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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CARLOS MAGNO

IMPERADOR DO OCIDENTE

(N.?, 742 – F. Aix-la-Chapelle, 814)
Durante o reinado de Carlos Magno (768-814), a Europa experimentou um notável desenvolvimento cultural que se tornou conhecido sob o nome de “Renascimento Carolíngio”. Rei dos Francos e imperador do Ocidente. É o filho mais velho de Pepino, o Breve, que quando morre em 768 reparte os seus reinos entre os dois filhos: Carlos Magno e Carlomano. Ao primeiro correspondem a Austrásia, Nèustria e Aquitânia Ocidental e, ao segundo, Borgonha, Provença, Aquitânia Oriental, Gótia, Alamânia, Turíngia e Hesse. Os dois irmãos não se dão bem; quando morre Carlomano, Carlos Magno fica como único rei.

               Os factos que merecem destaque no reinado de Carlos Magno são de índole militar e religiosa. Os primeiros feitos de armas importantes de Carlos Magno são as expedições a Itália, contra Desidério,  duque da Toscânia, também conhecido como Didier da Ístria  (710 - 786), último rei lombardo que reinou desde 756 e cuja filha, Desiderata, repudia por ter casado em 768 como segunda esposa de Carlos Magno.  Contando com o apoio do Papa Adriano I, Carlos Magno faz uma primeira expedição em 773. Desidério vê-se bloqueado em Pavia e rende-se 774; o monarca italiano retira-se para um convento e Carlos Magno assume o título de rei da Lombardia. Em três sucessivas expedições (anos de 776, 780 e 786), Carlos Magno conquista o reino e submete o ducado de Benevento.
   
                As guerras de Carlos Magno em Espanha têm mais interesse literário que político ou bélico. Aproveita as rivalidades entre os reis árabes, em 778 cruza os Pirenéus e ataca Pamplona. Ao regressar desta expedição, Roldano, conde da Bretanha, que comanda a retaguarda da expedição, é atacado e vencido em Roncesvales pelos Vascões. Posteriormente, as tropas francas fazem incursões contra as Baleares (799) e contra Barcelona (801).
   
                As guerras contra os Saxões são intermináveis. A primeira expedição data de 772. Ostefália e Vestefália submetem-se em 775. Em 777 começam os primeiros baptismos de saxões. Carlos Magno chega até ao rio Elba em 780. Em 781 organiza Saxe e, em 782, começam as sublevações. Carlos Magno emprega então métodos de repressão sumamente rigorosos: segundo a tradição, próximo de Verdun faz degolar quatro mil e quinhentos saxões. A insurreição então generaliza-se. Carlos Magno e os seus comandos insistem e, em 785, Widukindo submete-se e recebe o baptismo em Attigny. Contudo, os levantamentos sucedem-se. Em 804 Carlos Magno passa o Elba.

Após os saxões tem que combater os bávaros. O seu chefe é Tassilo (ou Tassilão III), primo de Carlos Magno. Em 787, o rei franco toma Augsburgo, e Tassilo humilha-se perante o seu vencedor. Mas volta a levantar-se; vencido de novo, retira-se para o Mosteiro de Jumièges. Os Ávaros continuam uma sangrenta guerra contra Carlos Magno; estão instalados nas planícies húngaras. A campanha de 791 é terrível. Em 796 o seu chefe, Tudun, submete-se e é baptizado em Aquisgrano. Volta a rebelar-se e é definitivamente vencido em 804.
                                                                                                                                                                          
                Em todas estas lutas Carlos Magno está sempre apoiado pelo papa Adriano I e, à morte deste (795), pelo seu sucessor, Leão III. No dia de Natal do ano de 799, Leão III coroa Carlos Magno imperador na Basílica de S. Pedro. Carlos Magno quer ser único imperador, mas o imperador de Constantinopla não está disposto a deixar arrebatar as suas prerrogativas. Constantinopla está demasiado longe para fazer a guerra ao seu imperador e, além dos Venezianos, únicos donos de uma frota capaz de transportar as tropas francas, já praticam a sua hábil política de não se comprometerem. O mais que Carlos Magno consegue, por mediação do papado, é que Constantinopla o reconheça como imperador, e vice-versa.
   
                Também trava relações com Harun al-Rashid, califa de Bagdade. A primeira embaixada de Carlos Magno data de 797. Destas relações procedem os primeiros estabelecimentos francos na Terra Santa, onde Carlos Magno faz fundar mosteiros e um hospital de peregrinos. A embaixada de Harun al-Rashid leva a Carlos Magno um elefante, um relógio mecânico e as chaves do Santo Sepulcro.
  
                Ao falar do governo de Carlos Magno há que esquecer por completo qualquer ideia moderna a ele respeitante.

 Na realidade Carlos Magno não governa nem administra. Limita-se a exercer uma supremacia militar e religiosa. Por exemplo, após esmagar os Saxões, tê-los forçado a baptizarem-se e tê-los aparentemente dominado, faz redigir os seus usos e costumes em presença dos seus delegados, e estes costumes convertem-se em leis. Actua assim em todo o lado. A sociedade organiza-se e administra-se por si mesma sob o comando de múltiplos poderes locais constituídos em virtude do desenvolvimento das famílias. Tal é a origem do feudalismo. Os representantes vitalícios de Carlos Magno são os bispos e os condes, e o cargo destes últimos é hereditário. Assim, Carlos Magno cede às necessidades da organização social, recomenda ao filho não privar ninguém da sua «honra» sem motivos sérios. Também dispunha dos missi dominici (enviados do senhor), mas, dadas as dificuldades das comunicações, a sua actividade é certamente embrionária. Não é surpreendente a rapidez com que se desfaz o trabalho do grande imperador; a sua obra é superficial, o seu poder é o de um mero chefe militar.
   
                O reinado de Carlos Magno caracteriza-se por uma espécie de renascimento das letras e das artes por causa do enérgico impulso do imperador. Alcuíno de York é o director da escola instalada no próprio palácio de Carlos Magno. A partir dali Alcuíno exerce uma grande influência sobre o movimento teológico, científico e literário da época.

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