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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

quinta-feira, 10 de março de 2011

NADER XÁ AFSHAR



Nader Xá Afshar ou Nadir Xá, em fársi: نادرشاهافشار,  língua persa moderno, parse, pársi ou conhecido também como Nadr Qoli Beg (نادرقلیبیگ) e Tahmasp-Qoli Khan (هماسپقلیخان), nasceu em Novembro de 1688 ou em 6 de Agosto de 1698 e morreu em 19 de Junho de 1747. Foi Xá do Irão entre 1736 e 1747. Fundou a dinastia dos Afsharidas, em língua persa: o سلسلهافشار) foram uma dinastia iraniana constituída por membros do clã Afshar, originário do Turquestão.

Nader nasceu em Kobhan e pertencia ao ramo turcomano Qirqlu dos Afshar. O seu pai, um camponês do Khorasan (Coração), morreu quando Nader era ainda uma criança. Segundo Michael Axworthy, biógrafo de Nader, o seu pai era um homem pobre mas respeitável, um pastor da tribo dos Afshar. Os Afshars Qirqlu, aos quais o pai de Nader pertencia, eram uma tribo turcomana seminómada, estabelecida no Khorasan, no nordeste do Irão. As tribos do Khorasan eram etnicamente distintas dos persas.

Falavam línguas túrquicas e curdas. A mãe de Nader falava um dialecto do mesmo grupo linguístico das tribos túrquicas do Irão e da Ásia Central e ele teria rapidamente aprendido já adulto a língua persa - a língua da alta cultura e das cidades.
Segundo a lenda, o irmão de Nader, Ebrahim e a sua mãe foram levados como escravos por tribos de línguas túrquicas e saqueadores uzbeques ou turcomanos.
Quatro anos depois, após a morte da sua mãe e ainda menino, Nader conseguiu escapar com seu irmão, juntando-se a um bando de salteadores e tornando-se o seu líder. Mais tarde, juntou-se ao exército de Baba Ali Beyg Koose Ahmadlou Afshar.

Sob a protecção de líderes do clã Afshar, tornando-se num líder militar poderoso.
Em 1719 os afegãos invadiram a Pérsia e em 1722 depuseram o Xá da dinastia Safávida. A princípio, Nader lutou ao lado dos afegãos, contra os uzbeques mas, em 1727, passou a servir
Tahmasp II, herdeiro dos safávidas, iniciando a reconquista da Pérsia. Em 1729, os afegãos são expulsos e Tahmasp II é coroado. Nader torna-se o homem forte do governo Tahmasp que lhe concede o título de Tahmasp-Qoli Khan, "servo de Tahmasp”, pelo qual Nader será conhecido até tornar-se o Xá do Irão.

Mas mesmo antes disso, Nader já exercia o poder absoluto de facto. Tahmasp era pouco mais que uma figura decorativa e será deposto em 1732, substituindo-o seu filho, Abbas III. Nader será o regente até 1736, quando assumirá efectivamente o poder. Em 1740, Tahmasp II e o seu filho são mortos.

Nader Xá realizou uma longa série de guerras de conquista. Já em 1738 invadiu Kandahar, capturou Cabul e marchou em direcção à Índia. Ali capturou e saqueou Deli, apoderando-se do tesouro dos imperadores mongóis, inclusive do famoso "trono do pavão", incrustado de jóias, e do Koh-i Noor ("montanha de luz"), o maior diamante conhecido no mundo até então e que a partir de 1877 fará parte das jóias da Coroa Britânica.

No seu tempo, Nader Xá foi o mais poderoso soberano do Médio Oriente. Criou a marinha persa. Mudou a capital do império para Mashad, no Coração ou Coraçone 
(خراسان, Khorasan em persa) que significa "terra do sol nascente" e tentou, embora sem sucesso, reconciliar o sunismo e o xiismo, uma vez que precisava de soldados de ambas as denominações, no seu exército.

Gradativamente, porém, o seu temperamento ambicioso e intolerante acentuou-se, tornando-se um problema político. O financiamento das campanhas militares consumia crescentes somas de recursos, aumentando o peso dos tributos cobrados à população. Os devedores do fisco eram punidos com a morte.
Inicia-se, então, um ciclo de revoltas e conspirações contra o governo opressor. Após um frustrado atentado contra a sua vida, Nader começa a apresentar perturbações psíquicas, a ponto de suspeitar que o seu próprio filho, Reza Qoli Mirza, conspirava contra ele.
Em consequência disso, cegou-o e em seguida começou a executar os nobres que haviam testemunhado o acto.

Em 1747 Nader era considerado um perigo social, mesmo pelos que pertenciam ao seu clã e um grupo de líderes Afshar e Qajar decidiu eliminá-lo, o que foi efectuado enquanto dormia.
Nader Xá foi considerado como o mais talentoso comandante militar do Irão e o último conquistador militar da Ásia. Criou um grande império que incluía, além do Irão, o norte da Índia e partes da Ásia Central. Embora tenha restaurado a independência nacional e efectivamente protegido a integridade dos territórios iranianos durante um período negro da história do país, o seu comportamento acabou gerando grandes perturbações políticas.
Nader casou-se quatro vezes e deixou 5 filhos e 15 netos, cuja eliminação foi ordenada por seu sucessor, o sobrinho Adil Xá, porém o império construído por Nader não sobreviverá por muito tempo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

CARLOS VI DE FRANÇA, O LOUCO



Carlos VI de Valois, o Louco ou o Bem Amado, nasceu a 3 de Dezembro de 1368 e faleceu a 21 de Outubro de 1422, foi Rei de França da Casa de Valois, entre 1380 e a sua morte. A sua rainha consorte foi Isabel da Baviera com quem casou em 1385.
Carlos VI nasceu em Paris, primogénito de Carlos V apelidado o Sábio, e de Joana de Bourbon. Como herdeiro da coroa ao nascer, recebeu o título de Delfim de França em 1368.  Os seus quatro tios, duques de Anjou, de Berry, da Borgonha e de Bourbon, guardaram o poder até 1388; apenas o duque de Borgonha tinha algum interesse pelo bem público. Em 1380, Carlos subiu ao trono por morte do pai mas como tinha 12 anos, a regência ficou entregue a um conselho chefiado pelos seus tios João de Berry, Filipe da Borgonha e Luís de Anjou.

Durante sua menoridade, o país foi assim governado em função dos interesses dos tios, que guerreavam frequentemente entre si sem ter em conta o interesse da França. Aos 20 anos, Carlos VI conseguiu livrar-se da influência dos regentes, com a ajuda do Condestável Olivier de Clisson inimigo político dos Duques de Berry e da Borgonha. Ao mesmo tempo, cresceu o ascendente do seu irmão mais novo Luís I de Valois, que Carlos VI fez Duque de Orleans em 1392.
Em 1392, o episódio da travessia da floresta du Mans marca o início da sua loucura: acometido de pânico, teve que ser amarrado sobre uma carruagem. No ano seguinte o acidente do Bal des Ardents confirmou a doença.
Apesar de nunca ter sido particularmente astuto para a governação, fruto da sua educação desleixada, manteve uma personalidade estável até 1392, ano em que Olivier de Clisson sofreu uma tentativa de assassinato orquestrada pelo Duque João V da Bretanha.


Para defender a honra do Condestável, Carlos VI organizou uma expedição punitiva contra a Bretanha, mas a meio do caminho sofreu um ataque de demência psicótica, o primeiro sinal de porfiria e esquizofrenia ou distúrbio bipolar que o afectou até ao fim da vida. Carlos recuperou, mas por pouco tempo. A partir de então, as crises sucederam-se com intervalos de lucidez curtos e espaçados.
Quando se considerou que enlouquecera,  Luís I de Valois assumiu a regência de facto, mas foi assassinado em 1407 a mando de João Sem Medo, seu inimigo desde 1404 que tentou apoderar-se da sua pessoa, dominando o conselho do rei de 1408 a 1411, sinal da guerra civil dos Armagnacs contra os Borguinhões.


A alternância deu também lugar a uma sucessão de influências: durante os períodos em que estava são, Carlos VI favorecia os conselhos e políticas do irmão Luís, mas quando recaía era o tio Filipe da Borgonha que controlava a França. À medida que os anos passaram, o seu estado geral deteriorou-se, assim como o seu casamento. Nas fases psicóticas, Carlos VI revelava ódio imenso a Isabel da Baviera, que tentou atacar fisicamente várias vezes, e chegava a praticar tiro ao arco nos escudos de armas dela espalhadas pelo palácio. A rainha, sem se perturbar, reorganizou a sua vida em torno do cunhado Luís I de Valois, de quem se disse na época ser seu amante. Era assumido que os filhos de Isabel nascidos depois de 1396 eram filhos de Luís de Valois, Duque de Orleães.

Os últimos anos do reinado de Carlos VI foram marcados pela segunda fase da Guerra dos Cem Anos e pela invasão de França comandada por Henrique V de Inglaterra, que culminou no desastre da batalha de Azincourt. 1415, foi um ano ruim para a França: Henrique V derrotou os franceses, dizimando a nobreza francesa. As tropas inglesas ocuparam o norte do país.
Henrique V de Lancaster aproveita a loucura do rei e as querelas entre os membros do conselho da Regência, entre Armagnacs e Borgonheses, e denuncia a trégua assinada em 1396. Desembarca em 13 de Agosto de 1415 perto de Harfleur com 1.400 navios e um total de 30.000 homens. Os cavaleiros franceses, agrupados em redor da facção dos Armagnacs, vão a seu encontro para lhe cortar a estrada de Calais. Apesar da vantagem numérica de 50.000 combatentes contra 15.000, os franceses sucumbem; indisciplinados, pretendem atacar a cavalo as linhas inimigas detrás das quais estão os arqueiros ingleses. Os cavaleiros atacam os arqueiros, pesados em armaduras que pesavam 20 quilos, sem poder se deslocar a direito num solo molhado pelas chuvas. Em pânico, diante da chuva de flechas, muitos cavaleiros caem dos cavalos e são aprisionados. A maior parte dos prisioneiros, cerca de 1700 são degolados pelos arqueiros por ordem do rei inglês, que deseja exterminar a facção dos Armagnacs para reforçar seus aliados borgonheses. Os ingleses não os querem vivos, para trocar por resgate como era costume feudal. As perdas são enormes, do lado francês morrem 10 mil homens, contra 1.500 do lado inglês. Azincourt é uma das batalhas mais mortíferas da Idade Média.

Vitorioso, Henrique V aproveitará para tomar a Normandia.
Em Paris, há enorme descontentamento contra a gente de Bernardo VII que faz reinar o terror como nunca antes o tinham feito os Borguinhões. Em 29 de Maio de 1418, um violento motim expulsa os Armagnacs, milhares são massacrados, o próprio conde é cortado em pedaços. O Delfim Carlos foge, graças ao Preboste (antigo nome do comandante militar) da capital.
Com o título de regente, continuará a luta contra os ingleses à testa do que resta do partido armagnac. Paris, sem remédio, submete-se de novo aos Borgonheses. Triunfam João Sem Medo e seus aliados ingleses. O duque manobra o pobre rei de França, Carlos VI, e sua mulher Isabeau. Ao mesmo tempo, inquieto com a pressão dos ingleses, o duque tenta se reconciliar-se com o delfim Carlos, herdeiro do trono e que viria a ser coroado com a presença de Joana D’Arc.

O encontro transformou-se em drama pois João Sem Medo é assassinado na presença do Delfim em Montereau a 10 de Setembro de 1419. O novo duque da Borgonha, Filipe o Bom, querendo vingar-se, não hesita mais em se aliar aos ingleses.
Carlos VI já praticamente não tinha contacto com a realidade e estava confinado aos seus aposentos, o que deixou o país entregue às lutas entre João da Borgonha e o Conde Bernardo de Armagnac.
O poderoso duque da Borgonha, João Sem Medo, e o herdeiro do trono, o delfim Carlos, como já se referiu encontraram-se em 10 de Setembro de 1419 sobre uma ponte que atravessa o rio Yonne, em Montereau. Ambos desejavam vencer os ingleses, que dominavam a França depois da sua vitória em Azincourt e já tinham ocupado o ducado da Normandia. João era o chefe do Partido borgonhês e o delfim, chefe do partido armagnac. Depois de sangrentas escaramuças, armagnacs e borguinhões pareciam dispostos a dar fim à sua rivalidade que ameaçava arruinar a monarquia dos Valois, em benefício do rei Henrique V da Inglaterra. Em 19 de Setembro, um Te Deum em Paris celebra sua reconciliação. Mas os companheiros do delfim guardam rancor pelo duque, pelo assassinato de Luís I de Valois, duque de Orleans, doze anos antes.

Um deles ataca João Sem Medo com um machado, na própria presença do delfim. O assassinato reaviva a querela entre os Armagnacs e os Borguinhões, prejudicando a França, e permitindo aos ingleses negociar o infame tratado de Troyes com Isabeau da Baviera e o seu marido, o infeliz rei louco. Em 1420, Carlos VI foi trazido a público para assinar o Tratado de Troyes que deserdava o Delfim Carlos, seu filho putativo, a favor de Henrique V. Morreu dois anos depois e foi sucedido por Carlos VII, dada a intervenção de Joana d'Arc.
Pelo Tratado de Troyes acertou-se o casamento de Henrique V com Catarina de Valois, filha de Carlos VI e Isabel, e a subida do casal ao trono por morte de Carlos VI, sem contar com o Delfim Carlos. Desde Junho de 1419, o delfim escapara de Paris para Bourges, onde convocou a ajuda dos escoceses. Chegaram soldados da Escócia sob o comando do duque de Albany, do Earl of Douglas e Sir John Stuart, lord de Darnley. Por cinco anos, forneceram ao delfim o apoio indispensável para que assumisse o trono como Carlos VII, e resistisse aos ingleses.

Morto Carlos VI em 1422, a viúva Isabel, famosa pela ligeireza de costumes, não hesitou em colocar em dúvida a legitimidade do próprio filho, e reconheceu como rei da França o rei da Inglaterra Henrique V, com o qual tinha casado a sua filha Catarina. A França passou a ter dois reis legítimos. O jovem Henrique V deduzia a sua legitimidade do Tratado de Troyes; reinava sobre Paris e o norte da França, fazendo-se representar por seu tio, João de Lancaster, duque de Bedford. Tem o apoio da Igreja, da Universidade e do povo de Paris, e é aliado ao poderoso partido borgonhês. Quanto a Carlos VII de Valois, apelidado o pequeno rei de Bourges, reina apenas sobre o centro e o sul, terra d´oc. Não tem dinheiro, nem apoio, além de alguns armagnacs e mercenários de toda sorte; os seus cortesões se quereriam e está a beira de renúncia, ao encontrar Joana d´Arc em 1429.
A guerra entre os ingleses e Carlos VII terminará apenas pela batalha de Castillon, perto de Bordeaux, em 17 de Julho de 1453. A querela terá por final a luta entre Luís XI, filho de Carlos VII, e Carlos o Temerário, duque da Borgonha, filho de Filipe o Bom. A morte do duque em 1477 e a anexação do ducado da Borgonha ao reino de França serão o epílogo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

IVÃ O TERRÍVEL, um louco da história



Ivã IV , o Terrível, em russo: Иван IV Васильевич Грозный, Ivan Vassiliévitch Grozny,  nasceu a 25 de Agosto de 1530 e faleceu  a 18 de Março de 1584, em Moscovo, grão-duque de Moscovo desde os três anos de idade, foi o primeiro governante a utilizar o título de czar, César, ou imperador de todas as Rússias. Na tradição russa, é conhecido como Ива́н Гро́зный (Ivan Grozny), geralmente traduzido como Ivã, o Terrível.
Ivã estendeu o seu domínio para o oriente, anexando em 1552 o Canato de Cazã  em tártaro: Qazan xanlığı; em russo: Казанское ханство) foi um Estado tártaro originário da fragmentação da Horda de Ouro e que existiu entre 1438 e 1552, situado no território da antiga Bulgária do Volga, tinha como capital a cidade de Cazã;  em 1556 Ivã  anexou o Canato de Astracã, em tártaro: Xacitaxan Xanlığı que foi um Estado feudal tártaro que surgiu como resultado da fragmentação dos territórios da Horda de Ouro, existiu nos séculos XV e XVI, na área adjacente à foz do rio Volga, onde se localiza a cidade actual de Astracã.

O Canato da Horda Dourada, também conhecido como Horda de Ouro (Altan Ord na língua mongol e Zolotaya Orda em russo), foi um dos quatro canatos originários da fragmentação do Império Mongol e o mais duradouro de todos eles. Abrangia, no seu apogeu, grande parte da actual Rússia europeia,  Cazaquistão, Ucrânia, parte da Bielorrússia, norte do Uzbequistão, Sibéria Ocidental e uma parte da Roménia; fazia fronteiras com os reinos da Polónia e Hungria a oeste, o Oceano Ártico a norte, o Ilkhanato a sul, o canato de Djaghatai a sudeste e o Grão-Canato a leste. No seu conjunto era formado pela Horda Azul de Batu e a Horda Brancade Orda.

A capacidade de Ivã para uma boa governação ficou manchada pela excessiva crueldade. A sua polícia secreta, os Oprichniks, torturou e assassinou todos os suspeitos de traição, como o povo de Novgorod, acusado de rebelião.

Ivã teve sete mulheres, uma das quais morreu em circunstâncias suspeitas. Num acesso de raiva Ivan matou acidentalmente o filho mais velho, Ivã Ivanovich, que era tão cruel como ele, e passou o resto da vida imerso em remorsos, misturados com actos de crueldade e violência. Durante o seu governo, os tártaros da Crimeia saquearam Moscovo em 1571, apesar de tê-los vencido no ano seguinte na Batalha de Molodi. Morreu louco, em 1584.

O comportamento de Ivã IV pode ser explicado pela sua conturbada infância. Filho do grão-duque Vassili III de Moscovo, ficou órfão aos oito anos de idade. Praticamente um refém dentro do próprio Kremlin; assistiu às brigas intermináveis entre as diversas facções dos boiardos. Era incentivado a assistir a sessões de tortura e execuções pelos nobres, que mantinham os seus feudos independentes e tomavam o comércio como ponto principal dos seus interesses, dividindo a Rússia. Assustado durante todo esse período, Ivan passou a ler cada vez mais a Bíblia, especialmente o Velho Testamento, firmando-se como um obcecado cristão ortodoxo. Se o comportamento de Ivan, o Terrível, fosse comparado a pessoas actuais com o mesmo comportamento, seria classificado como louco.

Embora os boiardos acreditassem que tudo poderiam fazer, para surpresa geral, subitamente o menino Ivã manda prender o principal líder boiardo, o Princípe Chuiski, que é executado, anunciando depois a sua coroação como czar. Os próprios nobres e o restante da Europa duvidavam da sua capacidade em fazê-lo, pois o título de arquiduque não lhe garantia o trono. Mas ele insistiu e coroou-se. Talvez o receio tenha sido o de que aquele poderia ser um velho sonho da unificação.
Tão logo foi coroado czar, anunciou a expropriação de bens de boiardos e da Igreja, clamando a si próprio o poder religioso. Logo criou uma tropa de elite, um exército profissional, os Streltsky, que ganharia cada vez mais poder até à sua extinção com a ascensão do czar Pedro, o Grande.

Após a conquista de Kazan, interpretada como vitória religiosa porque era muçulmana e com a morte da primeira esposa,  Anastasia Romanovna, aos 27 anos, Ivã recolhe-se num mosteiro e volta a Moscovo apenas atendendo ao chamamento de representantes dos nobres e da população que, segundo uma interpretação corrente, prefeririam um tirano ao caos. Ivã forma uma guarda pessoal, os Oprichnicky, que se vestiam de preto e cavalgavam animais pretos, sendo a maioria deles constituída por criminosos que lhe juraram lealdade eterna e que, sob as suas ordens, cometeram crimes terríveis.
Ivã IV foi um homem cruel e provavelmente insano mentalmente, mas conseguiu unificar a Rússia, antes dividida em principados independentes. Criou uma força militar própria e conquistou terras até à Sibéria, expandindo o território russo até adquirir praticamente os seus contornos actuais. Também se tornou um autocrata, o primeiro de uma série, mas por ter ferido de morte o seu filho mais velho e pela misteriosa morte do czarevich Dmitri, não deixou descendência.  

Curiosamente, a morte do pequeno Dmitri acabou por ser atribuída a Boris Godunov, que se tornou czar por algum tempo, e ao monge Grigory Otripiev, que deixou a Rússia e conquistou a simpatia da polónia, declarando-se o verdadeiro czarevich. O falso czarevich, com o apoio do exército polaco e pela confusão reinante na Rússia após a morte de Godunov, chegou mesmo a governar por um breve período no Kremlin, sendo substituído à força por um descendente dos Chuikis.
A construção da catedral de São Basílioteve foi ordenada pelo Czar Ivã para comemorar a conquista do Cantão de Kazan, depois da construção ser terminada, mandou arrancar os olhos do arquitecto para que não pudesse construir outra igual.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

VLAD III, O EMPALADOR E A LENDA DE DRÁCULA (video)



Vlad III, Príncipe da Valáquia, nasceu em Sighişoara, no ano de 1431 e faleceu em Bucareste no mês de Dezembro de 1476, conhecido como Vlad, o empalador, em romeno: Vlad Ţepeş, ou Drácula, foi príncipe da Valáquia por três vezes, governando a região em 1448, de 1456 a 1462 e em 1476.
O seu sobrenome romeno, Drácula, também Draculea e Drakulya, usado para designar Vlad em diversos documentos, significa "filho do dragão", e refere-se ao seu pai,  Vlad Dracul, que recebeu este apelido dos seus súbditos após ter-se juntado à Ordem do Dragão,  uma ordem religiosa criada pelo sacro imperador romano germânico de Sigismundo do Luxemburgo, também dito Sigismundo da Germânia no ano de 1431. 

Dracul, que vem do latim draco "dragão", que significa "diabo" no romeno actual.
O seu apelido depois da morte, de Ţepeş "Empalador" teve origem no seu hábito de matar os inimigos através do empalamento, uma prática popularizada por diversos panfletos medievais na Transilvânia. Em turco era conhecido como Kazıklı Voyvoda ou Kazıklı Bey, ou "Príncipe Empalador".
Bey ou beg é um título nobiliárquico de origem turca, adoptado por diferentes governantes dentro dos territórios dos antigos Impérios Seljúcida e Otomano. Um Beylik era um território governado por um bey que foi o título dos monarcas na Tunísia.

Historicamente Vlad é mais conhecido pela sua política de independência em relação ao Império Otomano,  cujo expansionismo sofreu a sua resistência, e pelas punições excessivamente cruéis que impunha a seus prisioneiros.  É lembrado por toda a região como um cavaleiro cristão que lutou contra o expansionismo islâmico na Europa, e é ainda hoje um herói popular na Roménia e na República da Moldávia.
No mesmo tempo que Vlad III se tornou famoso pelo seu sadismo, era respeitado pelos seus cidadãos como guerreiro, pela sua ferocidade contra os turcos, e como governante que não tolerava o crime entre a sua gente. Durante o seu reinado, ergueu grandes mosteiros.

Fora da Roménia, o voivoda é célebre pelas atrocidades contra os seus inimigos e que teriam sido a inspiração para o conde Drácula, vampiro de Drácula do romance de  1897 do escritor irlandês Bram Stoker.
Após a invasão da Valáquia pela Hungria, em 1447 Vlad II e o seu filho mais velho Mircea foram assassinados. Em 1456, Vlad Tepes retornou à região e retomou o controlo das terras, assumindo novamente o trono de Valáquia. Esse retorno tardio de Vlad III teria confundido os moradores da região, que pensaram ser Vlad II que tinha retornando anos depois da sua morte. Isso teria ajudado a criar a lenda de sua imortalidade.

Em 1462, Vlad Tepes perdeu o trono para o seu irmão Radu, que se havia aliado aos turcos. Preso na Hungria até 1474, Vlad III morreu dois anos depois, tentando recuperar o trono da Valáquia.
Vlad III foi exilado das suas terras por um breve período em 1448, de 1456 a 1462 e por duas semanas no ano da sua morte em 1476.
O trono de Valáquia era hereditário, mas não seguia a lei do primogénito. Os nobres tinham o direito de escolher entre os membros da família real quem seria o sucessor. A família real dos Basarab, fundada por Basarab, o Grande (1310-1352), dividiu-se por volta do final do século XIV. Os dois clãs resultantes, rivais entre si, foram formados pelos descendentes do Voivoda Dan e pelos descendentes do Voivoda Mircea Bătrân, também conhecido por Mircea, o Velho (avô de Vlad III).

A situação política na Valáquia continuou instável depois de Vlad Dracul ascender ao trono em 1436. O poder dos Turcos estava crescendo rapidamente enquanto cada um dos pequenos estados dos Bálcãs se rendiam ao massacre dos Otomanos. Ao mesmo tempo o poder da Hungria atingia o seu apogeu e, assim o faria durante o tempo de João Corvino (Hunyadi János), o Cavaleiro Branco da Hungria, e seu filho, o rei Matias Corvino. Qualquer príncipe da Valáquia teria que balancear as suas políticas precariamente entre esses dois poderosos países vizinhos.

O príncipe da Valáquia era oficialmente um subordinado ao rei da Hungria. Também Vlad Dracul era um membro da Ordem do Dragão, tendo jurado lutar contra os infiéis. Ao mesmo tempo o poder dos Otomanos, desde 1299, parecia não ser possível deter, como de facto não foi, só cairia em 1922 após a 1ª guerra mundial 1914/18. Mesmo no tempo do pai de Vlad II, Mircea, o Velho, a Valáquia era forçada a pagar tributo ao Sultão. Vlad foi forçado a renovar esse tributo e de 1436 a 1442 tentou estabelecer um equilíbrio entre os seus poderosos vizinhos.
Em 1442 Vlad tentou permanecer neutro quando os turcos invadiram a Transilvânia.

Os Turcos foram vencidos e os vingativos húngaros, sob o comando de Hunyadi János forçaram Dracul e a sua família a fugir da Valáquia. Hunyadi colocou um Danesti, Basarab II, no trono valaquiano. Em 1443 Vlad II retomou o trono da Valáquia com suporte dos Turcos, desde que ele assinasse um novo tratado com o Sultão que incluiria não apenas o costumeiro tributo, além de outros favores. Em 1444, para assegurar ao sultão de sua boa-fé, Vlad II mandou os seus dois filhos mais novos para Adrianopla como reféns. Draculea permaneceu refém em Adrianopla até 1448.
Em 1444 o rei da Hungria, Ladislas Poshumous, quebrou a paz e enviou o exército de Varna sob o comando de João Corvino (Hunyadi János) num esforço para manter os turcos longe da Europa.

Hunyadi ordenou que Vlad II cumprisse os seus deveres como membro da Ordem do Dragão e súbdito da Hungria e se juntasse à cruzada contra os Turcos. O Papa absolveu Dracul do compromisso Turco, mas, como político, ainda queria alguma coisa. Ao invés de se unir às forças cristãs ele mandou o seu filho mais velho, Mircea. Talvez ele esperasse que o sultão poupasse os seus filhos mais novos se ele pessoalmente não se juntasse à cruzada.
Os resultados da Cruzada de Varna são bem conhecidos. O exército cristão foi completamente destruído na Batalha de Varna. João Hunyadi conseguiu escapar da batalha sob condições que acrescentaram pouca glória à reputação dos Cavaleiros Brancos.

Muitos, aparentemente incluindo Mircea e seu pai, culparam Hunyadi pela cobardia. Deste momento em diante João Hunyadi foi amargamente hostil em relação a Vlad Dracul e ao seu filho mais velho. Quando em 1447 Vlad Dracul II foi assassinado juntamente com seu filho Mircea, este foi enterrado vivo pelos burgueses e mercadores de Targoviste. Hunyadi que colocaram um candidato, um membro do clã Danesti, no trono da Valáquia.
Em 1448 Draculea conseguiu assumir o trono valaquiano com o apoio turco. Porém, em dois meses Hunyadi forçou Draculea a entregar o trono e fugir para jundo do seu primo, o príncipe da Moldávia, enquanto Hunyadi mais uma vez colocava Vladislav II no trono valaquiano.
Draculea permaneceu em exílio na Moldavia por três anos, até que o Príncipe Bogdan da Moldávia foi assassinado em 1451.

O tumulto resultante na Moldávia forçou Draculea a fugir para a Transilvânia e buscar protecção com o inimigo da sua família, Hunyadi. O tempo era ideal; o fantoche de Hunyadi no trono valaquiano, Vladislov II, instituiu uma política a favor da Turquia, e Hunyadi precisava de um homem mais confiável na Valáquia. Consequentemente, Corvino aceitou a aliança com o filho de seu velho inimigo e colocou-o como candidato da Hungria para o trono da Valáquia. Draculea tornou-se súbdito de Hunyadi e recebeu os antigos ducados da Transilvânia que eram de seu pai, Faragas e Almas.

Draculea permaneceu na Transilvânia, sob a protecção de Hunyadi, até 1456 esperando por uma oportunidade de retomar Valáquia do seu rival.
Em 1453 o mundo cristão chocou-se com a queda final de Constantinopla para os Otomanos. O Império Romano do Oriente que existiu desde o tempo de Constantino, o Grande, e que por mil anos protegeu o resto dos cristãos do Islão não existia mais. Hunyiadi imediatamente planeou outro ataque contra os Turcos.
Em 1456 Hunyadi invadiu a Sérvia turca enquanto Draculea simultaneamente invadiu a Valáquia. Na Batalha de Belgrado Hunyadi foi morto e o seu exército vencido.

Enquanto isso, Draculea conseguiu sucesso em matar Vladislav II e tomando o trono da Valáquia, mas a derrota de Hunyadi tornou a sua protecção, por parte deste, questionável. Por um tempo ao menos Draculea foi forçado a apoiar os Turcos enquanto solidificava a sua posição.
O reinado principal de Draculea estendeu-se de 1456 a 1462. A sua capital era a cidade de Tirgoviste enquanto seu castelo foi erguido a uma certa distância, nas montanhas perto do rio Arges.
A maior parte das atrocidades associadas ao nome de Draculea tomaram lugar durante esses anos. Foi também durante esse tempo que ele lançou o seu próprio ataque contra os Turcos.

O seu ataque foi relativamente bem-sucedido inicialmente. As suas habilidades como guerreiro e sua bem conhecida crueldade fizeram inimigo temido. Entretanto, ele recebeu pouco apoio do seu senhor feudal,  Matthius Corvinus, Rei da Hungria (filho de João Hunyadi) e os recursos valaquianos eram muito limitados para alcançar algum sucesso contra o conquistador de Constantinopla.
Os Turcos finalmente foram bem-sucedidos em forçar Draculea a fugir para a Transilvânia em 1462. Foi dito que a primeira esposa de Draculea cometeu suicídio pulando das torres do castelo de Draculea para as águas do rio Arges ao invés de se render aos Turcos. Draculea fugiu pelas montanhas em direcção à Transilvânia e pediu ajuda a Matthius Corvinus. Ao invés disso, o rei prendeu Draculea e aprisionou-o numa torre por 12 anos.

Aparentemente o seu aprisionamento não foi oneroso. Ele foi capaz de gradualmente ganhar as graças da monarquia húngara, tanto que ele conseguiu casar e tornar-se um membro da família real (algumas fontes clamam que a segunda esposa de Draculea era na verdade a irmã de Matthius Corvinus). Durante o seu aprisionamento Draculea também renunciou à fé Ortodoxa e adoptou o Catolicismo. É interessante notar que a narrativa russa dessas histórias, normalmente favoráveis a Draculea, indicavam que mesmo durante sua prisão Draculea não desistiu de seu passatempo preferido: ele costumava capturar pássaros e ratazanas que torturava e mutilava - alguns eram decapitados, esfolados e soltos, e muitos eram empalados em pequenas lanças.

Em 1476 Draculea mais uma vez estava pronto para atacar. Draculea e o príncipe István Báthory invadiram a Valáquia com uma força mista da Transilvânia, alguns burgueses da Valáquia insatisfeitos e um contingente de moldávios enviados pelo primo de Draculea, Príncipe Estêvão, o Grande da Moldávia. O irmão de Draculea, Radu, o Belo, havia morrido alguns anos antes e substituído por um candidato ao trono apoiado pelos Turcos, Basarab, o Velho, membro do clã Danesti. Enquanto o exército de Draculea se aproximava, Basarab e sua corte fugiram, alguns buscando protecção dos Turcos, outros para os abrigos das montanhas. Depois de colocarem Draculea de volta no trono, Stephan Bathory e as outras forças de Draculea voltaram à Transilvânia, deixando a posição táctica de Draculea muito enfraquecida. Draculea teve muito pouco tempo para ganhar apoio antes que um grande exército turco invadisse a Valáquia determinado a devolver o trono a Basarab.

Aparentemente mesmo os plebeus, cansados das depredações do empalador, abandonaram-no à sua própria sorte. Draculea foi forçado a lutar contra os Turcos com pequenas forças à sua disposição, algo em torno de menos de quatro mil homens.
Draculea foi morto em batalha contra os turcos perto da pequena cidade de Bucareste em Dezembro de 1476. O corpo de Draculea foi decapitado pelos Turcos e a sua cabeça enviada a Constantinopla, onde o Sultão a manteve em exposição numa estaca como prova de que o empalador estava morto.

Ele foi enterrado em Snagov, uma ilha localizada perto de Bucareste. Em 1931, quando arqueólogos escavaram o túmulo, não encontraram nada, apenas ossos de animais, o que contribuiu para o mistério que envolve ainda a lenda do Conde Drácula.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

JOÃO SEM MEDO



A dinastia Capetiana, também Capetíngia, foi a família real que governou a França durante mais de oitocentos anos. Deveu o seu nome à alcunha do fundador, Hugo, Duque de Francia. Hugo era denominado Capeto por causa da capa curta que sempre ostentava por ser abade secular em  St. Martin de Tours. Como se tratava do mais importante vassalo de Luís V de França, Hugo conseguiu fazer-se eleger rei quando da morte de Luís, em 987.

D. Henrique de Borgonha, nasceu em 1066  em Astorga,  foi conde de Portucale desde 1093 até à sua morte. Em Portugal é conhecido, geralmente, por Conde D. Henrique. Pertencia à família ducal da Borgonha, sendo filho de Henrique, herdeiro do duque Roberto I com Beatriz ou Sibila de Barcelona, e irmão dos também duques Odo I e Hugo I. Sendo um filho mais novo, D. Henrique tinha poucas possibilidades de alcançar fortuna e títulos por herança, tendo por isso aderido à Reconquista da Península Ibérica. Ajudou o rei Afonso VI de Leão e Castela a conquistar o Reino da Galiza, recebendo como recompensa pelos seus serviços o casamento com a filha ilegítima do monarca, Teresa de Leão (pais de D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal)

JOÃO SEM MEDO, duque francês da Borgonha, nasceu a 28 de Maio de 1371, em Dijon, e faleceu a 10 de Setembro de 1419, assassinado na ponte de Montereau. Era filho de Filipe, o Atrevido, duque da Borgonha, e da sua mulher Margarida III da Flandres, pertencendo à Casa capetíngia dos Valois. Teve como irmãos António, duque de Brabante, Filipe, conde de Nevers, Margarida, condessa de Ostrevent, Catarina e Maria. Em 1384 tornou-se conde de Nevers, tendo em 1404 oferecido o título ao seu irmão Filipe. Inicialmente noivo de Catarina de Valois, filha de Carlos V de França, acabou por casar em 1385 com a filha de Alberto da Baviera, Margarida, com quem teve o futuro Filipe III da Borgonha, além de sete filhas: Catarina, Maria, Margarida, duquesa da Guyenne, Isabel, Joana, Ana e Inês.

Foi um dos cruzados que se bateram contra os Turcos de Bayezid I na campanha liderada por Sigismundo da Hungria, tendo sido preso em Nicópolis no ano de 1396 e libertado contra resgate no seguinte ano. Foi no decurso das suas actividades militares que ganhou o cognome com que seria conhecido, "Sem Medo". Voltou a França depois da libertação, tornando-se duque da Borgonha em 1404, com a morte do seu pai, e conde da Flandres e de Artois no ano subsequente, por morte da sua mãe. Cedo se acenderam os conflitos com o irmão mais novo do rei Carlos VI de França, Luis de Orleães, pois a demência do rei exigia que as rédeas do comando fossem entregues a outra pessoa.

João Sem Medo acabou por conseguir a guarda do Delfim francês, o que lhe conferiu um notável poder, e terminou com o seu rival Luís de Orleães em 1407, mandando-o assassinar em Paris. O duque da Borgonha foi perdoado deste crime pelo rei de França no Tratado de Chartres, datado de 9 de Maio de 1409. João I da Borgonha participou nas negociações de paz com o rei Henrique V de Inglaterra, que tinha invadido o território francês, mas não participou na batalha entre as duas facções em Agincourt (1415), onde morreram dois dos seus irmãos, Filipe e António. Em 1417 tomou a cidade de Paris e declarou-se protector do rei Carlos VI, vendo-se o Delfim (futuro Carlos VII) obrigado a fugir. Este pediu um encontro de reconciliação com o duque da Borgonha em 1419, na ponte de Pouilly, encontro este que se seguiria de um outro para firmar a paz também a pedido do Delfim, a 10 de Setembro na ponte de Montereau. Foi neste último que João Sem Medo foi assassinado, tendo sido enterrado na sua cidade natal.