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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

terça-feira, 29 de março de 2011

BLACKBEARD THE PIRATE



Barba Negra, em inglês, Blackbeard, nascido com o nome de Edward Teach, foi um dos mais notórios piratas que se tornou numa figura lendária do folclore norte-americano.


O seu reinado de terror durou apenas dois anos (1716 a 1718), mas Blackbeard deixou um grande impacto sobre a imaginação popular que no seu tempo ficou conhecido como a “Era Dourada da Pirataria”.  O seu o nome verdadeiro, Edward Teach que se supõe ter nascido em Bristol, embora não existam dados fiáveis da sua infância e juventude. Alguns relatórios afirmam que teve 14 mulheres, não havendo também documentação cabal que o prove.  Sabe-se que a sua última mulher foi Mary Ormond, uma nativa de Bath, na Carolina do Norte.


Impressionando com a sua altura à qual acrescentou uma imagem diabólica, ele aparecia usando na cabeça um tricórnio com penas, espectacular e exibia-se armado com várias espadas, facas e um conjunto de três armas de diferentes calibres.  Para piorar o seu diabólico aspecto, em combate, colocava na barba rastilhos de canhão acesos que pendiam como enfeites fumegantes e, sobre o tricórnio, uma vela acesa. Aqueles que o viram lutar e sobreviveram, disseram que era como o diabo,  com o seu terrível olhar e uma nuvem de fumo em torno da cabeça.  Nesse sentido, foi um dos que soube usar a imagem personalizada, pelo terror.


Teach começou muito jovem como marinheiro, nos anos da Guerra da Sucessão Espanhola (1700-1713) viajou em navios piratas pelas águas do Caribe, perto da Jamaica.  Juntou-se à tripulação pirata britânico Hornigold Benjamin, que se aposentou em 1716, aproveitando a amnistia do reino inglês - Jorge I (1714/27) -  para piratas que tinham sido corsários.


A primeira acção conhecida, como pirata, está datada de 1716. No ano seguinte, ele converteu um navio mercante francês que capturou, num poderoso vaso de guerra de 40 canhões, foi então que surgiu o navio "Queen Anne's Revenge", que logo começou a ficar notório pelas suas acções ao longo da Virgínia,  Carolina do Norte e nas costas do Mar do Caribe. A Sua táctica favorita era a de perseguir os navios mercantes e empurrá-los para os canais de baixios, de navegação perigosa, que ele conhecia bem, encontrá-los e tomar posse de todos os valores, alimentos, bebidas e armas. Com este procedimento, treinou os seus homens a capturarem navios encalhados, pela abordagem.


Derrotou o navio de guerra da Royal Navy Scarborough,  que estava armado com 30 canhões,  devido à poderosa frota capturada, que trouxe da costa atlântica da América do Norte. O pirata Barba Negra estabeleceu vários abrigos, nas Bahamas, na Carolina do Sul e na Carolina do Norte, cujo governador Charles Éden era pago, subornado regularmente em troca da impunidade.


O Seu acto mais notório foi o bloqueio do porto de Charleston por uma semana, roubando navios que entravam e saíam.  Barba Negra - Teach - capturava reféns valiosos e exigia resgates, na forma de tesouros, suprimentos e até mesmo um baú cheio de medicamentos para tratamento da tripulação. Logo após, ao tentar entrar a baía de Old Topsail na Carolina do Norte, o Queen Anne's Revenge encalhou e foi abandonado, juntamente com outro navio apreendido, o Adventure, por volta de 1718.


Os mercadores do Atlântico perderam a paciência com os malefícios de Barba Negra e procuraram ajuda do governador da Virgínia, que enviou em busca dois saveiros bem armados, comandada pelo Tenente inglês Robert Maynard.


Seis meses depois, a 22 de Novembro de 1718, o pirata seria morto pelo oficial da marinha real inglesa, Tenente Robert Maynard, durante um combate desesperado, Teach foi baleado cinco vezes e sofreu vários golpes de espada antes de cair.  
Maynard retornou a terra com os prisioneiros sobreviventes e com um troféu macabro: a cabeça decepada de Barba Negra, presa ao mastro principal.


Maynard colocou a cabeça de Barba Negra no pátio da guarnição de Hampton.


Apesar da exuberância que ganhou o seu apelido, o aspecto mais enigmático da lenda de Barba Negra é o seu grande tesouro que teria sido enterrado e que nunca foi encontrado. O navio de Barba Negra, "Queen Anne's Revenge" naufragado foi encontrado em 1996 no litoral da Flórida, a uma profundidade aproximada de 10 metros com vários outros artefactos do navio que foram resgatados, recuperados e conservados.


terça-feira, 22 de março de 2011

O SULTÃO IBRAHIM I "O LOUCO"




Desde a sua juventude, que o sultão otomano Ibrahim I "O Louco" (1616-1648) tinha sido preso na casa que ficou conhecida como a "jaula": um grande edifício sem janelas.  Quando foi libertado para finalmente ser proclamado sultão, procurou vingança pelo sofrimento dos seus anos perdidos em isolamento, entregando-se ao deboche com uma quantidade incontável de jovens virgens. Um dia, de maior loucura, mandou matar 280 mulheres do seu harém, lançando-as nas águas do estreito do Bósforo, amarradas e dentro de sacos cheios de pedras. Ele ficou conhecido na história como Ibrahim "o louco".
Ibrahim nasceu no dia 5 de Novembro de 1616, como o filho mais novo do sultão Ahmed I (1590-1617). Desde criança foi preso na "gaiola", vivendo a toda a hora o medo da morte. Os sultões Osman II (1604-1622) e Murad IV (1612-1640) tinham executado todos os seus irmãos - exceto Ibrahim.  A crueldade de Murad IV  tornou-se lendária, nos seus últimos anos, ele mandou matar pessoas sem qualquer motivo aparente, especialmente mulheres, apenas e só pelo o seu mau humor e capricho.
  
Em 1640, Murad IV, doente,antes de morrer, ordenou a morte de Ibrahim que se encontrava na “jaula”, para acabar definitivamente com a dinastia Ahmed, mas a sua mãe, a Sultana Kosem, interveio e conseguiu evitar a sua morte mas, quando tentaram entrar na "Gaiola" para anunciá-lo como Sultão, Ibrahim estava tão aterrorizado que trancou atrás da porta. Ele julgava que o seu irmão cruel, Murad estava planeando um truque para o matar, recusou-se a sair até que o cadáver de seu irmão foi trazido perante os seus olhos.  Mesmo assim, a sua mãe teve de o convencer com calma, persuadindo-o da verdade.  Quando ele finalmente deixou a "jaula", Ibrahim começou a dançar no harém, enquanto gritava: "O açougueiro do Império está morto!".
Buscando compensação pelos seus anos perdidos, Ibrahim com 23 anos realizou o espectáculo do seu desejo de deboche. A Sultana Kosem estava feliz a reinar, no lugar de seu filho, e para assim continuar teve o cuidado de lhe fornecer um suprimento infinito de virgens e mulheres gordas para o seu prazer. Ibrahim era frequentemente impotente, pelo que a sua mãe lhe fornecia e ministrava afrodisíacos e o tipo de mulheres que Ibrahim preferia em vez de escravas, que não estavam em posição de lhe recusar o que quer que fosse. 

Dimitri Cantemir da Moldávia escreveu: "Nos jardins do palácio, ele frequentemente montava todas as virgens, fazia  Striptease e nu, relinchava como um cavalo e corria entre elas, violando-as umas e outras, chutando-as ou lutando por sua ordem”. Quando Ibrahim viu a bela filha do Grão-Mufti, líder do mais alto cargo religioso da Turquia, Ibrahim pediu a sua mão em casamento. O mufti, ciente dos deboches do harém, aconselhou a filha a recusar a proposta. Ibrahim ficou furioso e mandou sequestra-la, violando-a por vários dias e, quando se saturou enviou-a de volta para o pai.  

Em 1641, uma das concubinas de Ibrahim, Turhan Hadice (1627-1682), deu à luz o seu primeiro filho, o Príncipe Mehmed (1642-1687). Pouco antes do nascimento, Ibrahim adquiriu uma escrava, que, acidentalmente, ficou grávida.  Após o nascimento, ela foi utilizada como ama-de-leite do pequeno príncipe mudando-se para o harém real com seu próprio filho.

O sultão foi confrontado com o menino saudável e robusto da escrava, ao qual dava muita atenção, em contraste com seu próprio filho frágil e doente. Quando Turhan Hadice reclamou, Ibrahim teve uma das suas furias, arrancou-o dos braços da mãe e atirou-o à piscina. Felizmente, Mehmed sobreviveu. Três meses após o nascimento de Mehmed, outra concubina deu à luz o segundo filho de Ibrahim, Suleyman (1642-1691).  
As lojas de joalheiros e comerciantes europeus foram saqueados para satisfazer os caprichos de Ibrahim e as excentricidades de momento. 

Ibrahim usava perfumes para encharcar a barba, roupas e as cortinas do quarto, em especial, âmbar e madeiras exóticas.   Tinha um fetiche tão grande por peles que as suas roupas, cortinas e paredes foram todas decoradas com peles. Tinha uma preferência para fazer amor em peles de marta. Ibrahim coleccionava livros que expressavam as diversas formas de coito que ele dizia ter inventado, algumas posições que ele desconhecia. Um dia, Ibrahim viu as partes genitais de uma vaca selvagem e de acordo com Cantemir ", ordenou que a qualquer custo em ouro, por todo o Império, encontrassem uma mulher que tivesse os genitais iguais àquela vaca, para satisfazer a sua luxúria ". Apenas uma mulher adequada à descrição foi encontrada na Arménia que foi recebida no harém. O Seu nome era Sechir Pará e pesava cerca de 150 kg. Por quem Ibrahim ficou loucamente apaixonado.  

Um dia Sechir Pará contou a Ibrahim sobre um boato que corria no harém de que uma das suas concubinas estava comprometida com um amante, mas não sabia indicar os detalhes nem o nome da prevaricadora. Ibrahim apenas demorou três dias a reagir. Quando o seu filho Mehmed fez uma piada de que Ibrahim não gostou, pegou na sua adaga e enfiou-a no rosto do filho, do que resultou uma cicatriz até o final da sua vida. O chefe eunuco negro, o homem mais poderoso depois do Vizir Grande, tentou descobrir a identidade da concubina por tortura de algumas das meninas do harém sem qualquer resultado. Então Ibrahim decidiu reunir todo o harém de 280 mulheres que mandou lançar no Bósforo, amarradas, dentro de sacos cheios de pedras. Sechir Pará e Turhan Hadice foram poupadas.

Apenas uma outra concubina jovem sobreviveu, porque o seu saco tinha sido mal amarrado.  Ela foi salva pela tripulação de um navio francês.  
A Sultana Kosem começou a ficar com ciúmes da influência de Sechir Pará e, para se vingar, um dia convidou-a para jantar onde a mandou estrangular. Kosem contou a Ibrahim, inconsolável, que a mulher "tinha morrido de repente de uma doença poderosa". 

Nas províncias, os guardiões do património público transformaram-se em senhores feudais.  Ibrahim procedeu a expropriações que vendia à maior oferta pública; aumentou os impostos e usou todos os recursos possíveis para suprir os seus excessos. Ibrahim era indiferente à situação caótica do seu país e o seu comportamento insano alienou todas as facções políticas. O nascimento dos seus filhos tinha feito Ibrahim ficar substituível. Em 1648, os janízaros revoltaram-se,  cortaram o corpo do Grande Vizir e exibiram-no na rua.


Em seguida, o Grande Mufti decidiu vingar-se do violação da filha. Quando Ibrahim lhe perguntou: "Eu não te nomeei para o cargo que possuis?", Mufti respondeu: "Não, Deus é que me deu o lugar que ocupo." Assim, Ibrahim foi deposto e colocado de volta na "jaula" e, asim confinado mais uma vez, ao espaço que ocupara na sua juventude. Tornou-se um lunático. Apesar das paredes espessas, os seus gritos podiam ser ouvidos de dia e de noite.  Uma semana depois de perder o seu trono, em 18 de Agosto, os carrascos entraram na "jaula". Com o Corão na mão, Ibrahim gritou: Eis livro! Por quê?! Deus é que os mandou matar? Não há ninguém entre os que têm comido o pão que lhes dei a comer que vá ter pena de mim e me proteja? "Estes homens cruéis vieram para me matar. Misericórdia!" Ele foi estrangulado com uma corda e enterrado na mesquita de Santa Sofia ao lado de Mad Mustafa .



quinta-feira, 17 de março de 2011

O IMPERADOR CHIN



O Primeiro Imperador que se tornou rei do estado chinês ocidental de Chin no ano 247 a.C. Sob o nome de Ying Jien, este novo monarca contava com apenas 13 anos de idade.  
Naquele tempo, a China antiga era formada por sete estados guerreiros. Durante o reinado de Ying Jien, Chin fortaleceu-se à custa de batalhas sangrentas com os outros seis estados. Um momento que definiu o temperamento do rei; 10.000 prisioneiros do estado de Zhao foram executados, quebrando  assim uma tradicional regra de guerra que defendia a protecção dos presos.

  
Num prazo de sete anos, Chin estava a ponto de dominar a maioria de seus estados vizinhos. Enquanto ele se encarregava de eliminar os inimigos estrangeiros, membros da sua família que sonhavam derrubá-lo. A sua própria mãe e o seu novo companheiro, um homem que lhe deu dois filhos, em segredo, não conseguiram derrubar Ying Jien. Depois de uma nova tentativa de assassinato brutal no ano de 227 a.C., o rei decidiu instituir um controlo impiedoso para todos, independentemente do nível hierárquico ou do vínculo familiar.

  
Depois de uma grande batalha com o estado de Chu no ano de 223 a.C., Ying Jien conseguiu realizar o seu sonho: a unificação de toda a China. Com a idade de 34 anos, Ying Jien tornou-se o Primeiro Imperador da China, e chamou a si mesmo de Chin Shi Huang Di, que em chinês significa literalmente: “o primeiro Deus divino de Chin”.



Pelo seu nome o país ficou a ter o nome de China. Para surpresa da sua corte, o novo imperador dissolveu as normas feudais e no seu lugar instaurou um novo sistema de governo, una filosofia totalitária que criou novas leis para todos os aspectos da vida diária. Estas leis eram supervisionadas por uma série de governadores, que as aplicavam com brutal eficiência.


No ano 220 a.C., Chin começou a construir a Grande Muralha da China, o projecto de engenharia, até hoje, mais grandioso da Antiguidade, concebida como uma barreira para isolar o Império dos ataques nómadas. Até o ano 215 a.C., a enorme tumba que ele mesmo idealizou para se proteger depois da morte também ficou pronta.



Foi precisamente nesta época, quando o imperador, estimulado pela desconfiança e pela paranóia, começou a tomar repetidas doses de mercúrio para prolongar a sua vida (naquela época, acreditava-se que o mercúrio favorecia a longevidade).


Para controlar o livre pensamento, o seu primeiro-ministro, Li Si, expandiu o totalitarismo, queimando bibliotecas inteiras de escrituras em bambu. A história completa da China e de todos os seus pensamentos filosóficos foram eliminados no ano de 213 a.C., permitindo unicamente a conservação de textos legais médicos e de agricultura.

Sete anos depois, o imperador da China começou a sua cruzada em busca da imortalidade. O mercúrio envenenou o seu corpo e a sua mente. Os seus rins começaram a falhar, e no sétimo mês do ano 210 a.C., o Primeiro Imperador da China deixou de existir. Um golpe para mudar o seu regime que triunfou e pouco depois da sua morte, e a sua dinastia desapareceu para sempre. A China, no entanto, permaneceu como ele a havia maginado. Um exército em terracota acompanhou o seu túmulo no além.


quinta-feira, 10 de março de 2011

NADER XÁ AFSHAR



Nader Xá Afshar ou Nadir Xá, em fársi: نادرشاهافشار,  língua persa moderno, parse, pársi ou conhecido também como Nadr Qoli Beg (نادرقلیبیگ) e Tahmasp-Qoli Khan (هماسپقلیخان), nasceu em Novembro de 1688 ou em 6 de Agosto de 1698 e morreu em 19 de Junho de 1747. Foi Xá do Irão entre 1736 e 1747. Fundou a dinastia dos Afsharidas, em língua persa: o سلسلهافشار) foram uma dinastia iraniana constituída por membros do clã Afshar, originário do Turquestão.

Nader nasceu em Kobhan e pertencia ao ramo turcomano Qirqlu dos Afshar. O seu pai, um camponês do Khorasan (Coração), morreu quando Nader era ainda uma criança. Segundo Michael Axworthy, biógrafo de Nader, o seu pai era um homem pobre mas respeitável, um pastor da tribo dos Afshar. Os Afshars Qirqlu, aos quais o pai de Nader pertencia, eram uma tribo turcomana seminómada, estabelecida no Khorasan, no nordeste do Irão. As tribos do Khorasan eram etnicamente distintas dos persas.

Falavam línguas túrquicas e curdas. A mãe de Nader falava um dialecto do mesmo grupo linguístico das tribos túrquicas do Irão e da Ásia Central e ele teria rapidamente aprendido já adulto a língua persa - a língua da alta cultura e das cidades.
Segundo a lenda, o irmão de Nader, Ebrahim e a sua mãe foram levados como escravos por tribos de línguas túrquicas e saqueadores uzbeques ou turcomanos.
Quatro anos depois, após a morte da sua mãe e ainda menino, Nader conseguiu escapar com seu irmão, juntando-se a um bando de salteadores e tornando-se o seu líder. Mais tarde, juntou-se ao exército de Baba Ali Beyg Koose Ahmadlou Afshar.

Sob a protecção de líderes do clã Afshar, tornando-se num líder militar poderoso.
Em 1719 os afegãos invadiram a Pérsia e em 1722 depuseram o Xá da dinastia Safávida. A princípio, Nader lutou ao lado dos afegãos, contra os uzbeques mas, em 1727, passou a servir
Tahmasp II, herdeiro dos safávidas, iniciando a reconquista da Pérsia. Em 1729, os afegãos são expulsos e Tahmasp II é coroado. Nader torna-se o homem forte do governo Tahmasp que lhe concede o título de Tahmasp-Qoli Khan, "servo de Tahmasp”, pelo qual Nader será conhecido até tornar-se o Xá do Irão.

Mas mesmo antes disso, Nader já exercia o poder absoluto de facto. Tahmasp era pouco mais que uma figura decorativa e será deposto em 1732, substituindo-o seu filho, Abbas III. Nader será o regente até 1736, quando assumirá efectivamente o poder. Em 1740, Tahmasp II e o seu filho são mortos.

Nader Xá realizou uma longa série de guerras de conquista. Já em 1738 invadiu Kandahar, capturou Cabul e marchou em direcção à Índia. Ali capturou e saqueou Deli, apoderando-se do tesouro dos imperadores mongóis, inclusive do famoso "trono do pavão", incrustado de jóias, e do Koh-i Noor ("montanha de luz"), o maior diamante conhecido no mundo até então e que a partir de 1877 fará parte das jóias da Coroa Britânica.

No seu tempo, Nader Xá foi o mais poderoso soberano do Médio Oriente. Criou a marinha persa. Mudou a capital do império para Mashad, no Coração ou Coraçone 
(خراسان, Khorasan em persa) que significa "terra do sol nascente" e tentou, embora sem sucesso, reconciliar o sunismo e o xiismo, uma vez que precisava de soldados de ambas as denominações, no seu exército.

Gradativamente, porém, o seu temperamento ambicioso e intolerante acentuou-se, tornando-se um problema político. O financiamento das campanhas militares consumia crescentes somas de recursos, aumentando o peso dos tributos cobrados à população. Os devedores do fisco eram punidos com a morte.
Inicia-se, então, um ciclo de revoltas e conspirações contra o governo opressor. Após um frustrado atentado contra a sua vida, Nader começa a apresentar perturbações psíquicas, a ponto de suspeitar que o seu próprio filho, Reza Qoli Mirza, conspirava contra ele.
Em consequência disso, cegou-o e em seguida começou a executar os nobres que haviam testemunhado o acto.

Em 1747 Nader era considerado um perigo social, mesmo pelos que pertenciam ao seu clã e um grupo de líderes Afshar e Qajar decidiu eliminá-lo, o que foi efectuado enquanto dormia.
Nader Xá foi considerado como o mais talentoso comandante militar do Irão e o último conquistador militar da Ásia. Criou um grande império que incluía, além do Irão, o norte da Índia e partes da Ásia Central. Embora tenha restaurado a independência nacional e efectivamente protegido a integridade dos territórios iranianos durante um período negro da história do país, o seu comportamento acabou gerando grandes perturbações políticas.
Nader casou-se quatro vezes e deixou 5 filhos e 15 netos, cuja eliminação foi ordenada por seu sucessor, o sobrinho Adil Xá, porém o império construído por Nader não sobreviverá por muito tempo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

CARLOS VI DE FRANÇA, O LOUCO



Carlos VI de Valois, o Louco ou o Bem Amado, nasceu a 3 de Dezembro de 1368 e faleceu a 21 de Outubro de 1422, foi Rei de França da Casa de Valois, entre 1380 e a sua morte. A sua rainha consorte foi Isabel da Baviera com quem casou em 1385.
Carlos VI nasceu em Paris, primogénito de Carlos V apelidado o Sábio, e de Joana de Bourbon. Como herdeiro da coroa ao nascer, recebeu o título de Delfim de França em 1368.  Os seus quatro tios, duques de Anjou, de Berry, da Borgonha e de Bourbon, guardaram o poder até 1388; apenas o duque de Borgonha tinha algum interesse pelo bem público. Em 1380, Carlos subiu ao trono por morte do pai mas como tinha 12 anos, a regência ficou entregue a um conselho chefiado pelos seus tios João de Berry, Filipe da Borgonha e Luís de Anjou.

Durante sua menoridade, o país foi assim governado em função dos interesses dos tios, que guerreavam frequentemente entre si sem ter em conta o interesse da França. Aos 20 anos, Carlos VI conseguiu livrar-se da influência dos regentes, com a ajuda do Condestável Olivier de Clisson inimigo político dos Duques de Berry e da Borgonha. Ao mesmo tempo, cresceu o ascendente do seu irmão mais novo Luís I de Valois, que Carlos VI fez Duque de Orleans em 1392.
Em 1392, o episódio da travessia da floresta du Mans marca o início da sua loucura: acometido de pânico, teve que ser amarrado sobre uma carruagem. No ano seguinte o acidente do Bal des Ardents confirmou a doença.
Apesar de nunca ter sido particularmente astuto para a governação, fruto da sua educação desleixada, manteve uma personalidade estável até 1392, ano em que Olivier de Clisson sofreu uma tentativa de assassinato orquestrada pelo Duque João V da Bretanha.


Para defender a honra do Condestável, Carlos VI organizou uma expedição punitiva contra a Bretanha, mas a meio do caminho sofreu um ataque de demência psicótica, o primeiro sinal de porfiria e esquizofrenia ou distúrbio bipolar que o afectou até ao fim da vida. Carlos recuperou, mas por pouco tempo. A partir de então, as crises sucederam-se com intervalos de lucidez curtos e espaçados.
Quando se considerou que enlouquecera,  Luís I de Valois assumiu a regência de facto, mas foi assassinado em 1407 a mando de João Sem Medo, seu inimigo desde 1404 que tentou apoderar-se da sua pessoa, dominando o conselho do rei de 1408 a 1411, sinal da guerra civil dos Armagnacs contra os Borguinhões.


A alternância deu também lugar a uma sucessão de influências: durante os períodos em que estava são, Carlos VI favorecia os conselhos e políticas do irmão Luís, mas quando recaía era o tio Filipe da Borgonha que controlava a França. À medida que os anos passaram, o seu estado geral deteriorou-se, assim como o seu casamento. Nas fases psicóticas, Carlos VI revelava ódio imenso a Isabel da Baviera, que tentou atacar fisicamente várias vezes, e chegava a praticar tiro ao arco nos escudos de armas dela espalhadas pelo palácio. A rainha, sem se perturbar, reorganizou a sua vida em torno do cunhado Luís I de Valois, de quem se disse na época ser seu amante. Era assumido que os filhos de Isabel nascidos depois de 1396 eram filhos de Luís de Valois, Duque de Orleães.

Os últimos anos do reinado de Carlos VI foram marcados pela segunda fase da Guerra dos Cem Anos e pela invasão de França comandada por Henrique V de Inglaterra, que culminou no desastre da batalha de Azincourt. 1415, foi um ano ruim para a França: Henrique V derrotou os franceses, dizimando a nobreza francesa. As tropas inglesas ocuparam o norte do país.
Henrique V de Lancaster aproveita a loucura do rei e as querelas entre os membros do conselho da Regência, entre Armagnacs e Borgonheses, e denuncia a trégua assinada em 1396. Desembarca em 13 de Agosto de 1415 perto de Harfleur com 1.400 navios e um total de 30.000 homens. Os cavaleiros franceses, agrupados em redor da facção dos Armagnacs, vão a seu encontro para lhe cortar a estrada de Calais. Apesar da vantagem numérica de 50.000 combatentes contra 15.000, os franceses sucumbem; indisciplinados, pretendem atacar a cavalo as linhas inimigas detrás das quais estão os arqueiros ingleses. Os cavaleiros atacam os arqueiros, pesados em armaduras que pesavam 20 quilos, sem poder se deslocar a direito num solo molhado pelas chuvas. Em pânico, diante da chuva de flechas, muitos cavaleiros caem dos cavalos e são aprisionados. A maior parte dos prisioneiros, cerca de 1700 são degolados pelos arqueiros por ordem do rei inglês, que deseja exterminar a facção dos Armagnacs para reforçar seus aliados borgonheses. Os ingleses não os querem vivos, para trocar por resgate como era costume feudal. As perdas são enormes, do lado francês morrem 10 mil homens, contra 1.500 do lado inglês. Azincourt é uma das batalhas mais mortíferas da Idade Média.

Vitorioso, Henrique V aproveitará para tomar a Normandia.
Em Paris, há enorme descontentamento contra a gente de Bernardo VII que faz reinar o terror como nunca antes o tinham feito os Borguinhões. Em 29 de Maio de 1418, um violento motim expulsa os Armagnacs, milhares são massacrados, o próprio conde é cortado em pedaços. O Delfim Carlos foge, graças ao Preboste (antigo nome do comandante militar) da capital.
Com o título de regente, continuará a luta contra os ingleses à testa do que resta do partido armagnac. Paris, sem remédio, submete-se de novo aos Borgonheses. Triunfam João Sem Medo e seus aliados ingleses. O duque manobra o pobre rei de França, Carlos VI, e sua mulher Isabeau. Ao mesmo tempo, inquieto com a pressão dos ingleses, o duque tenta se reconciliar-se com o delfim Carlos, herdeiro do trono e que viria a ser coroado com a presença de Joana D’Arc.

O encontro transformou-se em drama pois João Sem Medo é assassinado na presença do Delfim em Montereau a 10 de Setembro de 1419. O novo duque da Borgonha, Filipe o Bom, querendo vingar-se, não hesita mais em se aliar aos ingleses.
Carlos VI já praticamente não tinha contacto com a realidade e estava confinado aos seus aposentos, o que deixou o país entregue às lutas entre João da Borgonha e o Conde Bernardo de Armagnac.
O poderoso duque da Borgonha, João Sem Medo, e o herdeiro do trono, o delfim Carlos, como já se referiu encontraram-se em 10 de Setembro de 1419 sobre uma ponte que atravessa o rio Yonne, em Montereau. Ambos desejavam vencer os ingleses, que dominavam a França depois da sua vitória em Azincourt e já tinham ocupado o ducado da Normandia. João era o chefe do Partido borgonhês e o delfim, chefe do partido armagnac. Depois de sangrentas escaramuças, armagnacs e borguinhões pareciam dispostos a dar fim à sua rivalidade que ameaçava arruinar a monarquia dos Valois, em benefício do rei Henrique V da Inglaterra. Em 19 de Setembro, um Te Deum em Paris celebra sua reconciliação. Mas os companheiros do delfim guardam rancor pelo duque, pelo assassinato de Luís I de Valois, duque de Orleans, doze anos antes.

Um deles ataca João Sem Medo com um machado, na própria presença do delfim. O assassinato reaviva a querela entre os Armagnacs e os Borguinhões, prejudicando a França, e permitindo aos ingleses negociar o infame tratado de Troyes com Isabeau da Baviera e o seu marido, o infeliz rei louco. Em 1420, Carlos VI foi trazido a público para assinar o Tratado de Troyes que deserdava o Delfim Carlos, seu filho putativo, a favor de Henrique V. Morreu dois anos depois e foi sucedido por Carlos VII, dada a intervenção de Joana d'Arc.
Pelo Tratado de Troyes acertou-se o casamento de Henrique V com Catarina de Valois, filha de Carlos VI e Isabel, e a subida do casal ao trono por morte de Carlos VI, sem contar com o Delfim Carlos. Desde Junho de 1419, o delfim escapara de Paris para Bourges, onde convocou a ajuda dos escoceses. Chegaram soldados da Escócia sob o comando do duque de Albany, do Earl of Douglas e Sir John Stuart, lord de Darnley. Por cinco anos, forneceram ao delfim o apoio indispensável para que assumisse o trono como Carlos VII, e resistisse aos ingleses.

Morto Carlos VI em 1422, a viúva Isabel, famosa pela ligeireza de costumes, não hesitou em colocar em dúvida a legitimidade do próprio filho, e reconheceu como rei da França o rei da Inglaterra Henrique V, com o qual tinha casado a sua filha Catarina. A França passou a ter dois reis legítimos. O jovem Henrique V deduzia a sua legitimidade do Tratado de Troyes; reinava sobre Paris e o norte da França, fazendo-se representar por seu tio, João de Lancaster, duque de Bedford. Tem o apoio da Igreja, da Universidade e do povo de Paris, e é aliado ao poderoso partido borgonhês. Quanto a Carlos VII de Valois, apelidado o pequeno rei de Bourges, reina apenas sobre o centro e o sul, terra d´oc. Não tem dinheiro, nem apoio, além de alguns armagnacs e mercenários de toda sorte; os seus cortesões se quereriam e está a beira de renúncia, ao encontrar Joana d´Arc em 1429.
A guerra entre os ingleses e Carlos VII terminará apenas pela batalha de Castillon, perto de Bordeaux, em 17 de Julho de 1453. A querela terá por final a luta entre Luís XI, filho de Carlos VII, e Carlos o Temerário, duque da Borgonha, filho de Filipe o Bom. A morte do duque em 1477 e a anexação do ducado da Borgonha ao reino de França serão o epílogo.