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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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sábado, 8 de janeiro de 2011

EOLÍTICO


Apesar de ser pouco utilizado por historiadores e antropólogos, o Período Eolítico é considerado o primeiro período pré-histórico que compreende a cultura humana. Muitos especialistas definem esse período como o início da Idade Paleolítica por dispor de poucas informações precisas, já que muitas delas são baseadas em hipóteses e conjecturas. (Até ao momento não foi cientificamente comprovado, achado, o elo de ligação  missing link” entre o Primata e o Homem Sapiens, este nosso verdadeiro antepassado;


porém encontra-se em polémica o recente achado do fóssil denominado Ida  "Darwinius masillae".) 
Entretanto, sabe-se que foi durante esse Período Eolítico que surgiu o Homo Erectus, espécie de hominídeo que viveu entre cerca de 2 milhões de anos atrás, até 300.000 a.C. Segundo registos arqueológicos, eles foram encontrados principalmente no continente africano e acredita-se que foram os primeiros a usar o fogo.

A denominação, Período Eolítico, foi classificada pelo antropólogo francês Gabriel de Mortillet, no século XIX. Ele acreditava que algumas pedras datadas daquele período serviam de instrumentos ou armas para o Homo Erectus. Entretanto, dificilmente se consegue distinguir quando uma rocha sofre a interferência humana ou de um animal e, além do mais, não se encontrou nenhum eolíto junto aos restos mortais de Homo Erectus deste período.
Também conhecida como Alvorecer da Idade da Pedra, o uso do termo Período Eolítico serve apenas para designar um breve período anterior à Idade Paleolítica, extenso período que testemunha os primórdios da cultura humana.

Pela escassez de informações detalhadas e falta de precisão histórica, o termo acabou caindo em desuso nos estudos arqueológicos e antropológicos.
Identificado pela primeira vez na Ilha de Java em 1891 por Eugène Dubois, o Homo Erectus existiu entre aproximadamente de 2 a 1,8 milhões e 300 000 anos, no Pleistoceno inferior e médio dispersando-se por áreas geográficas tão distintas como a Indonésia, China, Alemanha, Hungria, Grécia, França e Tanzânia. Eles mediam entre 1,30 e 1,70 m de altura.

Como no Habilis, a face do Erectus tinha proeminentes maxilares com grandes molares, sem queixo, com uma zona relativamente demarcada sobre os olhos, e um crânio longo (dolicocéfalo) e baixo, com um volume cerebral variando entre 750 e 1225 cc.
Os primeiros Erectus apresentavam um volume médio de aproximadamente 900 cc, enquanto os mais recentes rondariam os 1100 cc. Em alguns exemplares asiáticos surge o crânio com crista sagital.
O esqueleto do Erectus é mais robusto que o do Homem actual, implicando uma maior força e resistência física. As proporções do corpo variam: o Rapaz de Turkana é alto e magro, como a maior parte dos humanos actuais dessa mesma zona geográfica; os poucos ossos das extremidades do Homem de Pequim indicam um indivíduo mais pequeno, de aspecto robusto.

Dos estudos realizados no esqueleto do "Rapaz de Turkana" depreende-se que o Erectus teria sido mais “eficiente” a caminhar que o Homem moderno, cujos esqueletos tiveram que se adaptar para percorrer longas jornadas e permitir o nascimento de crianças com crânios substancialmente maiores; foram os grandes colonizadores de todo o planeta dado que o estreito de Bering estava ligado pelo gelo glaciar.

O Homo Habilis e todos os Australopithecus foram encontrados somente em África, mas o Erectus aparece localizado em áreas geográficas mais alargadas, como a Ásia, Europa e África. Habitantes de cavernas (trogloditas), produziam e usavam ferramentas bem mais elaboradas, como machados de mão, que representam a primeira ocorrência no registo fóssil de um design consciente. Acredita-se que produziram ferramentas de madeira e armas que não foram preservadas. Provavelmente foram os primeiros a usar o fogo, e a iniciar uma migração do continente africano para diversas regiões. A sua alimentação era de vegetais, frutas, folhas, raízes e animais, apresentando de igual modo utensílios de pedra mais sofisticados que o Habilis, e uma tradição provável de caça em grupo, como parecem atestar locais escavados onde surgem em associação com os seus artefactos e largas dezenas de ossos de animais, muitas vezes de grande porte.
A descoberta em Espanha de fósseis pertencentes a um hominídeo situa a barreira cronológica na Europa algures nos 780 000 anos.

Desde o descobrimento do Homo Erectus, os cientistas questionam se esta espécie era um antepassado directo do Homo Sapiens, devido ao facto das investigações feitas não serem suficientes para se chegar a tal conclusão. As últimas populações de Homo Erectus - tais como as do rio Bengawan Solo, em Java - podem ter vivido há apenas 50 000 anos, simultaneamente com populações do Homo Sapiens, e descarta-se que este tenha evoluído a partir destas últimas populações do Homo Erectus. Ainda que populações anteriores de Homo Erectus asiáticos possam ter dado lugar ao Homo Sapiens, como hoje se considera mais provável que este evoluiu em África, provavelmente de populações africanas do Homo Erectus.

Portanto, os primeiros Homo Sapiens  teriam migrado desde o Nordeste de África há menos de 100 000 anos, até à Ásia, onde talvez se tenha encontrado com os últimos Homo Erectus.
Quanto à possível filogenia do Homo Habilis ter dado origem ao Homo Erectus, não parece provável de um modo directo, pois existiria com maior probabilidade uma ligação destas espécies com o Homo Rudolfensis. Tudo indica que os Homo Abilis viveram na África até mais ou menos 1 440 000 anos, significando uma coexistência com o Homo Erectus por um lapso de uns 500 000 anos.
Uma espécie que aparentemente descende tardiamente do Homo Erectus é o pequeno Homo Floresiensis.

Apesar de muitos aspectos da organização social serem já herdados do Homo Ergaster, o Homo Erectus desenvolveu ainda mais estas características. A sua organização baseava-se em pequenas comunidades com alguns abrigos em cavernas e utensílios de pedra pequenos e simples, mais sofisticados de que os seus antepassados Habilis. A guarda era feita com fogueiras para se protegerem dos animais selvagens. A divisão de tarefas era baseada nos talhadores de pedra, os caçadores e as mulheres para tratar das crias.

O Homo erectus pertence a uma das mais bem-sucedidas e duradouras espécies do género Homo. É geralmente considerada a espécie que deu origem a um grande número de espécies descendentes e subespécies. Elas são:
Homo erectus yuanmouensis;
Homo erectus lantianensis;
Homo erectus wushanensis;
Homo erectus pekinensis;
Homo erectus palaeojavanicus;
Homo erectus soloensis.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O PALEOLÍTICO

O Paleolítico ou pedra antiga, também conhecido como Idade da Pedra Lascada, refere-se ao período pré-histórico de cerca de 2,5 milhões a.C., quando os ancestrais do homem começaram a produzir os primeiros artefactos em pedra lascada até cerca de 10000 a.C.
Neste período os homens eram essencialmente nómadas caçadores recolectores, tendo que se deslocar constantemente em busca de alimentos. Desenvolveram os primeiros instrumentos de caça, feitos em madeira, osso ou pedra lascada e dominaram o uso do fogo.
Este longo período histórico subdivide-se em Paleolítico Inferior, até há aproximadamente cerca de 300 mil anos. O Paleolítico Inferior é a mais antiga subdivisão do Paleolítico, período mais antigo da Pré-História do homem. Teve início há volta de 3 milhões anos e foi até há cerca de 250 mil anos, quando as mudanças evolucionárias e tecnológicas importantes levaram os historiadores, antropólogos e arqueólogos a uma nova divisão, o Paleolítico Médio.

O paleolítico médio é um conceito que compreende um espaço temporal, cultural e geográfico mais restrito do que os períodos do Paleolítico que o antecedem e precedem. O homem de Neandertal na sua distribuição geográfica pela Europa e as suas técnicas de talhe de indústrias mustierenses. As ferramentas mustierenses eram feitas pelos neanderthalensis em datas compreendidas entre 300000 e 40000 a.C., antes dos humanos modernos chegarem à Europa entre 70000 e 32000 a.C. que são características que definem este período da pré-história antiga.
O homem abandonou o uso dos machados de mão e passaram a utilizar as lascas de pedras em outras armas, como por exemplo, as lanças e flechas. O arco como arma de caça e defesa só surge no mesolítico,
Os mais antigos hominídeos, os Australopitecíneos, personificados por Lucy, não eram utilizadores avançados de ferramentas de pedra e é provável que fossem presa de animais maiores. Utilizavam o machado de mão e viviam a céu aberto, próximo do vale dos rios.

Os primeiros fósseis do género Homo surgem em menos de três milhões de anos. Eles podem ter origem dos Australopitecíneos ou de um braço filogenético diferente dos primatas. É nesse período que o homem passa a andar sobre duas pernas.
O Homo habilis, como os da Garganta de Olduvai, é muito semelhante aos humanos modernos. O uso de ferramentas de pedra foi desenvolvido por esta espécie por volta de 2,5 milhões de anos atrás, antes de serem substituídos pelo Homo erectus, há cerca de 1,5 milhão. O Homo habilis aprendeu a usar o fogo como método de apoio na caça.
Sobre o Paleolítico Superior, até 10 mil a.C., há alguma discordância entre os estudiosos quanto a essa divisão, sendo que alguns intercalam um Paleolítico Médio entre o inferior e o superior. O Paleolítico coincide com o final da era geológica Pleistocénica período geológico Neogeno.

Na escala de tempo geológico, o Neogeno ou Neogénico é o período da era Cenozóica do éon Fanerozóico que se iniciou há cerca de 23 milhões e 30 mil anos, e que se estende até ao Pleistoceno. O período Neogeno sucede o período Paleogeno. Divide-se nas épocas do Miocénico e do Pleiocénico, da mais antiga para a mais recente.
Neste período, ocorreu a expansão dos mamíferos de grande porte e o aparecimento dos hominídeos.
Ainda na escala de tempo geológico, o Pleistoceno ou Pleistocénico é também a época do período Quaternário da era Cenozóica do éon Fanerozóico que está compreendida entre 1 milhão e 806 mil e 11 mil e 500 anos atrás, aproximadamente.
O Paleolítico foi precedido pelo período pré-histórico que alguns historiadores chamam de Eolítico, e sucedido pelo Neolítico. Na Europa e em outros locais onde ocorreram grandes glaciações, intercala-se o período chamado Mesolítico entre o Paleolítico e o Neolítico.

Foi nesse período que surgiram as primeiras espécies de hominídeos, provavelmente na África. Nesta época a temperatura era muito baixa, obrigando os humanos e outros animais a viver em cavernas. Os hominídeos surgidos nessa época foram os Australopithecus, os Homo habilis e os Homo erectus . As tecnologias por eles empregues nesse período foram, por ordem crescente de complexidade, a olduvaiense que é  uma das formas de denominar as primeiras indústrias humanas da Pré-história africana; a acheulense que  foi uma cultura do Paleolítico Inferior caracterizado por um certo tipo de utensílios bifaciais de pedra e situada na época do segundo interglaciar.

Estes utensílios acheulenses são caracterizados por ter um perfil muito regular e a clactoniense que é contemporânea da Achelense, compartilha os mesmos rasgos tecnológicos. Caracteriza-se melhor por um procedimento de extracção de lascas que com frequência recebe esse mesmo apelativo (técnica clactoniense) e que consiste em obter peças de grande tamanho golpeadas com grandes precursores, em geral passivos.
Os objectos foram confeccionados primeiramente em osso e madeira, depois em pedra e marfim. Usavam um machado de pedra, para cortar e esmagar os alimentos, para defesa e fazer furos. As lascas eram aproveitadas para fabricar objectos cortantes, daí o Paleolítico ter ficado também conhecido como Período ou Idade da Pedra Lascada.

A sociedade era comunal, já possuíam uma certa organização social e a família já tinha importância no contexto da sociedade. Eram nómadas e dominavam o fogo.
O paleolítico médio é um conceito que compreende um espaço temporal, cultural e geográfico mais restrito do que os períodos do Paleolítico que o antecedem e precedem.
O homem de Neanderthal, na distribuição geográfica pela Europa, nas técnicas de talhe (indústria musteriense) e a cronologia (200.000 a 30.000 anos a.C.) são características que definem este período da pré-história.
É nesse período que surgem os primeiros concheiros, encontrados principalmente nas regiões litorais, devido ao facto de serem nómadas, permaneciam num determinado local até que se esgotassem os alimentos e depois partiam; neste local amontoavam conchas, restos de fogueiras e animais. Era também aí que enterravam os mortos, junto a seus pertences com colares, vestes, ferramentas e cerâmicas, ou seja, possuíam um conceito primitivo de religião que já se formava.


No Paleolítico Superior os humanos passaram a habitar em cavernas, devido ao resfriamento intenso do planeta e o norte da Europa ter ficado coberto de gelo como consequência da quarta glaciação. Neste período desenvolveu-se o homem de Cro-Magnon, que já é o humano moderno propriamente dito. Caçava animais de grande porte (mamutes, renas, etc.) utilizando para isso armadilhas montadas no chão.
Apesar de se convencionar a consolidação da religião no período Neolítico, a arqueologia regista que no Paleolítico houve uma religião primitiva baseada no culto à mulher, ao feminino, e a associação desta ao poder de dar a vida. Foram descobertas, no abrigo de rochas Cro-Magnon em Les Eyzies, conchas cauris, descritas como "o portal por onde uma criança vem ao mundo"; eram cobertas por um pigmento de cor vermelho ocre, que simbolizava o sangue, e estavam intimamente ligadas ao ritual de adoração às estatuetas femininas.

Escavações atestaram que estas estatuetas eram encontradas muitas vezes numa posição central, em oposição aos símbolos masculinos, localizados em posições periféricas ou ladeando as estatuetas femininas.
A passagem do período Paleolítico para o Neolítico foi bastante gradual, tendo levado cerca de 10.000 anos, e ficou conhecida como a Revolução Neolítica, visto terem ocorrido conquistas tecnológicas que garantiram a sobrevivência dos povos nesse período.

As principais alterações foram:
A crosta terrestre aquece, aumentando o nível dos mares e resultando em alterações climáticas;
Formam-se grandes rios e desertos, além de florestas temperadas e tropicais;
Animais de grande porte desaparecem e dão origem à fauna que conhecemos hoje;
A vida vegetal modifica-se, favorecendo a sobrevivência humana;
Dão-se grandes conquistas técnicas do homem que, aliadas às transformações do ambiente permitem ao ser humano controlar gradativamente a natureza;
O homem aprende aos poucos a reproduzir plantas, domesticar animais e cozinhar alimentos;
A agricultura e a domesticação de animais favorecem um sensível aumento populacional em algumas regiões;
Ampliam-se as conquistas técnicas, como a produção de cerâmica;
Os povos aprendem aos poucos a organizarem-se e a trabalhar em sistemas cooperativos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O MESOLÍTICO

O Mesolítico (pedra intermediária) é um período da pré-história situado entre o Paleolítico (Idade da Pedra Lascada) e o Neolítico, (idade da pedre polida), com duração razoável apenas em algumas regiões do mundo onde não houve transição directa entre os dois períodos citados. As regiões que sofreram maiores efeitos das glaciações tiveram Mesolíticos mais evidentes.
Iniciou-se com o fim do Pleistoceno, há cerca de 10 mil anos, e terminou com a introdução da agricultura, em épocas que variam de acordo com a região.

Culturas mesolíticas são as que surgem na transição entre as que ainda representam uma economia de produção. Um fenómeno que aparece com carácter geral nas culturas mesolíticas é a tendência para as formas microlíticas e geométricas na indústria lítica e o desaparecimento gradual da indústria óssea. Neste período intermediário, o homem conseguiu dar grandes passos rumo ao desenvolvimento e à sobrevivência de forma mais segura. O domínio do fogo foi o maior exemplo disto. Com o fogo, o ser humano pôde espantar os animais perigosos, cozinhar a carne e outros alimentos, iluminar a sua habitação, além de conseguir calor nos momentos de frio intenso. Estas culturas não surgem em todo o lado ao mesmo tempo nem têm idêntica duração.

Na Europa continental e nórdica, o desenvolvimento das culturas mesolíticas, procede da degradação gradual da cultura magdalenense do Paleolítico final, à medida que as novas condições climáticas originavam uma diminuição e transformação da fauna ao ritmo da diminuição progressiva do glaciar escandinavo. As culturas mesolíticas do norte da Europa são em grande parte tributárias da anterior tradição magdalenense.
Em França, o processo de degradação do Paleolítico dá lugar ao aparecimento da cultura azilense na zona pirenaica, com extensão pela zona cantábrica da Península Ibérica, cultura de transição sem grandes novidades e que continua as antigas técnicas paleolíticas.

No entanto, em França podem-se encontrar vestígios da cultura tardenoisense, cuidado com os mortos e cultura dos crânios, nome derivado de Tardenois, onde se situa o jazigo de Fère, característica dos terrenos baixos e zonas de dunas. No Mesolítico adquirem grande importância os concheiros portugueses das margens do Tejo, onde está assente uma população que vai evoluindo lentamente e na qual aparecem já muitos elementos “raciais” mistos. Os principais jazigos, para além dos Concheiros de Muge são: Cabeço da Amoreira,  Cova da Onça e Fonte do Padre Pedro. A este ciclo cultural pertencem também as oficinas de trabalho manual de sílex, ao ar livre, que existem na região tarraconense.

O mesolítico assistiu também a um novo tipo de caçador recolector, o caçador complexo, que na ausência da mega fauna do Pleistocénico explorou um novo nicho, que consistia em animais de pequeno e médio porte como o veado, o gamo as lebres, etc... Para complementar a caça, as comunidades mesolíticas passaram a fazer acampamentos especializados com actividades como o marisqueiro e/ou a pesca. Os concheiros do Tejo são o que resta de alguns destes acampamentos. O armazenamento começa também a ocorrer neste período, bem como uma espécie de sedentarização sazonal, ou seja, acampamentos fixos com alguns entrepostos especializados utilizados durante uma estação.
FERRAMENTAS NO NEOLÍTICO
O mesolítico, no que toca à indústria lítica pautou-se pela utilização de micrólitos, pedra lascada de dimensão muito reduzida que eram incorporadas com componentes de madeira para fazer instrumentos compósitos como flechas e lanças.
Alguns arqueólogos defendem que as raízes das primeiras sociedades camponesas se encontram precisamente nestas comunidades de caçadores/recolectores.
A arte no Mesolítico foi muito mais madura e estilizada, uma vez que procedeu as emoções humanas e cores, em oposição aos valores arte paleolítica.
No período Mesolítico, as pessoas eram muito mais interactivas e realizavam diversos eventos sociais, factos que foram meticulosamente capturados nas suas pinturas rupestres.  Esses desenhos representam algumas pessoas com flechas, em algum tipo de ritmo, talvez realizando um ritual diário de dança.

  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A REVOLUÇÃO NEOLÍTICA


Revolução Neolítica é a expressão criada pelo arqueólogo inglês Gordon Childe para designar o movimento dado na Pré-História, que marcou o fim dos povos nómadas e o início da sedentarização do homo sapiens, com o aparecimento das primeiras vilas e cidades. No Período Paleolítico, os grupos nómadas não possuíam moradias fixas. No Neolítico, as sociedades humanas desenvolveram técnicas de cultivo agrícola e passaram a ter condições de armazenar alimentos o que levou a que grupos humanos se fixassem por mais tempo numa determinada região e se deslocassem com menor frequência.

Essa foi a fase da evolução cultural em que se deu a passagem do ser humano "de parasita a interveniente activo na natureza". Foi uma transformação que levou o homo sapiens a fixar-se definitivamente num local e a adapta-lo às suas necessidades, tendo por base uma economia produtora. O processo de transformação da relação do ser humano com os animais e plantas proporcionou um maior controle das fontes de alimentação.
Durante milhares de anos os grupos humanos viveram deslocando-se de um lugar para o outro, procurando o alimento necessário para a sua sobrevivência. Em outras palavras, eram nómadas. Até o final do período Paleolítico, os humanos dependiam da caça de animais e da colecta de frutos e vegetais.

O nomadismo na economia recolectora era motivado pela deslocação das populações que, na procura constante de alimentos, acompanhavam as movimentações dos próprios animais que pretendiam caçar, procuravam os locais onde existiam frutos ou plantas a recolher ou necessitavam pars se defender das condições climáticas ou dos predadores. Este tipo de nomadismo manteve-se entre as comunidades que persistiram no modo de produção recolectora.

Os instrumentos fabricados por esses grupos eram, na maioria, de pedra e osso. Alguns eram lascados para formar bordas cortantes e facilitar a obtenção de alimentos e de defesa. A alimentação era composta basicamente de frutos, raízes, ervas, peixes e pequenos animais capturados com a ajuda de armadilhas rudimentares.
No Período Paleolítico, as pessoas abrigavam-se em cavernas (trogloditismo) ou em espécies de choupanas feitas de galhos e cobertas de folhas. A sociedade é comunal, já possuem uma certa organização social e a família já tem importância. Descobrem e dominam o fogo, possuem uma linguagem rudimentar, indícios de rituais funerários e desenvolvem as primeiras práticas de magia, devido à descoberta do fogo.

No Paleolítico Médio, o humano fez uma descoberta muito importante: o fogo, em cujo período surgem os primeiros concheiros, encontrados principalmente nas regiões litorais da América do Sul, devido ao facto do homem ser nómada, e se alojar num determinado local até se esgotarem os alimentos; amontoavam conchas, fogueiras e restos de animais. Eram também nesses locais que enterravam os mortos e junto com estes os seus pertences e adornos: colares, vestes, ferramentas e cerâmicas.
A sociedade era formada por pequenos clãs, que dividiam as tarefas entre os sexos e idades. Havia apenas um líder, que servia como conselheiro. Este poderia ser o mais forte ou o mais velho. Do nomadismo resultavam doenças frequentes, cansaços e obrigação de descanso aos necessitados. Os índices demográficos eram baixos e estáveis; a média da idade de sobrevivência era por volta dos 30 anos.

A primeira actividade agrícola ocorreu entre 9000 e 7000 a.C. em certos lugares privilegiados da Sírio-palestina, no Sul da Anatólia e no Norte da Mesopotâmia. Aconteceu também na Índia, há 8 mil anos; na China há 7 mil, na Europa há 6.500; na África Tropical há 5 mil anos e na América, México e Peru, há cerca de 4.500 anos. Em 3000 a.C., a revolução neolítica já tinha atingido a Península Ibérica e grande parte da Europa.
Os produtos cultivados variavam de região para região, mas geralmente consistiam em cereais:  trigo; cevada e milho. Raízes: batata-doce;  mandioca. O arroz, principalmente nos países asiáticos. O Homem foi aprendendo então a seleccionar as melhores plantas para a semeadura e a promover o enxerto de variedades.

Além dos conhecimentos práticos referentes a tipos de solo, plantas adequadas e épocas de cultivo, foram desenvolvidas invenções importantíssimas e práticas como a cerâmica, a foice, o arado, a roda, o barco à vela, a tecelagem e a cerveja. A condição de nómada começou a ser abandonada bem como o desenvolvimento da agricultura.
Plantar alimentos foi um passo decisivo para o domínio da natureza e para o processo de fixação da sedentarização dos grupos humanos.
Há cerca de 10 mil anos, durante a Pré-história, no período do neolítico ou período da pedra polida, alguns indivíduos, de povos caçadores recolectores notaram que alguns grãos que eram colectados da natureza para a sua alimentação, poderiam ser "semeados" a fim de produzir novas plantas iguais às que os originaram.

As pesquisas têm revelado que as primeiras actividades agrícolas ocorreram na região de Jericó, num grande oásis junto ao mar Morto, há cerca de 12 mil anos. Por meio de difusão ou movimentos independentes, supõe-se que o fenómeno se tenha desenvolvido também na Índia, há 8 mil anos; na China há 7 mil; na Europa há 6.500; na África tropical há 5 mil e na América há 4.500.

Essa prática permitiu o aumento da oferta de alimento, as plantas começaram a ser cultivadas muito próximas uma das outras. Isso porque elas podiam produzir frutos, que eram facilmente colhidos quando maturassem, o que permitia uma maior produtividade das plantas cultivadas em relação ao seu habitat natural. As frequentes e perigosas buscas à procura de alimentos foram abandonadas. Com o tempo, foram seleccionados entre os grãos selvagens, aqueles que possuíam as características que mais interessavam aos primeiros agricultores, tais como tamanho, produtividade e sabor.
No Médio Oriente os agricultores que haviam sido pioneiros na vida sedentária e no cultivo de cereais criaram uma ampla variedade de animais domésticos: ovelhas, cabras e gado bovino. Viajavam rumo aos Balcãs, através da Anatólia, em busca de terras férteis e de boas pastagens.

Por volta de 6.000 a.C., alguns grupos humanos descobriram a técnica de produção de cerâmica pelo aquecimento da argila. Na mesma época aprenderam a converter fibras naturais em fios e estes em tecidos. Aos poucos começaram a trabalhar com metais para produzir instrumentos. Os indivíduos que trabalhavam com cerâmica, metais e tecelagem tornaram-se artesãos. Eram os primeiros sinais de mais uma divisão social do trabalho (antes apenas entre homens e mulheres). A diversidade na produção, a especialização do trabalho e as novas funções na sociedade contribuíram para que algumas comunidades de agricultores se transformassem em vilas e cidades, constituindo o que alguns historiadores chamaram de “Revolução Urbana”.
A sedentarização, causada pela agricultura, provocou uma verdadeira revolução no modo de vida da humanidade. Um dos acontecimentos mais importantes relacionados a isso foi o desenvolvimento das povoações.

Em geral, as vilas desenvolveram-se em regiões onde os solos eram férteis e propícios à agricultura. Elas tinham inúmeras funções. Na América, por exemplo, estavam associadas a cultos religiosos, mas podiam também servir de abrigo para artesãos e de espaço de troca de produtos. Dessa forma, o surgimento das vilas e cidades facilitou a prática do comércio e o desenvolvimento de novas técnicas, como a da olaria e da metalúrgica.
Assim, percebe-se que o processo de consolidação das vilas está associado ao aumento da organização social. Em outras palavras, está relacionado com a prática da religião e do comércio, com o aumento da população e com a diversificação das actividades produtivas.

Uma das mais antigas cidades do mundo é Çatal Huyuk que foi descoberta em escavações no centro sul da Turquia. As casas dessa cidade eram feitas de tijolos e construídas lado a lado, sem espaço de circulação entre elas. O acesso às casas era feito por aberturas nos telhados e os habitantes circulavam de um lugar a outro caminhando sobre as casas.
As escavações realizadas em Çatal Huyuk podem mostrar muito da vida dos grupos humanos que habitaram essa região entre 12 mil e 7 mil anos atrás. A economia da cidade, cuja população era cerca de 5 mil habitantes, baseava-se na agricultura, além de ter importante comércio de pedra vítrea de vulcão, (obsidiana).

A descoberta da cerâmica também foi um grande marco deste momento, bem como assim a arte do domínio do fogo.
Para além da agricultura, a criação de animais foi outro passo muito importante para a alteração do modo de vida das comunidades, pois deu-lhe não só a possibilidade de não ter de se deslocar para obter a carne e peles necessárias à sua alimentação e conforto, mas também o leite e, com a domesticação do boi, uma força de tracção.
A domesticação deve ter surgido espontaneamente em vários locais, resultado da evolução natural de aproximação e observação dos animais no decurso das caçadas. O primeiro animal domesticado foi o cão (o lobo), cuja associação com o homem era simbiótica, seguindo-se animais para a alimentação, como a cabra, o carneiro, o boi e o cavalo.

O aumento da produção criou excedentes e permitiu as trocas de produtos, que deram origem ao comércio de troca. Privativamente a actividade do comércio fez-se de comunidade para comunidade por intermédio dos seus chefes. Pouco a pouco, porém, formou-se um grupo de indivíduos especializados em vender e comprar mercadorias. O comércio, por sua vez, aproximou vendedores e compradores, favorecendo o desenvolvimento das cidades.
Desde o início da Pré-história, o homem tem procurado os rios para se orientar no espaço e obter água. Foi ao longo dos rios que floresceram, no começo da História, as civilizações agrícolas, as primeiras a submeterem o espaço terrestre e a natureza às suas necessidades. Foi junto aos grandes rios da antiguidade que se desenvolveram as civilizações que deram um novo rumo à história da humanidade, por vezes chamadas de Civilizações Fluviais, porque foram os rios o factor decisivo para o desenvolvimento agrícola.

As grandes civilizações fluviais, que eram economicamente dependentes das culturas irrigadas e contavam com uma população numerosa e em grande parte urbanizada, floresceram nas planícies aluviais formadas pelas enchentes de um dos dois grandes rios. Assim, os berços das civilizações: chinesa, indiana, sumério-babilónica e egípcia foram, respectivamente, os rios: Amarelo; Indo; Ganges; Tigre; Eufrates e Nilo.
As primeiras plantações agrícolas deram-se, portanto, nos vales, as regiões férteis que margeiam os rios. Cidades como Çatal Huyuk, Dura Europos, Ur, Urak e muitas outras que, das primeiras sociedades sedentárias, se formaram ao longo dos rios, devido à necessidade da fertilidade do solo para as práticas agrícolas.

Com o surgimento da agricultura, surgiram mudanças não só nos instrumentos de trabalhos e na formação de cidades, mas também nas relações sociais entre os homens. No início, a produção agrícola era um empreendimento familiar: pai, mãe, filhos e filhas de diversas idades, cada qual passou a trabalhar a terra com determinados deveres fixados por tradição.
O investimento de muito trabalho no cultivo da terra, porém, levou ao desejo de posse territorial e à criação do direito de herança. O primogénito herdava a terra e os mais jovens, sem possuírem terras próprias, passavam a servi-lo, ou, então, a servir a outros.
As sociedades dos agricultores e criadores de gado organizaram-se em tribos. A tribo era um grupo maior que a horda. Era constituída por um conjunto de famílias que viviam na mesma região e que provinham de um tronco comum. As famílias eram chamadas de clãs.

A fabricação e o uso de instrumentos de metal provocou o grande salto na produção agrícola. Os novos instrumentos permitiram produzir mais e melhor em menos tempo. Com isso as comunidades primitivas começaram a produzir mais do que necessitavam. Essa produção a mais chama-se: excedente.
Com o aumento da produção apareceu também a propriedade privada de terra, de ferramentas, animais, etc. Instalava-se com isso a desigualdade entre os homens e entre as tribos. Os proprietários passaram a explorar o trabalho dos outros. Surgiu a escravidão. Pela primeira vez, a sociedade dividiu-se em partes opostas: os donos de escravos e os escravos. O mundo passou a ter um novo modo de produção baseada no esclavagismo e em novas relações sociais baseadas na desigualdade.