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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

OUGUELA, A HISTÓRIA DE UM LUGAR

Corria o ano de 1475 quando se deu o acontecimento que a seguir se relata; que fique para o conhecimento, este feito extraordinário que todos os habitantes da vila de Ouguela presenciaram naquela Primavera de 1475. Situemo-nos no tempo e local em que se encontravam:
Reinava em Portugal D. Afonso V, de cognome “O Africano”, e decorria o ano em que Portugal sofreu a derrota na batalha de Toro a 30 de Abril.

    Ouguela contínua a ser uma bela vila. Era uma impenetrável fortaleza, no cimo de um outeiro isolado, sentinela alerta do outro lado da fronteira… que ali começa Castela!
    Há mais de sete séculos que passou a terra portuguesa, pelo tratado de Alcanizes - 12 de Setembro de 1297 - no tempo em que reinava o nosso rei D. Diniz e parece que devido aos bons ofícios de sua ínclita mulher, a Rainha Santa Isabel, Isabel de Aragão.

    Mas nem sempre os assuntos entre os reinos de Portugal e de Castela se resolveram pacificamente com tratados. Não vai longe as terríveis batalhas do século XIV :
- Batalha dos Atoleiros, a 6 de Abril de 1384;
- Batalha de Aljubarrota,  no final da tarde de 14 de Agosto de 1385 - em que, com muito sofrimento e perda de vidas humanas, tivemos que defender terminantemente o nosso território e identidade nacionais, ambas comandadas pelo então jovem D. Nuno Álvares Pereira.

Ouvia-se o eco das carriagens em movimento, daquela imensa onda de castelhanos arrasando aldeias e lugarejos, tudo destruindo e também o som ensurdecedor dos trons, armas diabólicas que podem matar, à distância, vários homens ao mesmo tempo.

    Tudo isto foi contado através do tempo, transmitido por aqueles que estiveram e sobreviveram às contendas.
    Os dois reinos voltam a não se entender e a causa tem ligeiras semelhanças com a que deu origem à desavença em 1427. Uma questão provocada pela sucessão ao trono de Castela.
    O rei de Leão e Castela, Enrique IV, alcunhado de “El Impotente”, casou em segundas núpcias com a irmã mais nova de D. Afonso V, D. Joana. Deste casamento nasceu a infanta também de nome Joana, que dizem as más-línguas ser filha de D. Beltran de la Cueva, Duque de Alburquerque - Badajoz e valido do rei. Verdade, ou não, a princesa é conhecida em toda a Castela por Joana a Beltraneja.

    Enrique IV e sua mulher por mais de uma vez declararam a legitimidade da filha, e no testamento do rei castelhano, consta-se que entregou ao cunhado a protecção da sua herdeira, com quem o convida a casar, assim como a defesa e governo dos seus reinos.
    No entanto, a irmã de Enrique IV, Isabel, filha como ele de D. João II de Castela, mas sendo a mãe a portuguesa, também de nome Isabel, filha do Infante D. João de Portugal, a quem corre nas veias sangue de Nuno Álvares Pereira, é uma mulher inteligentíssima e decidida.
    Sem autorização e conhecimento do irmão casa com o príncipe aragonês D. Fernando.
    Quando em Dezembro de 1474 morre Enrique IV é aclamada rainha na maior parte do reino de Castela.
     A D.Isabel e D. Fernando chamam-lhe hoje os reis católicos de “Hespanha”, pois eram pessoas muito dedicadas à religião.

     Diziam muitos judeus e outros tantos infiéis que por aqui passaram muitos perseguidos, fugidos, dado que, muitos outros têm ardido - pela mão de Torquemada - em grandes fogueiras à ordem de um tribunal a que chamaram da Santa Inquisição, pedido por estes reis de Espanha, ao Papa Sixto IV para combater as heresias que minavam o reino.

    Mas perante o desenrolar dos acontecimentos provocados pela morte de Enrique IV, o seu cunhado D. Afonso V decide intervir na sucessão do reino vizinho, em defesa de sua sobrinha e prometida, D. Joana, que se vê também aclamada em muitas praças ao longo da fronteira com Portugal.
    Assim principia uma guerra confusa que durará quatro anos, de 1475 a 1479, em que se deu a célebre batalha de Toro a 1 de Março de 1476, na qual o porta-bandeira português, chamado Duarte de Almeida, decepado gravemente das mãos, a segura com os dentes e com o que lhe resta dos membros, levantando o ânimo das tropas portuguesas.
De tudo o que foi ouvido contar, ainda não se percebeu quem saiu vitorioso dessa batalha, mas a guerra, politicamente, foi-nos desfavorável, pois no trono de Castela ficou sentada D. Isabel de Espanha.
     Ouguela, como praça portuguesa que era, alinhou pelo partido da sobrinha do rei de Portugal, D. Joana, a Excelente Senhora.

     Além da batalha de Toro os recontros resumiram-se a escaramuças fronteiriças, embora algumas delas tenham ficado célebres por factos como o que se passa imediatamente a relatar:
    Voltemos, então, ao ano de 1475:

    Ia uma Primavera escaldante naquele ano. Não chovia gota de água há meses, quem se lembrasse desse Novembro passado, os últimos Invernos passariam despercebidos. Fontes e poços começam a secar. Felizmente a cisterna do terreiro do castelo tinha suficiente água. O alcaide, João da Silva, mandou racioná-la. Temia, com certeza, que um cerco prolongado nos deixasse sem água, o que seria desastroso.
    Esse alcaide era um grande capitão. Por isso o rei o nomeou, também, camareiro-mor do príncipe D. João. Era um homem generoso, justo e avisado.
    Desde o início do mês de Abril obrigou todo o povo das cercanias a recolher-se no interior da muralha a partir do pôr-do-sol. Receava um ataque vindo de Alburquerque, praça castelhana postada do outro lado da fronteira cerca de duas léguas – em dias de boa vista parecia estar mais perto – e que tinha forte guarnição militar.

    Acima de tudo João da Silva queria estar em guarda e proteger a população que nada tinha a ver com aquela guerra.
    Foi ouvido, há dias, dizer para o Prior da Igreja de N.ª S.ª da Graça e para o Capitão da guarda: «não quero que esta gente seja molestada por querelas que lhe não dizem respeito, nem entende. Nós, soldados, estamos aqui para obedecer e defender o nosso rei e senhor D. Afonso; essa é a nossa obrigação de soldados e tudo faremos para que assim seja».
    Retorquiu-lhe o Prior: «Deus Nosso Senhor vai pôr cobro rapidamente a esta contenda e se isso não acontecer será, certamente, para sua maior glória e...»
    Interrompeu-lhe o discurso o alcaide e replicou: «nunca perceberei como é que uma guerra pode servir para glória de alguém, ou do que quer que seja!»
    Era assim João da Silva, um homem directo, determinado, sem papas na língua. Tinha razão nas suas conjecturas em relação a Alburquerque.
    Tem esta vila da Estremadura Espanhola, também um valente alcaide: Juan Fernandez Galindo, 3.º Mestre de Alcântara, homem experimentado na arte militar, rijo como o metal da armadura que enverga para combater mas sempre pronto a auxiliar quem lhe bate à porta.

    Em Alburquerque ninguém conhece o rosto da fome e não há viajante que fique a dormir debaixo das estrelas. A todos acolhe e enche o estômago.
    Também não há malfeitor que se aventure por aquelas bandas, pois arrisca-se a, num abrir e fechar de olhos, dançar morto na ponta de uma corda, suspenso da arrepiante altura da torre de menagem.
Juan Fernandez Galindo mandara aprontar para combate a tropa sediada em Alburquerque mas nem ao seu Capitão da guarda dera conta das suas intenções.
    O dia amanhece solarengo naquele 6 de Maio de 1475. Vai fazer muito calor. Quando os primeiros raios de sol chegam à praça de armas de Alburquerque um pequeno exército está pronto para qualquer eventualidade, esperando que o seu comandante apareça à porta principal da alcáçova.
    Este é um dia especial para o alcaide Galindo. O seu filho mais novo, Pedro Fernandez Galindo, com apenas catorze anos de idade, feitos naquele dia, e contra a vontade de sua mãe, está entre os cavaleiros que o vão acompanhar na expedição militar a Ouguela.
Esta saída é outro motivo de orgulho que sente naquela hora. Nunca se tendo encontrado frente a frente com João da Silva, conhece bem o alcaide de Ouguela. Por várias vezes o avistou do outro lado da raia, junto ao rio Xévora, em episódios de caça ao javali.

Sabe da valentia e nobreza do seu adversário que não é homem de vergar.
    É neste estado de espírito que Juan Fernadez Galindo se dirige aos seus homens de armas:
«El rey de Portugal ha invadido nuestros Reinos de Castilla y Leon para quitar el trono a nuestra reyna y señora Doña Isabel y poner en su lugar a su sobrina Doña Juana.
La mayoría de las plazas del Reino, al igual que lo hicimos nosotros, después de la muerte del rey Enrique, han proclamado inmediatamente a Doña Isabel y a su marido, Don Fernando de Aragón, como sus legítimos Reyes. He decidido que nos vamos hoy a Ouguela para delimitar bien la soberanía de Castilla y devolver esa ciudad a nuestro Reino. Esa es nuestra misión. Que nos guíe la Virgen y su hijo Cristo Rey».
    Em Ouguela essa manhã de 3ª feira, 6 de Maio de 1475, também acorda sorridente, adivinhando um dia quente.
Abre-se a porta de armas ainda de madrugada, para deixar sair um correio a caminho de Évora, onde se encontra o príncipe D. João, relatando-lhe João da Silva as suas últimas suspeitas sobre as movimentações de tropas castelhanas ao longo desta parte da fronteira.
Alguns homens de sua confiança, espiões colocados estrategicamente em terra castelhana, informam-no com rapidez do que por ali se vai passando.
Ainda há poucos dias teve notícias de D. Afonso V e sua hoste já dentro de Castela, a caminho de Plasencia de Cáceres, ao encontro de sua sobrinha D. Joana.

Soube, também, que o rei português não tem sido importunado na sua marcha, a não ser por alguns provocadores que quando a tropa portuguesa lhes deita a mão ficam a baloiçar na árvore mais próxima.
    Nessa manhã, igual a tantas outras, o alcaide encontra-se bem cedo na Igreja Paroquial a ouvir missa. O silêncio habitual na casa de Deus é cortado, subitamente, por passos apressados que enchem os ouvidos dos devotos e denunciam preocupação e alarme.
João da Silva sabe imediatamente que qualquer coisa de anormal acontece e ao virar-se na direcção do som tem a seu lado o Capitão da guarda Álvaro Pais.
-Tendes, com certeza, Álvaro Pais grave motivo para interromper as minhas orações e até adivinho o que me vindes dizer, atirou o alcaide ao seu homem!
A boca de Álvaro Pais, presa de estupefacção, não articula palavra e o alcaide adianta: -temos visitantes?
-É isso mesmo senhor ressoa a voz grave do Capitão por todo o Templo, abafando as preces do Prior e fiéis. D. Juan Galindo encontra-se a trote à frente dos seus homens de armas e dirigem-se para aqui.

Mal o dia começou a clarear, a sentinela da torre maior viu grande poeirada para os lados de Alburquerque. Como a terra anda cheia de pó e há vento, pensou que era um daqueles remoinhos habituais nesta altura do ano, sossegou. Pouco tempo depois, ao enxergar outra vez na mesma direcção, estranhou continuar no ar aquela mancha de poeira. Foi então que percebeu a sua causa...
Agora vêem-se bem. São cerca de cem cavaleiros e quinhentos peões, comandados pelo próprio D. Galindo. Vêm armados até aos dentes, Senhor!
    De um pulo o alcaide de Ouguela está fora da Igreja a subir as escadas da torre de menagem e não fica com dúvidas sobre as intenções do grupo.
   À nuvem de pó, que denuncia os castelhanos é agora uma enorme cortina acastanhada que se vai refazendo, junta-se, passado algum tempo, a onda sonora do movimento da coluna: a zoada, mistura-se com vozes, trotear, relinchos, passos apressados e sons metálicos.
Já encandeiam as luzes de mil sóis reflectidos por elmos e escudos e tudo isto é nítido, provocando dentro do peito de quem espera um eco compassado ao ritmo da aproximação.
    Em Ouguela fecha-se a porta de armas e há grande azáfama adentro muros. Fazem-se os últimos preparativos para receber os de Alburquerque, já que o plano de defesa da vila há muito está ensaiado pelo seu comandante.

    João da Silva, trajado para combate, volta à torre de menagem e não tira os olhos do cavaleiro que encabeça a hoste: Juan Galindo.
Sabe de cor o português ao que vem o castelhano. Adivinha-lhe o estado de alma, o olhar desafiante, a tensão de cada músculo do seu corpo, o desejo ardente de combate...
O aspecto imponente daquele homem condiz com tudo o que dele lhe contam. Vai, por certo, aceitar o seu desafio!
    O comandante castelhano sente-se, por seu lado, observado e repara naquela silhueta imóvel, postada no alto da torre principal da fortaleza de Ouguela. Ali reconhece o mesmo homem que algumas vezes avistara junto à linha fronteiriça, até onde, por vezes, vem correr da caça.
    Já muito perto do Castelo fica pasmado D. Galindo com um acenar amigável do seu opositor e mais ainda quando percebe que o mesmo lhe indica que irá sair, sem escolta, ao seu encontro, para com ele chegar à fala.
«O português é homem valente, não há dúvida. Ele e os seus homens estão ali para assaltar Ouguela, pelo que esperava tudo menos aquela recepção».
Fica curioso, cogitando sobre as intenções de João da Silva. «Vindo sem escolta, para palestrar, é porque se dispõe a propor-lhe qualquer acordo e sabe que ele é homem para ouvir. O plano do cerco ao castelo está arquitectado e pode ser executado a qualquer momento, pelo que não há pressas. Deve ouvir o que o alcaide português tem para dizer».
    D. Galindo faz sinal ao seu Capitão da guarda para que mande parar a tropa.
Homens e animais estão sequiosos, cobertos de pó, recebendo com agrado a ordem de suspender a marcha, param.
Depois, ele próprio dá instruções muito precisas: «Voy al encuentro del comandante portugués que desea encontrarse conmigo a solas. Hasta que yo vuelva mantendréis esta posición y bajo ninguna circunstancia la abandonaréis.»

Chega o castelhano junto ao morro da vila no preciso momento em que o português sai fora muros. Estão desarmados os dois homens. As armas, por agora, não vão ser necessárias.
Soldados e população apinham-se entre ameias para assistir ao encontro que também é seguido com atenção pelos de Alburquerque.
Estancam os dois cavaleiros a menos de dez metros, um do outro e olham-se com respeito. Parece que ambos aprovam o inimigo que têm pela frente.
    Juan Galindo quebra o silêncio: «Señor Don João da Silva, mis intenciones son claras. No he entrado en tierras portuguesas para venir a pasear. Estoy aquí por expreso deseo de mí reina y señora, Doña Isabel, para tomar a ciudad de Ouguela y devoverla a nuestro reino de Castilla. Sin embargo he recibido vuestro ofrecimiento y, antes de ordenar a mis hombres que ataquen el castillo, quiero oír vuestras palabras».

    João da Silva ouviu impassível, o comandante castelhano, sem deixar escapar do seu rosto qualquer emoção. Depois, com voz calma e pausada respondeu: «D. Juan Fernandez Galindo, pois sei muito bem a razão da vossa vinda. Mas, aviso-vos, estais aqui em vão!
Não conseguireis entrar em Ouguela para cumprir o desejo de vossa rainha, a Senhora D. Isabel. A isso me vou opor!
Estamos fornecidos de água e mantimentos com fartura, pelo que vos podemos massacrar ali de cima por longo tempo.
Mas sei que não sois homem para dar meia volta e regressar a Alburquerque.
Morrerá gente vossa e minha sem proveito para ninguém! E eu tenho dentro da muralha gente simples, que nada tem a ver com as quezílias entre o meu rei e a vossa senhora Dona Isabel.
    Por isso vos venho desafiar!
Proponho-vos um combate entre nós que ditará a sorte de Ouguela. Combateremos os dois com as nossas espadas até um de nós morrer. Os vossos soldados e os meus, assim como o povo de Ouguela, serão testemunhas do que acontecer».

    D. Galindo percebe a determinação do português. Concorda, para si, que é empreitada difícil assaltar o castelo de Ouguela., a proposta de João da Silva é prática e revela, sobretudo, grande nobreza de carácter. Que tudo se decida com a morte de um deles.
    «Haré mías vuestas palabras», respondeu Don Galindo. «Y si Dios quiere llamarme hoy a su presencia, tendré mucha honra y orgullo de morir en vuestras manos».
Naquele fim de tarde de seis de Maio de 1475 encomendam-se os dois capitães a Deus na Igreja de Nossa Senhora da Graça. Cada um reza por seus sentimentos mais íntimos, oferecendo o sacrifício de sua vida por aquela nobre causa que concordam defender.
     Terminada a oração abraçam-se os dois cavaleiros, mais parecendo irmãos de peito que inimigos, pedindo perdão um ao outro, como o algoz à sua vítima. Cumpre-se o Código de Honra, Conduta e ética do Guerreiro Medieval com o desejo divino.

    Álvaro Pais e Miguel Escobar, lugar-tenentes dos alcaides, ainda meio perturbados com o rumo dos acontecimentos, fazem os últimos preparativos para a liça. Escolhem um terreiro apropriado, com bastante espaço para dispor tropas e gente curiosa.
     Estão prontos para combater os dois homens. Juan Galindo beija o filho Pedro, balbuciando qualquer coisa que ninguém ouve mas todos pressentem o que lhe terá segredado.
    Este combate decorre em silêncio! Talvez a léguas se oiça o som das espadas cruzando ares, cintilando uma sobre a outra.

   Arremetem uma e outra vez os dois cavaleiros, ferozmente, defendendo, cada escudo as tremendas espadeiradas desferidas. O castelhano mete a ponta da espada na axila direita do português, que a tinha a descoberto para infringir mais um ataque. Dobra-se de dor João da Silva mas logo recupera forças e atira potente estocada a D. Galindo que é atingido, gravemente, no baixo-ventre.

   Golpe atrás golpe ferem-se, mortalmente, João da Silva Português e Galindo Castelhano. Este está inerte, abraçando o pescoço da montada, não recobra fôlego. João da Silva apeia-se, vacilando, vai com muito custo até junto do seu companheiro de lide e, levantando-lhe a viseira, compreende que o duelo está terminado. Imediatamente cai exausto, inanimado.
    A hoste invasora regressa a Alburquerque em cortejo fúnebre, transportando o cadáver do 3.º Mestre de Alcântara.
    Em Ouguela, vinte e oito dias depois, morre o nobre alcaide João da Silva devido aos graves ferimentos recebidos da espada de seu valente adversário.
    A vila continua portuguesa, à excepção de Olivença.

De Luís  Galhardas, - in visita a Ouguela
Revisto e recomposto/JMBD

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