
Abertas e fechadas:
Vazias, vazias, vazias…
Dos passeantes,
Sem dinheiros, engraçados,
Abandonados, sem espaços nem enguiços, nem engaços…
Évora, Agosto/2009



UM BEIJO:
Esse teu sorriso aberto, terno, periclitante,
Que desnuda os teus lábios,
Cor de escarlate,
Adoçam os meus,
Apenas,
Por um breve instante.

Esse teu sorriso aberto, terno, periclitante,
Que me suplica insinuante,
Com um ligeiro roçar da tua mão,
Leva os meus lábios aos teus seios,
Suavemente,
Por um breve instante.

Esse teu sorriso aberto, terno, periclitante,
Que me alicia, estimula docemente,
Mais aquém,
Leva os meus lábios lentamente,
Mais além…
Por um breve instante.
Montijo, Nov/2008




QUIMERAS:
Sou imagem de um Deus ausente:
Incógnito.
Acaso da necessidade…
Quimera esquecida de um sonho por acabar.
Procura incessante do ponto inatingível:
Liberdade…
Utopia projectada da imaginação cósmica:
Infinito...
Circunferência, sem princípio nem fim:
Anátema.

Efémera vida:
Baloiço do tempo no espaço infinito.
Eternidade mística do pensamento temporal.
Montijo, Nov/2007



ÀS TUAS MÃOS:


As tuas pequenas mãos aconchegantes,
inquietas melodias oníricas do imprevisto;
- devaneio solícito, trauteante sem queixume -
sugam a energia do meu corpo consumido.
Inexorável dogma satírico a que me dou…
Inevitavelmente vencido.
Pavia, Agosto/2010



DOIS MUNDOS:
Mergulhei no mar calmo, profundamente,
transparente como o teu cândido olhar;
perscrutei a vida de um mundo diferente,
silencioso, como o teu desejo profundo, de amar.


NOCTÍVAGOS:
É quase sempre na calada da noite
que os nossos corpos se entrelaçam,
cheios de saudade e plena inquietude.
Sem mentes, desalinhadas, absortas…
Que importam as sintonias das mentes?
Se os corpos rejubilam de volúpia.!?
Montijo, Abril/2000



ADEUS…!
Na tua dor encontrei o meu refúgio.
Triste alma, embriagada de vinhos e ofensas.
Depositei o meu suspiro no teu peito;
meses de líricas malditas, incompreendidas;
que se debateram para sanar as minhas feridas.
Infinito tormento que se ateou como o fogo,
e que os nossos predomínios reduziram a cinzas...
Gigante empobrecido que se debate contra os meus dogmas,
e se extingue quando me rio da tua face.
Esta noite a tua ausência volta desmesurada,
pérfida sensação que me transporta ao vazio;
que me arrasta vivo, até ao sepulcro da morte.
Que abominantes são os sentimentos...
Que desnudos, nos arrastam para a desumanidade,
carentes de escudos e adagas para lutar.

Sob lânguidos céus negros
presenciei a obra trágica do meu suicídio:
Querer-te...!!
Que repulsiva, se me apresenta a verdade,
abandonada por inteiro à terra desapiedada
e devorada pelas faces do amor...
Que ridícula é a balada que se entoa agora.
Saberei se será válido resistir-te,
e evadir-me desta luta contrária!
Tudo se torna difuso no meu pensamento…
Se te for possível, nenhuma palavra digas,
para que não sirvam de cadeias
os versos que te escrevo, neste meu desvelo.
Hoje despojo-me – sem temor - das minhas entranhas,
do ácido mortal que me corrói por dentro,
e, libertos deste jugo... Libertas-te.
Vai! Não porei diante de ti os meus olhos abertos,
porque ocultos serão comportas divisórias e eternas.
Quero afastar os meus braços do teu colo,
e em silêncio observar-te, aguardando a tua partida.
Nada de nós ficou…
Dissolvidas estão as nossas frágeis trilhas.

Na tarde que me aguarda, fria, no meu leito,
beberei ao triunfo constante da amnésia,
e um sono profundo me desviará quieto,
com o seu veneno, transcorrendo as minhas veias.

Pela tua liberdade alcançarei o meu triunfo.
Farei um brinde com os meus dedos trémulos,
pela repulsão que o teu amor me provoca.
Lavarei, com ácido, a minha boca dos teus beijos...
Que doce e mortífero desvanecimento!...
Vai-te! não me obrigues a fazer mais cruel esta agonia.
Brindo agora, pela vida insana que te espera.
Aventura os teus braços tíbios e rasos pelo pecado,
quando a minha vista estiver ausente.
Irei por estreitas e míseras ruas,
para jamais ver o teu corpo insano.

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