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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

JOÃO SEM MEDO



A dinastia Capetiana, também Capetíngia, foi a família real que governou a França durante mais de oitocentos anos. Deveu o seu nome à alcunha do fundador, Hugo, Duque de Francia. Hugo era denominado Capeto por causa da capa curta que sempre ostentava por ser abade secular em  St. Martin de Tours. Como se tratava do mais importante vassalo de Luís V de França, Hugo conseguiu fazer-se eleger rei quando da morte de Luís, em 987.

D. Henrique de Borgonha, nasceu em 1066  em Astorga,  foi conde de Portucale desde 1093 até à sua morte. Em Portugal é conhecido, geralmente, por Conde D. Henrique. Pertencia à família ducal da Borgonha, sendo filho de Henrique, herdeiro do duque Roberto I com Beatriz ou Sibila de Barcelona, e irmão dos também duques Odo I e Hugo I. Sendo um filho mais novo, D. Henrique tinha poucas possibilidades de alcançar fortuna e títulos por herança, tendo por isso aderido à Reconquista da Península Ibérica. Ajudou o rei Afonso VI de Leão e Castela a conquistar o Reino da Galiza, recebendo como recompensa pelos seus serviços o casamento com a filha ilegítima do monarca, Teresa de Leão (pais de D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal)

JOÃO SEM MEDO, duque francês da Borgonha, nasceu a 28 de Maio de 1371, em Dijon, e faleceu a 10 de Setembro de 1419, assassinado na ponte de Montereau. Era filho de Filipe, o Atrevido, duque da Borgonha, e da sua mulher Margarida III da Flandres, pertencendo à Casa capetíngia dos Valois. Teve como irmãos António, duque de Brabante, Filipe, conde de Nevers, Margarida, condessa de Ostrevent, Catarina e Maria. Em 1384 tornou-se conde de Nevers, tendo em 1404 oferecido o título ao seu irmão Filipe. Inicialmente noivo de Catarina de Valois, filha de Carlos V de França, acabou por casar em 1385 com a filha de Alberto da Baviera, Margarida, com quem teve o futuro Filipe III da Borgonha, além de sete filhas: Catarina, Maria, Margarida, duquesa da Guyenne, Isabel, Joana, Ana e Inês.

Foi um dos cruzados que se bateram contra os Turcos de Bayezid I na campanha liderada por Sigismundo da Hungria, tendo sido preso em Nicópolis no ano de 1396 e libertado contra resgate no seguinte ano. Foi no decurso das suas actividades militares que ganhou o cognome com que seria conhecido, "Sem Medo". Voltou a França depois da libertação, tornando-se duque da Borgonha em 1404, com a morte do seu pai, e conde da Flandres e de Artois no ano subsequente, por morte da sua mãe. Cedo se acenderam os conflitos com o irmão mais novo do rei Carlos VI de França, Luis de Orleães, pois a demência do rei exigia que as rédeas do comando fossem entregues a outra pessoa.

João Sem Medo acabou por conseguir a guarda do Delfim francês, o que lhe conferiu um notável poder, e terminou com o seu rival Luís de Orleães em 1407, mandando-o assassinar em Paris. O duque da Borgonha foi perdoado deste crime pelo rei de França no Tratado de Chartres, datado de 9 de Maio de 1409. João I da Borgonha participou nas negociações de paz com o rei Henrique V de Inglaterra, que tinha invadido o território francês, mas não participou na batalha entre as duas facções em Agincourt (1415), onde morreram dois dos seus irmãos, Filipe e António. Em 1417 tomou a cidade de Paris e declarou-se protector do rei Carlos VI, vendo-se o Delfim (futuro Carlos VII) obrigado a fugir. Este pediu um encontro de reconciliação com o duque da Borgonha em 1419, na ponte de Pouilly, encontro este que se seguiria de um outro para firmar a paz também a pedido do Delfim, a 10 de Setembro na ponte de Montereau. Foi neste último que João Sem Medo foi assassinado, tendo sido enterrado na sua cidade natal.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A ARMADA INVENCÍVEL (vídeo)


Poderosa frota com a qual Filipe II, em 1588, tentou invadir a Inglaterra pelo Canal da Mancha. Apesar da significativa superioridade numérica espanhola, a armada foi derrotada pelos navios ingleses. Esta vitória abriu caminho ao poderio naval e colonial da Inglaterra. Filipe II, rei de Espanha, Portugal e dos Países Baixos, filho de Carlos V e de Isabel de Portugal, desde sempre se afirmou como fervoroso católico, defendendo a sua fé mais pela força das armas do que por qualquer via mais pacífica.

Aliando-se constantemente às mais diversas facções de cariz católico, intrometeu-se por diversas vezes na política interna de outros países em nome da luta contra o protestantismo ou da fidelidade a Roma, tendo como objectivo a pretensão a tronos europeus. Esta aspiração imperialista lançou a monarquia espanhola numa rota de colisão com uma potência emergente na Europa, governada por uma rainha dura e arreigadamente protestante, à procura do domínio geopolítico do mundo: a Inglaterra de Isabel I.

Após a feroz perseguição de Isabel de Inglaterra aos católicos e a extinção ou abolição dos privilégios e instituições destes nos seus domínios, cuja expressão máxima foi a execução de Maria Stuart e do conde de Essex, aliados das nações fiéis a Roma, aliadas à imposição do anglicanismo como religião oficial no seu país, para além do apoio militar que deu - sem sucesso - aos revoltosos protestantes das províncias dos Países Baixos sob jugo espanhol, Filipe II lança-se contra a soberana britânica.

Outras razões motivam, porém, este seu ódio: a marinha inglesa, em crescendo militar, era um obstáculo cada vez mais forte ao domínio absoluto dos mares por parte dos espanhóis; corsários, como Drake ou Hawkins, perseguiam e saqueavam constantemente os ricos galeões espanhóis e portugueses, no Atlântico ou no Índico. Drake terá chegado à provocação de atacar a frota espanhola baseada em Cádis, infligindo danos e afrontando a orgulhosa monarquia espanhola.

A Inglaterra ganhava uma posição cada vez mais preponderante, Filipe II decide conquistar o reino de Isabel I. Na sequência da morte no cadafalso de Maria Stuart, manda aparelhar uma gigantesca armada, como antes nunca se vira. Ao todo cerca de 200 navios, dos quais 31 eram portugueses, com perto de 20 000 homens, concentrados em Lisboa sob o comando do duque de Medina Sidónia. A esta imensa armada auguravam-se os mais retumbantes êxitos na guerra contra a Inglaterra.

A frota zarpa do Tejo a 27 de Maio de 1588, chegando em Julho ao Canal da Mancha.
Grande parte dos pilotos, marinheiros e soldados da Invencível Armada eram portugueses, apesar de serem comandados por espanhóis. Tal facto gerou controvérsia na altura, dado que os portugueses, de certo modo, não se sentiam à vontade a combater em navios do seu país e serem comandados por espanhóis, alegando uma certa ignorância dos capitães da armada espanhola quanto às artes da guerra no mar.

Os ingleses, pelo seu lado, conseguiram tomar maior proveito dos seus navios de guerra. Cada esquadra era comandada de acordo com a nacionalidade dos capitães, homens e navios. Desta forma, evitavam-se motins ou outras acções de insurreição.
No porto de Portsmouth esperava-a a armada inglesa, capitaneada por Lord Effingham, à frente de 170 velas, com cerca de 6000 homens.


No final daquele mês, iniciam-se os combates entre Portsmouth e a ilha de Wight, nos quais os espanhóis tentam impor a força do número, na expectativa da chegada de um contingente suplementar às ordens de Alexandre Farnésio, aliado de Filipe II. Nestes recontros navais, os ingleses, conhecedores do litoral da Mancha, procuram manter uma certa distância da armada espanhola, dela se esquivando de forma a evitar trocas de artilharia ou abordagens que lhes poderiam ser fatídicas, tal era o poderio bélico da frota de Filipe II de Espanha.

Alguns recontros esporádicos e mais ou menos isolados do grosso das esquadras terão ocorrido, durando esta situação sete dias. Todavia, na noite de 6 para 7 de Agosto de 1588, os ingleses comandados pelo célebre corsário Sir Francis Drake, lançam embarcações com combustível a arder contra os barcos espanhóis, conjugando o seu poder de destruição com uma previsível alteração meteorológica: de facto, caem sobre a armada de Filipe II ventos fortes que intensificam a deflagração dos incêndios e a sua propagação a outras embarcações, lançando o pânico e vulnerando a frota, com os barcos cada vez mais separados e descomandados, perante as eventuais arremetidas dos ingleses.

Estes, aliás, atacam e incendeiam os galeões espanhóis que tinham ficado incólumes à tempestade e aos incêndios, devastando ainda mais a já de si destruída frota comandada por Medina Sidónia, que se terá mostrado pouco conhecedor da guerra naval, a par de uma certa indecisão e falta de audácia que lhe eram características.
A maior parte dos efectivos militares da Armada Invencível morre ou desaparece, regressando apenas 53 embarcações a Espanha, o que deita por terra os desejos de conquista de Inglaterra por parte de Filipe II.

À destruição da maior parte do efectivo naval espanhol, tão importante para a manutenção e defesa do império ultramarino e dos seus rentáveis circuitos económicos, junta-se um grande descontentamento popular. Os ingleses, por seu lado, perdendo talvez só um navio tripulado, conquistam uma posição de força que lhes servirá de rampa de lançamento para o domínio crescente dos mares e a construção de um império que tocará todos os continentes e oceanos da Terra. Com a derrota da Armada Invencível, caía também por terra o velho princípio ibérico do “mare clausum”, pelo qual o mundo se dividia em duas partes iguais, destinado cada uma delas a um dos reinos peninsulares, que desde 1580 eram um só...

O “mare liberum” triunfa, tal como a legitimação do corso inglês, holandês e francês e a oportunidade de aparecerem novos projectos nacionais de expansão ultramarina.
A esquadra espanhola perdia assim a coesão e via-se reduzida a menos de metade dos navios, que conseguiriam escapar contornando as costas da Escócia e Irlanda, uma atribulada viagem que sofreu as tempestades de Setembro, típicas na região, que contribuíram para a decadência da frota. Esta humilhante derrota teria também grandes repercussões para Portugal.

No aspecto ultramarino como no campo meramente naval, a participação portuguesa nesta aventura filipina constituiu uma grande adversidade. Para além da constante ameaça às suas colónias e entrepostos comerciais afro-asiáticos e brasileiros desde a união ibérica de 1580. Neste confronto com os ingleses Portugal terá perdido na frota lusa a maior parte dos seus navios e centenas dos seus homens embarcados, de onde resultou o empobrecimento do reino em dinheiro e em gentes, e sofrimento prolongado devido a uma situação na qual não tínhamos qualquer responsabilidade.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A DINASTIA TUDOR



Os Tudor foram uma dinastia de monarcas britânicos que reinou em Inglaterra entre o fim da Guerra das Rosas em 1485 e 1603.
A família Tudor tem a sua origem no século XII, com Ednyfed Fychan de Tregarnedd (1179-1246), mordomo-mor do Príncipe de Gwynedd, Llewelyn ap Iorwerth. O primogénito dos seus 12 filhos, Gorowny, teve um filho, Tudur Hem, conhecido posteriormente como “o velho”, que viveu de 1245 a 1311. Dele descendem os Tudor.
No início do século XV viveu Owain ou Owen Tudor (1400-1461), filho de Maredudd ou Meredith Tudor, que se casou com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, o Louco, princesa de França e viúva de Henrique V de Inglaterra.

Desta união nasceu Edmundo Tudor, Conde de Richmond, que casou com Margarida Beaufort, neta de João de Gant, pais do rei Henrique VII de Inglaterra. A condição de Edmundo à data do seu nascimento era incerta, dado que os seus pais ou não eram casados ou o casamento era ilegal, uma vez que rainhas consortes estavam proibidas por lei de voltar a casar.
As pretensões de Henrique VII à coroa baseavam-se no facto de ser trineto do rei Eduardo III, embora por duvidosa via feminina, ilegítima. Para cimentar a sua posição, o primeiro soberano Tudor decidiu casar com a princesa Isabel, herdeira da Casa de York, filha do rei Eduardo IV e da sua consorte Isabel Woodville.

É também a única mulher na história de Inglaterra a ter sido filha, irmã, mulher e sobrinha de monarcas reinantes. Foi considerada uma das beldades do seu tempo.
A Dinastia Tudor governou a Inglaterra num período relativamente pacífico, depois da sucessão de guerras com a Escócia, da Guerra dos Cem Anos e da Guerra das Rosas. A economia e o comércio prosperaram apesar dos conflitos internos que marcaram o período, resultantes do repúdio da autoridade papal da Igreja Católica Romana e da fundação da Igreja de Inglaterra chefiada pelo próprio rei. Era o início dos movimentos protestantes, luteranos, na Europa.

Por altura do fim do reinado de Isabel I, a Rainha Virgem, dita Gloriana e Boa Rainha Bess, última monarca Tudor, a Inglaterra era uma das maiores potências navais europeias após a derrota naval espanhola denominada de Armada Invencível, poderosa frota com a qual Filipe II de Espanha, em 1588, tentou invadir a Inglaterra pelo Canal da Mancha.

Os Tudor foram sucedidos pela Casa de Stuart, a dinastia reinante de monarcas escoceses, depois de Isabel I morrer em 1603 sem descendência directa, sucedeu-lhe Jaime I, em inglês, James I; foi rei da Inglaterra e da Irlanda (1603-1625), sendo antes disso rei da Escócia, com o título de Jaime VI (1567-1625).

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

ELIZABETH I AND SIR FRANCIS DRAKE (video)



Isabel I Rainha de Inglaterra, nascida em 1533 e falecida em 1603, era filha de Henrique VIII e Ana Bolena, a sua segunda esposa. Teve uma infância conturbada, como conturbada era a vida política inglesa do momento, chegando a estar presa e em perigo de vida, para ser executada por decapitação, morte destinada à nobreza daquele tempo. Sucedendo a Maria Tudor, ascendeu ao trono em 1558. O seu reinado duraria quatro décadas e meia, e viria a constituir um dos períodos mais marcantes da História inglesa.

Depois de anos de confrontos violentos, em que o país corria riscos constantes de eclosão de uma guerra civil, Isabel I empenhou-se em conseguir a pacificação interna. O esmorecimento dos ódios e conflitos religiosos foi uma condição fundamental para a emergência do poderio inglês no plano internacional. De facto, foi nesta época que a Inglaterra assumiu grande poderio nos mares, dominando as principais rotas comerciais, praticando o corso, derrotando até a Armada Invencível filipina que zarpou de Lisboa, quando esta, em 1588, ousou atacar a ilha (Inglaterra).
EM CIMA: LISBOA
EM BAIXO: A BATALHA  

A inimizade com a Espanha, aliás, tinha razões religiosas além de políticas e económicas, pois a Inglaterra era então, juntamente com a Holanda, a grande potência protestante, enquanto a Espanha, ocupante de Portugal, era o país católico mais poderoso a nível internacional.
Na época isabelina assistiu-se, portanto, ao desenvolvimento comercial do país, mas também ao florescimento da cultura. Homens como Francis Drake e Walter Raleigh dedicaram-se à exploração geográfica dos territórios recentemente descobertos.

Sir Francis Drake filho de Edmund Drake e de Mary Mylwaye, nascido por volta de 1540 no Devon, Inglaterra, foi um corsário, explorador e almirante inglês.
Ficou conhecido pela sua luta obstinada contra Felipe II da Espanha (I de Portugal) e por ter sido o primeiro dos grandes da marinha inglesa. Em 1588 liderou a Armada Inglesa na defesa ao ataque da Invencível Armada, da qual afundou vinte e três navios, tida como a maior força naval da Europa na época, com desvantagem numérica e poucos mantimentos, assegurando a supremacia naval britânica.
Em 1578, durante o reinado de Filipe I I de Espanha, I de Portugal  (1580-1598), durante o conflito com a Inglaterra, a armada do corsário Francis Drake atacou a região de Sagres, que foi violentamente saqueada e incendiada.



Drake foi o arquitecto das posteriores fragatas sem castelo de popa mais rápidas e manobráveis, fez pirataria nas Caraíbas contra navios e possessões espanholas, viajou ao longo da América do Norte e foi o primeiro comandante inglês a circum-navegar o mundo. Alguns historiadores afirmam que teria sido filho bastardo de Isabel I de Inglaterra. Chegou a capitão de navio aos vinte anos de idade. Dois anos mais tarde foi atacado e derrotado pela Armada Espanhola, perdendo o navio e quase perdendo a vida, o que lhe legou um ressentimento profundo contra os espanhóis.

Em 1577, a rainha enviou Drake numa expedição para atacar os espanhóis ao longo da costa do Pacífico nas Américas. Drake partiu no Golden Hind, atravessou o estreito de Magalhães, devastou os territórios espanhóis das costas ocidentais da América, tomou posse da Califórnia, a que chamou "Nova Albion", e regressou à Europa via Índias Orientais pela rota do cabo da Boa Esperança tendo completado a segunda circum-navegação do mundo em 1580.

O seu golpe mais famoso foi o ataque ao galeão da Armada Espanhola, “Nuestra Señora de La Concepcíon”, galeão espanhol de apelido “Cacafuego” por causa de seu potente canhão, foi capturado por Sir Francis em 1579 ao largo da costa do Panamá.
Drake morreu em Puerto Bello, a 27 de Janeiro de 1595, após um ataque ao Panamá, afirmando-se que de disenteria, tendo o seu corpo sido sepultado nas águas do Caribe.

Segundo a lenda, o seu corpo foi lançado ao mar, envolto por uma armadura de ouro de dezoito quilates, com a sua espada, também de ouro. Ainda persiste a lenda do “Tesouro Perdido” que Drake escondeu algures numa ilha distante.
A Passagem de Drake tem esse nome em sua homenagem.

Edmund Spenser, na poesia, William Shakespeare e Christopher Marlowe, no drama, deixaram-nos obras do maior valor. Francis Bacon e William Gilbert, entre muitos outros, dedicaram-se à filosofia e à investigação científica.
Isabel I nunca casou. Não deixando descendência, foi a última soberana inglesa da dinastia dos Tudor. Sucedeu-lhe o seu ainda primo Jaime Stuart, o rei Jaime VI da Escócia, tornado-se então Jaime I de Inglaterra, que deu, assim, início à dinastia Stuart.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A GUERRA DAS ROSAS



Dá-se este nome a uma série de guerras civis dinásticas travadas em Inglaterra pelas casas rivais de Lancaster e York nos trinta anos que medeiam entre 1455 e 1485. São assim chamadas devido aos símbolos de cada uma: a rosa vermelha da Casa de Lancaster; e a rosa branca da Casa de York. Os primeiros adversários foram o rei Henrique VI, de Lancaster, apoiado pela mulher, a rainha Margarida de Anjou, e Ricardo Plantageneta, 3.° duque de York.

Os tempos eram de dificuldade para a Casa de Lancaster, no poder, fortemente abalada pela demência do rei e pelas derrotas militares do exército britânico em França durante a última fase da Guerra dos Cem Anos. Após ter derrotado os exércitos de Lancaster em Saint Albans, em 1455 e em Northampton em 1460, York reclamava para si o trono. No entanto, nesse mesmo ano, foi vencido e morto em Wakefield. Mas as disputas continuaram; apoiado por uma importante facção da nobreza, o seu filho Eduardo IV foi proclamado rei e, pouco depois, infligiu uma derrota decisiva a Henrique e Margarida, que abandonaram a ilha; Henrique viria a ser capturado em 1465 e encarcerado na Torre de Londres.

A guerra, no entanto, reacendeu-se, agora devido à divisão dentro da própria facção de York. Richard Neville, senhor de Warwick, apoiado por George Plantageneta, duque de Clarence, irmão mais novo de Eduardo, celebrou uma aliança com Margarida e liderou uma invasão a partir de França em 1470. Eduardo IV foi condenado ao exílio e o trono foi restituído a Henrique. Mas, neste tempo, as alianças eram bastante voláteis; pouco depois, Eduardo voltou à carga, agora apoiado pelo irmão, o já referido duque de Clarence. Warwick foi derrotado e morto na batalha de Barnet (1471); a mesma sorte tiveram diversos elementos da Casa de Lancaster, inapelavelmente batidos na Batalha de Tewkesbury; Henrique foi novamente capturado e executado na Torre.

Eduardo IV morreu em 1483; um dos seus irmãos, Ricardo, tornou-se regente pelo sobrinho Eduardo V, de 12 anos. Poucos meses depois o rei e o irmão foram levados para a Torre de Londres e desapareceram; os rumores diziam que haviam sido assassinados pelo tio, que herdou o trono com o título de Ricardo III. Nesta altura a Casa de Lancaster apoiou as pretensões ao trono de Henrique Tudor, senhor de Richmond, mais tarde Henrique VII, fundador da dinastia Tudor.

No ano de 1485 as forças de Ricardo e de Henrique travaram a célebre Batalha de Bosworth Field, o último grande recontro da guerra. Ricardo tombou no campo de batalha; Henrique tornou-se rei de Inglaterra e casou com a filha de Eduardo IV e, em seguida, uniu as casas rivais. Pode dizer-se que, com esta guerra, há um fortalecimento do poder da Coroa. O Reino saiu bastante abalado mas a velha aristocracia manteve o seu posicionamento social; contudo, o prestígio e a força do novo monarca foram canalizados para a disciplinar; com a guerra, aliás, vieram as confiscações de propriedades e bens que serviram para ajudar a equilibrar as finanças do Estado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DA EUROPA MEDIEVAL ATÉ AO NOVO MUNDO


Ao crescimento em termos económicos e demográficos que a Europa sentira após o ano mil, seguiu-se um violento abalo desta estrutura a partir de finais do século XIII que só findaria no século XV. Trata-se de um período marcante, pois significa o advento do Renascimento e o aparecimento do Estado moderno. A fisionomia da Europa modifica-se em consequência das fomes, pestes e guerras que agitaram os poderes tradicionais e fizeram emergir novas formas de poder no Velho Continente, enquanto se perdia o último vestígio da Antiguidade com a queda do Império Romano do Oriente em 1453, com tomada de Constantinopla pelos turcos.

A crise começou a sentir-se no mundo rural, onde as crises de subsistência se tornaram comuns. Tal facto deveu-se a sucessivas alterações climáticas as quais diminuíram drasticamente a produção de alimentos numa Europa sob forte pressão demográfica devido ao surto de progresso após o ano mil. Como não era possível recorrer a importações nem era grande o número de excedentes, a fome foi uma consequência imediata e depois única, tendo sido particularmente grave durante o período de 1315 a 1317. Além das vítimas mortais, a carestia trouxe também o enfraquecimento das defesas do organismo, facilitando a disseminação das doenças.

A grande praga foi a peste bubónica, conhecida como Peste Negra. Chegou à Europa em 1347 através de barcos genoveses vindos da Crimeia. A peste que tempos antes assolara a Ásia chegava por via da rota da seda e atacava os comerciantes italianos. Em pouco tempo, devido às pulgas dos ratos e à insalubridade das cidades, a doença alastrou-se a toda a Europa, difundida no sentido dos ponteiros do relógio pelos comerciantes mediterrânicos em toda a Europa. Estima-se que terá morrido cerca de um quarto ou um terço da população europeia. Esta doença, diferentemente da fome, a todos atingiu, sem distinção de condição social. Em consequência assistiu-se a uma desorganização das estruturas urbanas e à desorganização do poder político e religioso.

Paralelamente, a Europa era flagelada por várias guerras. Um dos motivos de guerra era a posse dos grandes espaços políticos e económicos, o que está na origem da Guerra dos Cem Anos (1337-1453) hegemonia na Europa do Noroeste; da guerra entre italianos e aragoneses pela posse do Mediterrâneo ocidental; e dos conflitos pelo domínio do Báltico, entre a Hansa e os reinos escandinavos da Suécia ou Dinamarca. Por outro lado, dentro de cada uma destas forças verificavam-se querelas pelo poder que se traduziam em guerras civis como a Guerra das Duas Rosas (1455-1485) em Inglaterra, ou os confrontos entre os reinos ibéricos e mesmo entre as cidades italianas entre Guelfos e Gibelinos. O terceiro foco bélico era a guerra da cristandade contra os Turcos, que avançavam em força sobre a Europa, conseguindo por fim conquistar Constantinopla em 1453, concretizando-se um velho sonho islâmico de posse daquela cidade cristã.

Como consequência deste quadro convulsivo dão-se crises sociais, primeiro, provocadas pelo mal-estar dos camponeses, famintos e descontentes com a situação provocada pela baixa dos preços dos cereais e da terra, que significava um abaixamento do consumo e também da mão-de-obra disponível. O seu desagrado degenerou em revoltas como a dos flamengos em 1302, a dos jacques, liderada por Etienne Marcel, de 1356 a 1358, a dos ciompi em 1378, em Florença, ou a dos peasants ingleses, em 1381, liderada por Wat Tyler (jaquerie).

Os motins urbanos também foram bastante violentos, expressando o descontentamento dos mais pobres face ao aproveitamento das elites burguesas. A par destas revoltas sociais foi sentido um desconforto religioso notório no Cisma do Ocidente (1378-1415), que dividiu a cristandade e significou a perda de força por parte do papado.
Em termos económicos, a crise traduziu-se numa desertificação progressiva dos campos, combatida das mais diferentes formas: na Europa de Leste, reforçou-se a servidão; no Sul, optou-se pela criação de grandes domínios vocacionados para a pastorícia e transumância (como Mesta em Castela); na Inglaterra iniciam-se as enclausures.

Este empobrecimento fatal do campo veio dar definitivamente poder às cidades, que se haviam destacado pela sua resistência e organização face às adversidades, valorizando-se pelo fluxo de populações campesinas e pela protecção dos príncipes, o que fez dos séculos XI e XII o tempo do "renascimento" das cidades.
A par do mundo rural, também as estruturas comerciais e artesanais sofreram rudes golpes. O comércio no Mediterrâneo decaiu com o avanço dos Turcos; a Guerra dos Cem Anos antecipou o declínio das feiras de Champagne, grande ponte de contacto terrestre entre o Norte e o Sul da Europa; as manufacturas têxteis flamengas foram suplantadas pelas inglesas ou italianas.

Os novos eixos de comércio eram agora dominados pela Hansa alemã (ou liga Hanseática), desenvolvendo-se as feiras e mercados financeiros do Norte da Europa, agrupando-se, em torno dessa associação comercial, os mercados eslavos e os têxteis ingleses. O mercado estava agora nas mãos de alemães e italianos, de onde provinham sedas, fustões (tecidos de lã), minérios, com o apoio de uma poderosa indústria naval. Entretanto, portugueses e castelhanos lançavam-se nos descobrimentos em busca de alternativas ao ouro e especiarias em mãos muçulmanas, iniciando-se de forma decisiva uma nova era na vida do continente europeu com a descoberta dos caminhos marítimos do novo mundo.