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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

VLAD III, O EMPALADOR E A LENDA DE DRÁCULA (video)



Vlad III, Príncipe da Valáquia, nasceu em Sighişoara, no ano de 1431 e faleceu em Bucareste no mês de Dezembro de 1476, conhecido como Vlad, o empalador, em romeno: Vlad Ţepeş, ou Drácula, foi príncipe da Valáquia por três vezes, governando a região em 1448, de 1456 a 1462 e em 1476.
O seu sobrenome romeno, Drácula, também Draculea e Drakulya, usado para designar Vlad em diversos documentos, significa "filho do dragão", e refere-se ao seu pai,  Vlad Dracul, que recebeu este apelido dos seus súbditos após ter-se juntado à Ordem do Dragão,  uma ordem religiosa criada pelo sacro imperador romano germânico de Sigismundo do Luxemburgo, também dito Sigismundo da Germânia no ano de 1431. 

Dracul, que vem do latim draco "dragão", que significa "diabo" no romeno actual.
O seu apelido depois da morte, de Ţepeş "Empalador" teve origem no seu hábito de matar os inimigos através do empalamento, uma prática popularizada por diversos panfletos medievais na Transilvânia. Em turco era conhecido como Kazıklı Voyvoda ou Kazıklı Bey, ou "Príncipe Empalador".
Bey ou beg é um título nobiliárquico de origem turca, adoptado por diferentes governantes dentro dos territórios dos antigos Impérios Seljúcida e Otomano. Um Beylik era um território governado por um bey que foi o título dos monarcas na Tunísia.

Historicamente Vlad é mais conhecido pela sua política de independência em relação ao Império Otomano,  cujo expansionismo sofreu a sua resistência, e pelas punições excessivamente cruéis que impunha a seus prisioneiros.  É lembrado por toda a região como um cavaleiro cristão que lutou contra o expansionismo islâmico na Europa, e é ainda hoje um herói popular na Roménia e na República da Moldávia.
No mesmo tempo que Vlad III se tornou famoso pelo seu sadismo, era respeitado pelos seus cidadãos como guerreiro, pela sua ferocidade contra os turcos, e como governante que não tolerava o crime entre a sua gente. Durante o seu reinado, ergueu grandes mosteiros.

Fora da Roménia, o voivoda é célebre pelas atrocidades contra os seus inimigos e que teriam sido a inspiração para o conde Drácula, vampiro de Drácula do romance de  1897 do escritor irlandês Bram Stoker.
Após a invasão da Valáquia pela Hungria, em 1447 Vlad II e o seu filho mais velho Mircea foram assassinados. Em 1456, Vlad Tepes retornou à região e retomou o controlo das terras, assumindo novamente o trono de Valáquia. Esse retorno tardio de Vlad III teria confundido os moradores da região, que pensaram ser Vlad II que tinha retornando anos depois da sua morte. Isso teria ajudado a criar a lenda de sua imortalidade.

Em 1462, Vlad Tepes perdeu o trono para o seu irmão Radu, que se havia aliado aos turcos. Preso na Hungria até 1474, Vlad III morreu dois anos depois, tentando recuperar o trono da Valáquia.
Vlad III foi exilado das suas terras por um breve período em 1448, de 1456 a 1462 e por duas semanas no ano da sua morte em 1476.
O trono de Valáquia era hereditário, mas não seguia a lei do primogénito. Os nobres tinham o direito de escolher entre os membros da família real quem seria o sucessor. A família real dos Basarab, fundada por Basarab, o Grande (1310-1352), dividiu-se por volta do final do século XIV. Os dois clãs resultantes, rivais entre si, foram formados pelos descendentes do Voivoda Dan e pelos descendentes do Voivoda Mircea Bătrân, também conhecido por Mircea, o Velho (avô de Vlad III).

A situação política na Valáquia continuou instável depois de Vlad Dracul ascender ao trono em 1436. O poder dos Turcos estava crescendo rapidamente enquanto cada um dos pequenos estados dos Bálcãs se rendiam ao massacre dos Otomanos. Ao mesmo tempo o poder da Hungria atingia o seu apogeu e, assim o faria durante o tempo de João Corvino (Hunyadi János), o Cavaleiro Branco da Hungria, e seu filho, o rei Matias Corvino. Qualquer príncipe da Valáquia teria que balancear as suas políticas precariamente entre esses dois poderosos países vizinhos.

O príncipe da Valáquia era oficialmente um subordinado ao rei da Hungria. Também Vlad Dracul era um membro da Ordem do Dragão, tendo jurado lutar contra os infiéis. Ao mesmo tempo o poder dos Otomanos, desde 1299, parecia não ser possível deter, como de facto não foi, só cairia em 1922 após a 1ª guerra mundial 1914/18. Mesmo no tempo do pai de Vlad II, Mircea, o Velho, a Valáquia era forçada a pagar tributo ao Sultão. Vlad foi forçado a renovar esse tributo e de 1436 a 1442 tentou estabelecer um equilíbrio entre os seus poderosos vizinhos.
Em 1442 Vlad tentou permanecer neutro quando os turcos invadiram a Transilvânia.

Os Turcos foram vencidos e os vingativos húngaros, sob o comando de Hunyadi János forçaram Dracul e a sua família a fugir da Valáquia. Hunyadi colocou um Danesti, Basarab II, no trono valaquiano. Em 1443 Vlad II retomou o trono da Valáquia com suporte dos Turcos, desde que ele assinasse um novo tratado com o Sultão que incluiria não apenas o costumeiro tributo, além de outros favores. Em 1444, para assegurar ao sultão de sua boa-fé, Vlad II mandou os seus dois filhos mais novos para Adrianopla como reféns. Draculea permaneceu refém em Adrianopla até 1448.
Em 1444 o rei da Hungria, Ladislas Poshumous, quebrou a paz e enviou o exército de Varna sob o comando de João Corvino (Hunyadi János) num esforço para manter os turcos longe da Europa.

Hunyadi ordenou que Vlad II cumprisse os seus deveres como membro da Ordem do Dragão e súbdito da Hungria e se juntasse à cruzada contra os Turcos. O Papa absolveu Dracul do compromisso Turco, mas, como político, ainda queria alguma coisa. Ao invés de se unir às forças cristãs ele mandou o seu filho mais velho, Mircea. Talvez ele esperasse que o sultão poupasse os seus filhos mais novos se ele pessoalmente não se juntasse à cruzada.
Os resultados da Cruzada de Varna são bem conhecidos. O exército cristão foi completamente destruído na Batalha de Varna. João Hunyadi conseguiu escapar da batalha sob condições que acrescentaram pouca glória à reputação dos Cavaleiros Brancos.

Muitos, aparentemente incluindo Mircea e seu pai, culparam Hunyadi pela cobardia. Deste momento em diante João Hunyadi foi amargamente hostil em relação a Vlad Dracul e ao seu filho mais velho. Quando em 1447 Vlad Dracul II foi assassinado juntamente com seu filho Mircea, este foi enterrado vivo pelos burgueses e mercadores de Targoviste. Hunyadi que colocaram um candidato, um membro do clã Danesti, no trono da Valáquia.
Em 1448 Draculea conseguiu assumir o trono valaquiano com o apoio turco. Porém, em dois meses Hunyadi forçou Draculea a entregar o trono e fugir para jundo do seu primo, o príncipe da Moldávia, enquanto Hunyadi mais uma vez colocava Vladislav II no trono valaquiano.
Draculea permaneceu em exílio na Moldavia por três anos, até que o Príncipe Bogdan da Moldávia foi assassinado em 1451.

O tumulto resultante na Moldávia forçou Draculea a fugir para a Transilvânia e buscar protecção com o inimigo da sua família, Hunyadi. O tempo era ideal; o fantoche de Hunyadi no trono valaquiano, Vladislov II, instituiu uma política a favor da Turquia, e Hunyadi precisava de um homem mais confiável na Valáquia. Consequentemente, Corvino aceitou a aliança com o filho de seu velho inimigo e colocou-o como candidato da Hungria para o trono da Valáquia. Draculea tornou-se súbdito de Hunyadi e recebeu os antigos ducados da Transilvânia que eram de seu pai, Faragas e Almas.

Draculea permaneceu na Transilvânia, sob a protecção de Hunyadi, até 1456 esperando por uma oportunidade de retomar Valáquia do seu rival.
Em 1453 o mundo cristão chocou-se com a queda final de Constantinopla para os Otomanos. O Império Romano do Oriente que existiu desde o tempo de Constantino, o Grande, e que por mil anos protegeu o resto dos cristãos do Islão não existia mais. Hunyiadi imediatamente planeou outro ataque contra os Turcos.
Em 1456 Hunyadi invadiu a Sérvia turca enquanto Draculea simultaneamente invadiu a Valáquia. Na Batalha de Belgrado Hunyadi foi morto e o seu exército vencido.

Enquanto isso, Draculea conseguiu sucesso em matar Vladislav II e tomando o trono da Valáquia, mas a derrota de Hunyadi tornou a sua protecção, por parte deste, questionável. Por um tempo ao menos Draculea foi forçado a apoiar os Turcos enquanto solidificava a sua posição.
O reinado principal de Draculea estendeu-se de 1456 a 1462. A sua capital era a cidade de Tirgoviste enquanto seu castelo foi erguido a uma certa distância, nas montanhas perto do rio Arges.
A maior parte das atrocidades associadas ao nome de Draculea tomaram lugar durante esses anos. Foi também durante esse tempo que ele lançou o seu próprio ataque contra os Turcos.

O seu ataque foi relativamente bem-sucedido inicialmente. As suas habilidades como guerreiro e sua bem conhecida crueldade fizeram inimigo temido. Entretanto, ele recebeu pouco apoio do seu senhor feudal,  Matthius Corvinus, Rei da Hungria (filho de João Hunyadi) e os recursos valaquianos eram muito limitados para alcançar algum sucesso contra o conquistador de Constantinopla.
Os Turcos finalmente foram bem-sucedidos em forçar Draculea a fugir para a Transilvânia em 1462. Foi dito que a primeira esposa de Draculea cometeu suicídio pulando das torres do castelo de Draculea para as águas do rio Arges ao invés de se render aos Turcos. Draculea fugiu pelas montanhas em direcção à Transilvânia e pediu ajuda a Matthius Corvinus. Ao invés disso, o rei prendeu Draculea e aprisionou-o numa torre por 12 anos.

Aparentemente o seu aprisionamento não foi oneroso. Ele foi capaz de gradualmente ganhar as graças da monarquia húngara, tanto que ele conseguiu casar e tornar-se um membro da família real (algumas fontes clamam que a segunda esposa de Draculea era na verdade a irmã de Matthius Corvinus). Durante o seu aprisionamento Draculea também renunciou à fé Ortodoxa e adoptou o Catolicismo. É interessante notar que a narrativa russa dessas histórias, normalmente favoráveis a Draculea, indicavam que mesmo durante sua prisão Draculea não desistiu de seu passatempo preferido: ele costumava capturar pássaros e ratazanas que torturava e mutilava - alguns eram decapitados, esfolados e soltos, e muitos eram empalados em pequenas lanças.

Em 1476 Draculea mais uma vez estava pronto para atacar. Draculea e o príncipe István Báthory invadiram a Valáquia com uma força mista da Transilvânia, alguns burgueses da Valáquia insatisfeitos e um contingente de moldávios enviados pelo primo de Draculea, Príncipe Estêvão, o Grande da Moldávia. O irmão de Draculea, Radu, o Belo, havia morrido alguns anos antes e substituído por um candidato ao trono apoiado pelos Turcos, Basarab, o Velho, membro do clã Danesti. Enquanto o exército de Draculea se aproximava, Basarab e sua corte fugiram, alguns buscando protecção dos Turcos, outros para os abrigos das montanhas. Depois de colocarem Draculea de volta no trono, Stephan Bathory e as outras forças de Draculea voltaram à Transilvânia, deixando a posição táctica de Draculea muito enfraquecida. Draculea teve muito pouco tempo para ganhar apoio antes que um grande exército turco invadisse a Valáquia determinado a devolver o trono a Basarab.

Aparentemente mesmo os plebeus, cansados das depredações do empalador, abandonaram-no à sua própria sorte. Draculea foi forçado a lutar contra os Turcos com pequenas forças à sua disposição, algo em torno de menos de quatro mil homens.
Draculea foi morto em batalha contra os turcos perto da pequena cidade de Bucareste em Dezembro de 1476. O corpo de Draculea foi decapitado pelos Turcos e a sua cabeça enviada a Constantinopla, onde o Sultão a manteve em exposição numa estaca como prova de que o empalador estava morto.

Ele foi enterrado em Snagov, uma ilha localizada perto de Bucareste. Em 1931, quando arqueólogos escavaram o túmulo, não encontraram nada, apenas ossos de animais, o que contribuiu para o mistério que envolve ainda a lenda do Conde Drácula.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

JOÃO SEM MEDO



A dinastia Capetiana, também Capetíngia, foi a família real que governou a França durante mais de oitocentos anos. Deveu o seu nome à alcunha do fundador, Hugo, Duque de Francia. Hugo era denominado Capeto por causa da capa curta que sempre ostentava por ser abade secular em  St. Martin de Tours. Como se tratava do mais importante vassalo de Luís V de França, Hugo conseguiu fazer-se eleger rei quando da morte de Luís, em 987.

D. Henrique de Borgonha, nasceu em 1066  em Astorga,  foi conde de Portucale desde 1093 até à sua morte. Em Portugal é conhecido, geralmente, por Conde D. Henrique. Pertencia à família ducal da Borgonha, sendo filho de Henrique, herdeiro do duque Roberto I com Beatriz ou Sibila de Barcelona, e irmão dos também duques Odo I e Hugo I. Sendo um filho mais novo, D. Henrique tinha poucas possibilidades de alcançar fortuna e títulos por herança, tendo por isso aderido à Reconquista da Península Ibérica. Ajudou o rei Afonso VI de Leão e Castela a conquistar o Reino da Galiza, recebendo como recompensa pelos seus serviços o casamento com a filha ilegítima do monarca, Teresa de Leão (pais de D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal)

JOÃO SEM MEDO, duque francês da Borgonha, nasceu a 28 de Maio de 1371, em Dijon, e faleceu a 10 de Setembro de 1419, assassinado na ponte de Montereau. Era filho de Filipe, o Atrevido, duque da Borgonha, e da sua mulher Margarida III da Flandres, pertencendo à Casa capetíngia dos Valois. Teve como irmãos António, duque de Brabante, Filipe, conde de Nevers, Margarida, condessa de Ostrevent, Catarina e Maria. Em 1384 tornou-se conde de Nevers, tendo em 1404 oferecido o título ao seu irmão Filipe. Inicialmente noivo de Catarina de Valois, filha de Carlos V de França, acabou por casar em 1385 com a filha de Alberto da Baviera, Margarida, com quem teve o futuro Filipe III da Borgonha, além de sete filhas: Catarina, Maria, Margarida, duquesa da Guyenne, Isabel, Joana, Ana e Inês.

Foi um dos cruzados que se bateram contra os Turcos de Bayezid I na campanha liderada por Sigismundo da Hungria, tendo sido preso em Nicópolis no ano de 1396 e libertado contra resgate no seguinte ano. Foi no decurso das suas actividades militares que ganhou o cognome com que seria conhecido, "Sem Medo". Voltou a França depois da libertação, tornando-se duque da Borgonha em 1404, com a morte do seu pai, e conde da Flandres e de Artois no ano subsequente, por morte da sua mãe. Cedo se acenderam os conflitos com o irmão mais novo do rei Carlos VI de França, Luis de Orleães, pois a demência do rei exigia que as rédeas do comando fossem entregues a outra pessoa.

João Sem Medo acabou por conseguir a guarda do Delfim francês, o que lhe conferiu um notável poder, e terminou com o seu rival Luís de Orleães em 1407, mandando-o assassinar em Paris. O duque da Borgonha foi perdoado deste crime pelo rei de França no Tratado de Chartres, datado de 9 de Maio de 1409. João I da Borgonha participou nas negociações de paz com o rei Henrique V de Inglaterra, que tinha invadido o território francês, mas não participou na batalha entre as duas facções em Agincourt (1415), onde morreram dois dos seus irmãos, Filipe e António. Em 1417 tomou a cidade de Paris e declarou-se protector do rei Carlos VI, vendo-se o Delfim (futuro Carlos VII) obrigado a fugir. Este pediu um encontro de reconciliação com o duque da Borgonha em 1419, na ponte de Pouilly, encontro este que se seguiria de um outro para firmar a paz também a pedido do Delfim, a 10 de Setembro na ponte de Montereau. Foi neste último que João Sem Medo foi assassinado, tendo sido enterrado na sua cidade natal.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A ARMADA INVENCÍVEL (vídeo)


Poderosa frota com a qual Filipe II, em 1588, tentou invadir a Inglaterra pelo Canal da Mancha. Apesar da significativa superioridade numérica espanhola, a armada foi derrotada pelos navios ingleses. Esta vitória abriu caminho ao poderio naval e colonial da Inglaterra. Filipe II, rei de Espanha, Portugal e dos Países Baixos, filho de Carlos V e de Isabel de Portugal, desde sempre se afirmou como fervoroso católico, defendendo a sua fé mais pela força das armas do que por qualquer via mais pacífica.

Aliando-se constantemente às mais diversas facções de cariz católico, intrometeu-se por diversas vezes na política interna de outros países em nome da luta contra o protestantismo ou da fidelidade a Roma, tendo como objectivo a pretensão a tronos europeus. Esta aspiração imperialista lançou a monarquia espanhola numa rota de colisão com uma potência emergente na Europa, governada por uma rainha dura e arreigadamente protestante, à procura do domínio geopolítico do mundo: a Inglaterra de Isabel I.

Após a feroz perseguição de Isabel de Inglaterra aos católicos e a extinção ou abolição dos privilégios e instituições destes nos seus domínios, cuja expressão máxima foi a execução de Maria Stuart e do conde de Essex, aliados das nações fiéis a Roma, aliadas à imposição do anglicanismo como religião oficial no seu país, para além do apoio militar que deu - sem sucesso - aos revoltosos protestantes das províncias dos Países Baixos sob jugo espanhol, Filipe II lança-se contra a soberana britânica.

Outras razões motivam, porém, este seu ódio: a marinha inglesa, em crescendo militar, era um obstáculo cada vez mais forte ao domínio absoluto dos mares por parte dos espanhóis; corsários, como Drake ou Hawkins, perseguiam e saqueavam constantemente os ricos galeões espanhóis e portugueses, no Atlântico ou no Índico. Drake terá chegado à provocação de atacar a frota espanhola baseada em Cádis, infligindo danos e afrontando a orgulhosa monarquia espanhola.

A Inglaterra ganhava uma posição cada vez mais preponderante, Filipe II decide conquistar o reino de Isabel I. Na sequência da morte no cadafalso de Maria Stuart, manda aparelhar uma gigantesca armada, como antes nunca se vira. Ao todo cerca de 200 navios, dos quais 31 eram portugueses, com perto de 20 000 homens, concentrados em Lisboa sob o comando do duque de Medina Sidónia. A esta imensa armada auguravam-se os mais retumbantes êxitos na guerra contra a Inglaterra.

A frota zarpa do Tejo a 27 de Maio de 1588, chegando em Julho ao Canal da Mancha.
Grande parte dos pilotos, marinheiros e soldados da Invencível Armada eram portugueses, apesar de serem comandados por espanhóis. Tal facto gerou controvérsia na altura, dado que os portugueses, de certo modo, não se sentiam à vontade a combater em navios do seu país e serem comandados por espanhóis, alegando uma certa ignorância dos capitães da armada espanhola quanto às artes da guerra no mar.

Os ingleses, pelo seu lado, conseguiram tomar maior proveito dos seus navios de guerra. Cada esquadra era comandada de acordo com a nacionalidade dos capitães, homens e navios. Desta forma, evitavam-se motins ou outras acções de insurreição.
No porto de Portsmouth esperava-a a armada inglesa, capitaneada por Lord Effingham, à frente de 170 velas, com cerca de 6000 homens.


No final daquele mês, iniciam-se os combates entre Portsmouth e a ilha de Wight, nos quais os espanhóis tentam impor a força do número, na expectativa da chegada de um contingente suplementar às ordens de Alexandre Farnésio, aliado de Filipe II. Nestes recontros navais, os ingleses, conhecedores do litoral da Mancha, procuram manter uma certa distância da armada espanhola, dela se esquivando de forma a evitar trocas de artilharia ou abordagens que lhes poderiam ser fatídicas, tal era o poderio bélico da frota de Filipe II de Espanha.

Alguns recontros esporádicos e mais ou menos isolados do grosso das esquadras terão ocorrido, durando esta situação sete dias. Todavia, na noite de 6 para 7 de Agosto de 1588, os ingleses comandados pelo célebre corsário Sir Francis Drake, lançam embarcações com combustível a arder contra os barcos espanhóis, conjugando o seu poder de destruição com uma previsível alteração meteorológica: de facto, caem sobre a armada de Filipe II ventos fortes que intensificam a deflagração dos incêndios e a sua propagação a outras embarcações, lançando o pânico e vulnerando a frota, com os barcos cada vez mais separados e descomandados, perante as eventuais arremetidas dos ingleses.

Estes, aliás, atacam e incendeiam os galeões espanhóis que tinham ficado incólumes à tempestade e aos incêndios, devastando ainda mais a já de si destruída frota comandada por Medina Sidónia, que se terá mostrado pouco conhecedor da guerra naval, a par de uma certa indecisão e falta de audácia que lhe eram características.
A maior parte dos efectivos militares da Armada Invencível morre ou desaparece, regressando apenas 53 embarcações a Espanha, o que deita por terra os desejos de conquista de Inglaterra por parte de Filipe II.

À destruição da maior parte do efectivo naval espanhol, tão importante para a manutenção e defesa do império ultramarino e dos seus rentáveis circuitos económicos, junta-se um grande descontentamento popular. Os ingleses, por seu lado, perdendo talvez só um navio tripulado, conquistam uma posição de força que lhes servirá de rampa de lançamento para o domínio crescente dos mares e a construção de um império que tocará todos os continentes e oceanos da Terra. Com a derrota da Armada Invencível, caía também por terra o velho princípio ibérico do “mare clausum”, pelo qual o mundo se dividia em duas partes iguais, destinado cada uma delas a um dos reinos peninsulares, que desde 1580 eram um só...

O “mare liberum” triunfa, tal como a legitimação do corso inglês, holandês e francês e a oportunidade de aparecerem novos projectos nacionais de expansão ultramarina.
A esquadra espanhola perdia assim a coesão e via-se reduzida a menos de metade dos navios, que conseguiriam escapar contornando as costas da Escócia e Irlanda, uma atribulada viagem que sofreu as tempestades de Setembro, típicas na região, que contribuíram para a decadência da frota. Esta humilhante derrota teria também grandes repercussões para Portugal.

No aspecto ultramarino como no campo meramente naval, a participação portuguesa nesta aventura filipina constituiu uma grande adversidade. Para além da constante ameaça às suas colónias e entrepostos comerciais afro-asiáticos e brasileiros desde a união ibérica de 1580. Neste confronto com os ingleses Portugal terá perdido na frota lusa a maior parte dos seus navios e centenas dos seus homens embarcados, de onde resultou o empobrecimento do reino em dinheiro e em gentes, e sofrimento prolongado devido a uma situação na qual não tínhamos qualquer responsabilidade.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A DINASTIA TUDOR



Os Tudor foram uma dinastia de monarcas britânicos que reinou em Inglaterra entre o fim da Guerra das Rosas em 1485 e 1603.
A família Tudor tem a sua origem no século XII, com Ednyfed Fychan de Tregarnedd (1179-1246), mordomo-mor do Príncipe de Gwynedd, Llewelyn ap Iorwerth. O primogénito dos seus 12 filhos, Gorowny, teve um filho, Tudur Hem, conhecido posteriormente como “o velho”, que viveu de 1245 a 1311. Dele descendem os Tudor.
No início do século XV viveu Owain ou Owen Tudor (1400-1461), filho de Maredudd ou Meredith Tudor, que se casou com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, o Louco, princesa de França e viúva de Henrique V de Inglaterra.

Desta união nasceu Edmundo Tudor, Conde de Richmond, que casou com Margarida Beaufort, neta de João de Gant, pais do rei Henrique VII de Inglaterra. A condição de Edmundo à data do seu nascimento era incerta, dado que os seus pais ou não eram casados ou o casamento era ilegal, uma vez que rainhas consortes estavam proibidas por lei de voltar a casar.
As pretensões de Henrique VII à coroa baseavam-se no facto de ser trineto do rei Eduardo III, embora por duvidosa via feminina, ilegítima. Para cimentar a sua posição, o primeiro soberano Tudor decidiu casar com a princesa Isabel, herdeira da Casa de York, filha do rei Eduardo IV e da sua consorte Isabel Woodville.

É também a única mulher na história de Inglaterra a ter sido filha, irmã, mulher e sobrinha de monarcas reinantes. Foi considerada uma das beldades do seu tempo.
A Dinastia Tudor governou a Inglaterra num período relativamente pacífico, depois da sucessão de guerras com a Escócia, da Guerra dos Cem Anos e da Guerra das Rosas. A economia e o comércio prosperaram apesar dos conflitos internos que marcaram o período, resultantes do repúdio da autoridade papal da Igreja Católica Romana e da fundação da Igreja de Inglaterra chefiada pelo próprio rei. Era o início dos movimentos protestantes, luteranos, na Europa.

Por altura do fim do reinado de Isabel I, a Rainha Virgem, dita Gloriana e Boa Rainha Bess, última monarca Tudor, a Inglaterra era uma das maiores potências navais europeias após a derrota naval espanhola denominada de Armada Invencível, poderosa frota com a qual Filipe II de Espanha, em 1588, tentou invadir a Inglaterra pelo Canal da Mancha.

Os Tudor foram sucedidos pela Casa de Stuart, a dinastia reinante de monarcas escoceses, depois de Isabel I morrer em 1603 sem descendência directa, sucedeu-lhe Jaime I, em inglês, James I; foi rei da Inglaterra e da Irlanda (1603-1625), sendo antes disso rei da Escócia, com o título de Jaime VI (1567-1625).

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

ELIZABETH I AND SIR FRANCIS DRAKE (video)



Isabel I Rainha de Inglaterra, nascida em 1533 e falecida em 1603, era filha de Henrique VIII e Ana Bolena, a sua segunda esposa. Teve uma infância conturbada, como conturbada era a vida política inglesa do momento, chegando a estar presa e em perigo de vida, para ser executada por decapitação, morte destinada à nobreza daquele tempo. Sucedendo a Maria Tudor, ascendeu ao trono em 1558. O seu reinado duraria quatro décadas e meia, e viria a constituir um dos períodos mais marcantes da História inglesa.

Depois de anos de confrontos violentos, em que o país corria riscos constantes de eclosão de uma guerra civil, Isabel I empenhou-se em conseguir a pacificação interna. O esmorecimento dos ódios e conflitos religiosos foi uma condição fundamental para a emergência do poderio inglês no plano internacional. De facto, foi nesta época que a Inglaterra assumiu grande poderio nos mares, dominando as principais rotas comerciais, praticando o corso, derrotando até a Armada Invencível filipina que zarpou de Lisboa, quando esta, em 1588, ousou atacar a ilha (Inglaterra).
EM CIMA: LISBOA
EM BAIXO: A BATALHA  

A inimizade com a Espanha, aliás, tinha razões religiosas além de políticas e económicas, pois a Inglaterra era então, juntamente com a Holanda, a grande potência protestante, enquanto a Espanha, ocupante de Portugal, era o país católico mais poderoso a nível internacional.
Na época isabelina assistiu-se, portanto, ao desenvolvimento comercial do país, mas também ao florescimento da cultura. Homens como Francis Drake e Walter Raleigh dedicaram-se à exploração geográfica dos territórios recentemente descobertos.

Sir Francis Drake filho de Edmund Drake e de Mary Mylwaye, nascido por volta de 1540 no Devon, Inglaterra, foi um corsário, explorador e almirante inglês.
Ficou conhecido pela sua luta obstinada contra Felipe II da Espanha (I de Portugal) e por ter sido o primeiro dos grandes da marinha inglesa. Em 1588 liderou a Armada Inglesa na defesa ao ataque da Invencível Armada, da qual afundou vinte e três navios, tida como a maior força naval da Europa na época, com desvantagem numérica e poucos mantimentos, assegurando a supremacia naval britânica.
Em 1578, durante o reinado de Filipe I I de Espanha, I de Portugal  (1580-1598), durante o conflito com a Inglaterra, a armada do corsário Francis Drake atacou a região de Sagres, que foi violentamente saqueada e incendiada.



Drake foi o arquitecto das posteriores fragatas sem castelo de popa mais rápidas e manobráveis, fez pirataria nas Caraíbas contra navios e possessões espanholas, viajou ao longo da América do Norte e foi o primeiro comandante inglês a circum-navegar o mundo. Alguns historiadores afirmam que teria sido filho bastardo de Isabel I de Inglaterra. Chegou a capitão de navio aos vinte anos de idade. Dois anos mais tarde foi atacado e derrotado pela Armada Espanhola, perdendo o navio e quase perdendo a vida, o que lhe legou um ressentimento profundo contra os espanhóis.

Em 1577, a rainha enviou Drake numa expedição para atacar os espanhóis ao longo da costa do Pacífico nas Américas. Drake partiu no Golden Hind, atravessou o estreito de Magalhães, devastou os territórios espanhóis das costas ocidentais da América, tomou posse da Califórnia, a que chamou "Nova Albion", e regressou à Europa via Índias Orientais pela rota do cabo da Boa Esperança tendo completado a segunda circum-navegação do mundo em 1580.

O seu golpe mais famoso foi o ataque ao galeão da Armada Espanhola, “Nuestra Señora de La Concepcíon”, galeão espanhol de apelido “Cacafuego” por causa de seu potente canhão, foi capturado por Sir Francis em 1579 ao largo da costa do Panamá.
Drake morreu em Puerto Bello, a 27 de Janeiro de 1595, após um ataque ao Panamá, afirmando-se que de disenteria, tendo o seu corpo sido sepultado nas águas do Caribe.

Segundo a lenda, o seu corpo foi lançado ao mar, envolto por uma armadura de ouro de dezoito quilates, com a sua espada, também de ouro. Ainda persiste a lenda do “Tesouro Perdido” que Drake escondeu algures numa ilha distante.
A Passagem de Drake tem esse nome em sua homenagem.

Edmund Spenser, na poesia, William Shakespeare e Christopher Marlowe, no drama, deixaram-nos obras do maior valor. Francis Bacon e William Gilbert, entre muitos outros, dedicaram-se à filosofia e à investigação científica.
Isabel I nunca casou. Não deixando descendência, foi a última soberana inglesa da dinastia dos Tudor. Sucedeu-lhe o seu ainda primo Jaime Stuart, o rei Jaime VI da Escócia, tornado-se então Jaime I de Inglaterra, que deu, assim, início à dinastia Stuart.