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PORTAL DE AGOSTINHO DA SILVA

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O FILOSOFO DE PORTUGAL

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

BAAL UM DEUS E UM DEMÓNIO


Baal em hebraico “בַּעַל” é uma palavra semítica que significa Senhor, Lorde, Marido ou Dono “Dom”. Esta palavra em Hebraico é cognada de outra em acádico, Bel, com o mesmo significado. A forma feminina de Baal é Baalath, o masculino plural é Baalin, e Balaoth no feminino plural. Esta palavra não tinha conotação exclusivamente religiosa, podendo ser empregue em relações de pai e filhos, por exemplo, não sendo obrigatória uma separação hierárquica.

A determinada altura na história dos antigos habitantes da zona da Mesopotâmia começou a existir uma confusão relativa à identificação dos deuses. Cada lugar adorava uma mesma divindade, mas com um nome diferente e isto tudo fomentou a dificuldade de hoje se identificar a diferença entre os deuses; o baal introduzido em Israel pelo Rei Acabe foi Baal-Melkart. Haviam outros como Baal-Zebube, o nome Belzebu, usado frequentemente no Novo Testamento para definir o príncipe dos demónios, nada mais é do que uma pronúncia mais fácil do mesmo nome.

Mais tarde Baal deu origem a Beliel o qual vem grandemente referido até no novo testamento. Este personagem teve a sua origem muito anteriormente, como o príncipe do mundo, epíteto que lhe garantia uma superioridade em relação aos outros componentes da divindade desta época. Este Deus era conhecido também por Enki - O Senhor da Terra.
Enlil era o Deus sumério do ar, senhor das tempestades, dos ventos, do raio e do travão e outras manifestações naturais ligadas à atmosfera; acima de tudo, era considerado o conector entre o Céu e a Terra e, ao mesmo tempo, o responsável pelo seu distanciamento.

Na Bíblia faz-se referência a Baal que poderia ser um epíteto de Hadad ou Adad que era uma divindade cananeia e suméria. Um deus da fertilidade.
Este Deus Adad dos sumérios viria a ser o Deus Sin dos acádios mais tarde, pai da bíblica Astarte dos filisteus e do seu irmão Camos ou Camoesh. Ambos também fizeram parte da mitologia Suméria e Acádia, como Ishtar e Shamash.

Segundo Zecharia Sitchin, -autoridade na escrita cuneiforme- Baal, Deus dos cananeus, era Shamash na Suméria, filho de Nannar-Sin, Deus de Ur, que em Canaã era El.
Em Canaã, os Hebreus viram no Deus Baal uma ameaça especial. No Livro dos Juízes da Bíblia Hebraica, o hebreu Gideão destrói os altares de Baal e a árvore sagrada pertencente aos Madianitas.
Mais tarde, o profeta Elias, no século IX a.C., condenou o Rei Acabe por adorar Baal.
Rei Acabe

terça-feira, 23 de novembro de 2010

OS DESCENDENTES DOS SUMÉRIOS: BABILÓNIA


Babilónia foi a capital da antiga Suméria e Acádia, no sul da Mesopotâmia, hoje no moderno Iraque, localiza-se aproximadamente a 80 km a sul de Bagdá. O nome Babil ou Babilu, em babilónico, significa "Porta de Deus". O Império da Babilónia, que teve um papel significativo na história da Mesopotâmia, foi provavelmente fundado em 1950 a.C. O povo babilónico era muito avançado para a sua época, demonstrando grandes conhecimentos, em arquitectura, agricultura e direito. Iniciou a sua era de império sob o amorita Hamurabi, por volta de 1730 a.C., e manteve-se assim por pouco mais de mil anos. Hamurabi foi o primeiro rei conhecido a codificar leis, utilizando no caso, a escrita cuneiforme, escrevendo as suas leis em tábuas de barro cozido, o que preservou muitos destes textos até ao presente. A partir daí, descobriu-se que a cultura babilónica influenciou em muitos aspectos a cultura moderna, como a divisão do dia em 24 horas, da hora em 60 minutos e daí por diante.

Entre todos os seus soberanos, o mais famoso, foi Hamurabi  (1792 a 1750 a.C.). O mais antigo e completo código de leis que a história regista foi da sua realização. Hamurabi também nomeou governadores, unificou a língua, a religião e fundiu todos os mitos populares num único livro: a Epopeia de Marduk, que era lido em todas as festas do seu reino. Também cercou a sua capital, fortificando-a. Ele criou o Código de Hamurabi, cujas leis, em resumo, seguem um mesmo princípio:  “Dente por dente, olho por olho”. Vejamos algumas das suas leis:

-Se um médico fizer uma larga incisão com uma faca de operações e matar o paciente, as suas mãos deverão ser cortadas;
-Se um médico fizer uma larga incisão no escravo de um homem livre, e matá-lo, ele deverá substituir o escravo por outro;
-Se um médico fizer curar um osso quebrado do corpo humano, o paciente deverá pagar ao médico cinco shekels;
-Se um construtor construir uma casa para outrem, e não fizer a casa bem-feita, e se a casa cair e matar o seu dono, então o construtor será condenado à morte;
-Se morrer o filho do dono da casa, o filho do construtor deverá ser condenado à morte.
A expansão do Império iniciou-se por volta de 1800 a.C., logo, o rei Hamurabi unificou toda a região que ia da Assíria no norte, à Caldéia no sul. A partir dessa unificação, surgiu o Primeiro Império Babilónico.

O Segundo Império Babilónico ou Império neo-babilónico é a denominação para uma época de 626 a.C. a 539 a.C., dominada pelo governo de Nabucodonosor II, e outros até à conquista da Babilónia pelo Império Aqueménida.
Assurbanípal reinou de c. 668 a 627 a.C. foi o rei que mandou criar a biblioteca de tábuas de barro, escritas em linguagem cuneiforme, que, tendo muitas delas sido preservadas até aos dias de hoje, permitiu aos arqueólogos descobrirem muitos aspectos da vida política, militar e intelectual dessa grande civilização.
A "Biblioteca Real" de Assurbanípal consiste em milhares de tabuinhas de barro e fragmentos contendo textos de vários tipos, inscrições reais, crónicas, mitologia, religião, contratos, cartas reais, decretos, documentos administrativos, entre outros, datando do sétimo século a.C. Este tesouro arqueológico foi encontrado em Kuyunjik, onde ficava Nínive, capital da Assíria.

Liderados por Nabucodonosor II (reinado de 604 a.C. a 562 a.C) também mandou construir os Jardins Suspensos da Babilónia, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Os babilónios destruíram Jerusalém em 607 a.C., levando os judeus ao exílio babilónico. O rei persa Ciro, o Grande, conquistou a Babilónia em 539 a.C., anexando a cidade e libertando os judeus do seu exílio.
Durante o seu segundo império, Marduk foi considerado o maior deus nacional. Porém em todos os períodos sempre se acreditou em milhares de demónios invisíveis que espalhavam o mal e cegavam os homens. As suas características gerais eram:
Politeísmo; desprezo pela vida além-túmulo; crença em génios, demónios, heróis, adivinhações e magia; sacrifício de crianças e práticas de orgias sexuais.
Para eles, os génios bons, ajudavam os deuses contra os malignos demónios, contra enfermidades e a morte. Os seres mortais viviam à procura de saber a vontade dos deuses, manifestada em sonhos, eclipses e o movimento dos astros. E deram origem à astrologia.

A base da economia era a agricultura. A construção de canais era controlada pelo Estado. Utilizavam arado semeador, a carroça de rodas e a grade. A sua situação geográfica não lhes era propícia, pois eram escassas as suas matérias-primas, o que favoreceu os empreendimentos mercantis. As caravanas de mercadores saíam para vender as suas mercadorias e iam em busca de marfim na Índia, cobre no Chipre e estanho no Cáucaso.
As transições comerciais eram feitas à base de troca, e, em alguns casos, usavam-se barras de ouro ou de prata.
Tanto o regime dos assírios quanto a dos caldeus era a monarquia absoluta. O poder estava centralizado nas mãos do rei, que também era o chefe militar, administrador, legislador supremo, sacerdote máximo e supervisor do comércio. A sociedade era hierárquica na seguinte sequência: o rei, nobres, sacerdotes estudantes em ciências, comerciantes, pequenos proprietários e escravos.

A Babilónia tornou-se a maior cidade caldaica cujo termo vem de "Caldeia", a parte sul e mais fértil da Mesopotâmia, onde se localizava o Império, região do Sul da Babilónia (actual Sul do Iraque), frequentemente mencionada no Antigo Testamento. Em rigor, situa-se na área contígua ao golfo Pérsico, entre o deserto da Arábia e o delta do rio Eufrates.
O prestígio dos reinados de Nabucodonosor II (605-562 a. C.) e de Nabodinus (556-539 a. C.) foi tal, que a Caldeia tornou-se sinónimo de Babilónia, graças ao seu extraordinário desenvolvimento no comércio. Após a sua morte, o Império Caldeu declinou cuja principal causa foi a corrupção. O Império tendo-se tornado sede de grandes riquezas e refinamentos, tornou os seus governantes, sedentos de ainda mais luxo, fazendo-os esquecerem a sua unidade, o que fez relaxarem as suas defesas.
Em 539 a.C. Ciro II da Pérsia aproveitou-se da situação da cidade e atacou-a, conquistando-a.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A CIVILIZAÇÃO SUMÉRIA


São o mais antigo povo da Mesopotâmia. De facto, ainda no VI milénio a.C., devido talvez à concorrência de factores climáticos vários, dá-se a ocupação dos vales do Tigre e do Eufrates pelos povos de Sumer, talvez oriundos dos confins da Arábia ou até da Ásia, o que ainda está por precisar. Alguns historiadores aludem à Índia ou à Ásia Central como regiões de origem, o que parece improvável.

Os Sumérios deram assim o nome à região por eles povoada na Baixa Mesopotâmia - a Suméria -, onde fundaram autênticas cidades, como Lagash, Uruk, Ur, Eridu, Larsa, etc. Estão na origem da civilização babilónica, sem contudo terem, provavelmente, qualquer similitude étnica com os povos daquela região do Eufrates. Os Sumérios eram um povo de curiosas feições corporais: braquicéfalos (crânio grande e arredondado), de estatura mediana, nariz proeminente, com lábios e maçãs do rosto acentuados. Rapavam o corpo todo, mesmo a cabeça, usando quotidianamente uma só veste, entre a cintura e os joelhos. Alguns autores alegam que eram negros, o que até agora não se provou cientificamente.

Quando a História deles dá notícia, já eram de facto uma civilização, destacando-se por serem um povo inteligente, com grandes capacidades de organização e de comércio, baseados em contabilidades apuradas. São o resultado de uma mesclagem entre indivíduos de etnia caucasiana e nativos mesopotâmicos, facto atestado em certos traços idiomáticos, de religião e de cerâmica, e visível nos vestígios arqueológicos. Foram submetidos, após lutas internas e rivalidades entre cidades, pelos rei dos Acádios, Sargon, cerca do século XXIV a.C., cujo povo era oriundo da região de Acad, com origem semita (povos do deserto da Arábia, descendentes de Sem, filho de Noé, segundo a lenda, tal como os Hebreus e os Árabes). O país de Acad situava-se junto ao Eufrates. Os seus habitantes assimilaram a cultura dos Sumérios, por eles submetidos, mas impuseram a língua acádica.

São os pioneiros na Mesopotâmia do cultivo das terras de forma continuada e tecnicamente elaborada, através dos regadios, do uso de espécies rentáveis, da pecuária. A economia era próspera, em parte devido ao aumento das áreas de regadio (apesar do clima seco e agreste, intermeado por inundações, uma das quais na origem do Dilúvio), o que proporcionava uma maior produção. As suas técnicas agrícolas foram, como as da escrita e outras, transmitidas aos Acádios, perdurando depois, diluídas, noutras civilizações mesopotâmicas.

A organização social e política dos Sumérios assentava na cidade-estado, de limites indefinidos e tipicamente expansionista, em moldes diferentes daquilo que apareceria mais tarde na Grécia Clássica, por exemplo. Algumas delas formaram autênticos impérios, ainda que efémeros, como Ur.

A autoridade máxima era o rei sacerdote ou patesi . Não é um rei Deus, como os faraós egípcios, antes um príncipe guerreiro e administrador, gerindo uma estrutura centralizada e regional, uma monarquia militar, à qual se subordinavam os dignitários religiosos. A religião baseava-se numa tríade de deuses: An, deus do céu, Enlil, da atmosfera, e uma Grande Mãe, com vários nomes, com variantes em cada cidade.


Na literatura tiveram igualmente destaque. Foram os Sumérios os primeiros a utilizarem um tipo de escrita. Cultivaram o género épico religioso que mais tarde influenciou outras literaturas nacionais, como a dos Babilónios, cujo expoente máximo, a Epopeia de Gilgamesh, tem as suas origens na Suméria. A língua era aglutinante, sem afinidades conhecidas na região. Também se conhecem narrações do Dilúvio (depois narrado na Bíblia), hinos e compilações de leis - o célebre código de Hamurábi, babilónio, encontra as suas origens na Suméria. São conhecidos desenvolvimentos nas ciências, principalmente nas matemáticas (sistema sexagesimal) e até na astronomia. Cultivavam também a música.


A sua escrita era cuneiforme, com cerca de 400-500 signos silábicos, tendo sido usada durante cerca de um milénio. Esses signos eram primeiramente desenhos de objectos reais, animais, acções, símbolos - portanto, ideográfica -, tendo depois evoluído para combinações de elementos em forma de cunha, donde lhe advém o nome. Esta escrita influenciaria muitas línguas do Médio Oriente.

Na arquitectura, destacam-se os zigurates, monumentos religiosos (templos ou santuários) próprios da civilização suméria, bem como planos urbanísticos com ruas estreitas, habitações pequenas e templos diversos. Os Sumérios trabalhavam também, com perícia e técnica, os metais, preciosos ou não, e as pedras, mesmo as mais duras, tendo atingido níveis brilhantes na escultura.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A ORIGEM DA ESCRITA


Para estudarmos o fenómeno doas origens da civilização, na Ilha de Creta, nela os dados apresentam-se mais abundantes e o progresso é contínuo: vê-se o homem avançar, desde os primeiros tempos até uma época em que já mora nos esplêndidos palácios de Cnosso e Festo e navega pelos mares, negoceia, funda colónias e inventa artifícios de beleza comparáveis aos nossos tempos mas, devido ao facto de só agora terem começado a serem decifradas as escritas pré-helénicas, cumprirá recordar que o conhecimento da organização política desses povos se baseia em simples conjecturas.

Não se pode dar um “texto” completo. As referências são de poemas posteriores em que se notam sobrevivências de um passado muito antigo. O homem, como indivíduo, o génio, o herói, o monarca, o chefe de Estado, não surgiram diferenciados.

Minos era apenas um nome, como Teseu, Dédalo, Ariadne. Esta circunstância é devida também à falta de textos. Quem sabe as surpresas que surgirão quando se chegar a ler e a compreender integralmente os hieróglifos Cretenses.

Acredita-se que a escrita fonética começou a surgir por volta do ano 3.500 a.C., a partir da escrita cuneiforme dos sumérios, a qual misturava elementos de carácter fonéticos e pictográficos.

Ainda não se sabe com certeza absoluta, porém, a primeira escrita apareceu na região entre os rios Tigres e Eufrates, na Mesopotâmia, locais onde surgiram as primeiras civilizações urbanas, cidades de Lagash, Umma, Nippur, Ur e Uruk, entre o sexto e o primeiro milênio AC.

Estas civilizações estavam formadas por pequenas comunidades sob a autoridade de um soberano e ante a necessidade de controlo administrativo; surgem os primeiros registos da escrita que foram os registos contáveis relacionados com as quantidades de sacos de grãos ou cabeças de gado. Este tipo de contas estava reservado a um grupo privilegiado: os escribas, que ocupavam também importantes cargos sacerdotais. Esses registos contáveis realizavam-se sobre tábuas de argila, que uma vez escritas eram secas ao sol.
Utilizavam para escrever, objectos de metal, osso e marfim, largos e pontiagudos em uma das extremidades e de outra, plano, em forma de paleta com a finalidade de poder cancelar o texto, alisando o material arranhado ou errado.
Em princípio, as tábuas só serviram para registos contáveis, posteriormente foram utilizadas para inscrições votivas, comemorativas, narrações históricas, relatos épicos, exemplo disso são as estrelas babilónicas e o código de Hammurabi e o poema de Gilgamesh, estes elaborados com material muito mais duradouro.

Essas informações chegaram até nós, em virtude do descobrimento da biblioteca de Ebla (cidade próxima a Ugarit), que constava de duas salas. Uma onde se encontravam os documentos administrativos, legais, históricos e religiosos e outra onde se encontravam os documentos económicos. As tábuas estavam guardadas em cestos e caixas de madeira ordenadas com inscrições para poderem ser localizadas.
O mais extraordinário das primeiras escritas é que elas puderam adaptar-se às outras línguas: suméria, acádia, hitita e persa. Assim, entre o terceiro e primeiro milénio AC., a escrita cuneiforme estendeu-se até ao sul da Palestina e norte da Arménia, sem esta extensão teria sido impossível decifrá-la.
Os hieróglifos foram usados durante um período de 3500 anos para escrever a antiga língua do povo egípcio.

Existem inscrições desde antes de 3000 a.C. até 394 d.C., data aparente da última inscrição hieroglífica, numa parede no templo de Ilha de File.
Constituíam uma escrita monumental e religiosa, pois eram usados nas paredes dos templos, túmulos, etc. Existem poucas evidências de outras utilizações.

Durante os mais de três milénios em que foram usados, os egípcios inventaram cerca de 6900 sinais. Um texto escrito nas épocas dinásticas não continha mais do que 700 sinais, mas no final desta civilização já eram usados milhares de hieróglifos, o que complicava muito a leitura, sendo isso mais um dos factores que tornavam impraticável o seu uso e levaram ao seu desaparecimento.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O ANTIGO EGIPTO

UMA DAS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES


Faraó era o título atribuído aos reis com estatuto de deuses no Antigo Egipto. Tem a sua origem imediata do latim tardio Pharao-onis, por sua vez do grego Φαραώ e este do hebraico Parōh, termo de origem egípcia que significava propriamente "casa elevada", indicando inicialmente o palácio real. O termo, na realidade, não era muito utilizado pelos próprios egípcios. No entanto, devido à inclusão deste título na Bíblia, mais especificamente no livro do "Êxodo", os historiadores modernos adoptaram o vocábulo e generalizaram-no.

A imagem que o grande público tem, geralmente, dos faraós, vem, em grande parte, daquela que nos é dada pelas grandes produções cinematográficas de Hollywood, os chamados filmes bíblicos dos anos cinquenta do século XX, onde o Faraó aparece como um monarca todo-poderoso que governa de modo absoluto, rodeado de uma corte de servos e obrigando uma multidão de escravos a construir monumentos em sua honra, como nos filmes Land of the Pharaohs “A Terra dos Faraós de Howard Hawks de 1955 ou em The Ten Commandments "Os Dez Mandamentos" de Cecil B. DeMille de 1956.

Mas, ainda que muitos dos faraós tenham sido, sem dúvida, déspotas a ideia da monarquia absoluta tem aqui os seus primórdios. A verdade é que este termo abrange uma grande variedade de governantes, de índoles e interesses diversos. Em cerca de três mil anos de tradição faraónica, passaram pelo trono do Egipto homens e algumas mulheres com aspirações bem diferentes.

Desde os misteriosos construtores das pirâmides de Gizé, ao poeta místico Akhenaton, passando pelo lendário Ramsés II, encontramos toda uma diversidade de indivíduos que, no seu conjunto, governaram uma das primeiras civilizações da humanidade.
É difícil de determinar datas precisas na história dos faraós, já que os testemunhos desta época são escassos, além de virem numa época em que a própria história estava nos seus primórdios, isto é, a escrita ainda estava nos seus inícios.

A tradição egípcia apresenta Menés ou Narmer, em grego, como sendo o primeiro faraó a unificar o Egipto, até então dividido em dois reinos. Segundo a história, este seria o primeiro governante humano do Egipto, a seguir ao reinado mítico do deus Hórus. Documentos históricos, como a Paleta de Narmer, parecem testemunhar essa reunificação sob o faraó Menés, cerca de 3150 a.C, ainda que os egiptólogos pensem que a instituição faraónica seja anterior. Por isso, se fala também de uma dinastia zero.

Quanto ao último dos faraós, todos estão de acordo em dizer que se tratou de Cesarion, Ptolomeu XV, filho de César e Cleópatra VII, pertencente à Dinastia Ptolomáica ou Lágida.

Ptolemeu XV Casear, nascido a 23 de Junho de 47 a.C. e assassinado em Agosto de 30 a.C., foi o último faraó da Dinastia ptolemaica do Egipto. Também conhecido como Caesarion “pequeno César”. Caesarion foi elevado ao estatuto de faraó pela sua mãe a 2 de Setembro de 44 a.C., quando tinha apenas três anos. É pouco provável que tenha tido algum papel político relevante dada a sua jovem idade e comparativamente à anterior sagacidade política de Cleópatra, sua mãe.

Após o assassinato de César nos Idos de Março em 44 a.C. a qualidade das relações diplomáticas entre a casa faraónica do Egipto e a República de Roma começou a deteriorar-se. O auxílio prestado por Cleópatra a Marco António, rival de Octávio Augusto,  na guerra civil, foi o pretexto encontrado por Roma para invadir o Egipto após a batalha naval de Actium. Cleópatra enviou Caesarion para um local seguro e suicidou-se em seguida, antes de ser apanhada pelos romanos. Octávio Augusto, no entanto, necessitava de eliminar Caesarion, uma vez que este era o único filho que César gerara, e mandou matar o jovem faraó pouco tempo depois da anexação do Egipto concretizada a 1 de Agosto do ano 30 a.C.
“Mapa-múndi", segundo a Geografia de Cláudio

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O EGIPTO DE TUTANKHAMON


O Antigo Egipto é a expressão que define a civilização da Antiguidade que se desenvolveu no canto nordeste do continente africano. A nação do antigo Egipto tinha como fronteira a norte o Mar Mediterrâneo, a oeste o deserto da Líbia, a leste o deserto da Arábia e a sul a primeira catarata do rio Nilo.
A história do Antigo Egipto inicia-se em cerca de 3150 a.C., altura em que se verificou a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egipto, e termina em 30 a.C. quando o Egipto, já então sob dominação estrangeira, se transformou numa província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha Naval de Ácio entre os aliados Cleópatra e Marco António contra Octávio.

Tutankhamon foi um faraó, do Antigo Egipto, que faleceu ainda na adolescência.
Era filho e genro de Akhenaton, o faraó que instituiu o culto de Aton o Deus Sol, e filho de Kiya, uma esposa secundária do seu pai; casou-se aos 10 anos com Ankhsenpaaton, sua meia-irmã que, mais tarde, trocaria o nome para Ankhsenamon, foi a terceira das seis filhas do faraó Akhenaton e da rainha Nefertiti; sendo assim, Tutankhamon era genro de Nefertiti, cujas origens familiares são pouco claras, o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni, filha do rei Tushratta, império que existiu no que é hoje a região oriental da Turquia. O seu nome significa "a mais Bela chegou".
Tutankhamon Assumiu o trono quando tinha cerca de doze anos, restaurando os antigos cultos aos deuses e os privilégios do clero, principalmente o do Deus Amon de Tebas. Morreu em 1324 a.C., aos dezanove anos, sem herdeiros, depois de nove anos de trono, o que levou os especialistas a especularem sobre a hipótese de doenças hereditárias na família real da XVIII dinastia ou homicídio. Devido ao facto de ter falecido tão novo, o seu túmulo não foi tão sumptuoso quanto o de outros faraós, mas mesmo assim é o que mais fascina a imaginação moderna pois foi uma das raras sepulturas reais encontrada intacta. Ao ser aberta, em 1922, ainda continha peças de ouro, tecidos, mobília, armas e textos sagrados que revelam muito sobre o Egipto de há 3466 anos.

As fontes disponíveis sobre a vida de Tutankhamon referem explicitamente o nome do pai e da mãe deste rei. A sua origem real é contudo certa, como mostra uma inscrição num bloco de pedra calcária encontrado em Hermópolis, chamada no tempo por Khmunu, o que significa "A cidade dos oito deuses".

Para alguns investigadores o seu pai foi o rei Amen-hotep III (1389 a.C.- 1351 a.C. ou entre 1391 a.C. e 1353 a.C.) ou Amenófis III, segundo a versão helenizada do nome, enquanto que outros defendem ter tido como pai o filho e sucessor deste, Amen-hotep IV, que mais tarde mudaria o seu nome para Akhenaton em resultado das concepções religiosas que faziam do Deus Aton, a divindade mais importante.

Para apoiar a tese da paternidade de Amen-hotep apontava-se as várias inscrições nos muros e na colunata do templo de Luxor, feitas no tempo de Tutankhamon, nas quais o jovem rei  se refere a Amen-hotep como seu pai. Contudo, deve ser salientado que no Antigo Egipto o termo "pai" tinha um sentido amplo, podendo ser utilizado para se referir a um avô ou até mesmo a um antepassado longínquo. A ser filho de Amen-hotep III, poderia ter tido como mãe a grande esposa real deste soberano, Tié ou Teye, mas segundo historiadores, sendo Akhenaton proscrito, era mais interessante que se pensasse que Amen-hotep III era seu pai. No túmulo de Tutankhamon no Vale dos Reis encontrou-se uma madeixa de cabelo desta rainha. Para reforçar ainda mais esta tese apontam-se as semelhanças físicas entre Tié e Tutankhamon, mas a mesma era sua avó paterna.

No entanto, em recente análise de ADN das múmias, ficou comprovado que o pai de Tutankhamon era o faraó monoteísta Akhenaton.
Outra hipótese provável dos progenitores de Tutankhamon, aponta como seus pais Akhenaton e uma esposa secundária deste, Kiya, rainha que poderia ter origem estrangeira, talvez mitânia. Uma cena num relevo do túmulo de Akhenaton, no qual a família real lamenta a morte de um membro, é interpretada como uma alusão à morte de Kiya durante um parto, sendo este justamente o parto de Tutankhamon.

Sabe-se pouco sobre Kiya, mas os últimos dados que se conhecem desta figura referem-se ao ano 11 do reinado de Akhenaton, data que se considera mais ou menos coincidente com o nascimento de Tutankhamon.

Tutankhamon ascendeu ao trono aos nove anos de idade, sucedendo no cargo a Semenkhkare, rei sobre o qual se sabe muito pouco; segundo a egiptologia, Semenkhkhare seria Nefertiti com outro nome, mas, Semenkhkhare era o título dado aos co-regentes dos faraós, esse era na realidade um nobre, chamado Panhesy, da alta estirpe de Amarna que se casou com Meritaton, filha mais velha de Akhenaton e Nefertiti, que a sucedeu após a sua morte, ambos teriam sido assassinados em Amarna juntamente com quase todos seus moradores, pois Ay cujo prenome foi Kheperkheruré, o que significa "Eternas são as manifestações de Rá ou Ré" vizir na época, queria o trono e, sem herdeiros seria mais fácil. Por milagre, Tutankhamon e sua irmã Ankhesenamon, conseguiram sobreviver á matança e foram levados para Tebas para serem casados e coroados, ele com 9 anos e ela com 11 anos de idade.

Devido à jovem idade do rei, Tutankhamon, os verdadeiros governantes durante este período foram Aye e Horemheb, dois altos funcionários do tempo de Akhenaton, que mais tarde seriam eles próprios faraós. Ay era, provavelmente amante de Tié talvez já viúva nesse tempo e pai de Nefertiti. Durante o tempo de Akhenaton era Horemheb o intendente dos cargos reais, tornando-se vizir, uma posição de grande prestígio que manteve durante o reinado de Tutankhamon.

No quarto ano do seu reinado o jovem rei mudou o seu nome de Tutankhaton para Tutankhamon "imagem viva de Amon". A sua esposa fez o mesmo, passando de Ankhesenpaaton para Ankhesenamon "ela vive para Amon". Esta mudança dos nomes está relacionada com a rejeição das doutrinas religiosas de Akhenaton e com a restauração dos deuses antigos. Durante a fase final do reinado de Tutankhamon a repressão sobre o culto aos outros deuses tinha-se acentuado, tendo o rei mandado destruir todos os nomes de outros deuses que se achassem em inscrições, com excepção de Aton:

A situação do Egipto parecia ser catastrófica nesta época, a acreditar no texto gravado numa estela, a chamada "Estela da Restauração", que foi encontrada no terceiro pilar do templo de Amon em Karnak.


Nele se afirma que os templos dos deuses estavam em pleno estado de decadência e estes, irados, tinham lançado a confusão no país. Até as expedições militares no Próximo Oriente pareciam não alcançar sucesso devido à indiferença perante os templos e os deuses.
Assim, e ainda segundo a estela, o rei terá mandado fazer novas estátuas de deuses e restaurar os seus templos, bem como os cultos diários que ali eram conduzidos.  
Tutankhamon faleceu aos dezanove anos em 1324 a.C. Uma vez que o seu túmulo não estava ainda pronto, foi sepultado num túmulo de dimensões pequenas, pouco habitual para alguém que ocupou o cargo de faraó.

A sua viúva, Akhesenamon, toma uma atitude desconcertante. Numa carta enviada a Suppiluliuma I, rei dos hititas, a rainha pede ao soberano um dos seus filhos como marido, prometendo-lhe o trono do Egipto. Os hititas tinham sido inimigos do Egipto, razão pela qual este pedido era estranho. Suppiluliuma desconfiou das intenções da rainha, julgando tratar-se de uma armadilha. Na resposta enviada perguntou à rainha onde estava o filho de Tutankhamon. Ankhesamon, despeitada, afirma que não tem filhos. Depois de reflectir o rei hitita decidiu atender ao pedido da rainha, enviando um filho para casar e ser coroado rei do Egipto. Contudo, este príncipe nunca chegou ao Egipto, julgando-se que foi morto no caminho por espiões enviados por Horemheb ou Ay.
Ay casaria com Akhesenamon, talvez contra vontade desta, o que permitiu a Ay tornar-se rei.
Ay teria já uma idade avançada, entre os sessenta e os setenta anos, e inexplicavelmente meses depois, a rainha morre misteriosamente, tendo sido ele faraó durante quatro anos, morrendo de "causas naturais" meses após Horemheb retornar de uma das várias guerras em que participava. Respeitou a memória de Tutankhamon, não usurpando os seus monumentos. Ay foi sucedido por Horemheb que não precisou casar com ninguém, pois já não haviam membros da família real vivos e, por ser herói de guerra, teve o apoio maciço do povo, reinou durante vinte e sete anos e não deixou herdeiros.

Devido à falta de elementos informativos relativos a Tutankhamon, especula-se sobre os motivos da sua morte. Em 1925 foi realizada uma autópsia à múmia, tendo-se considerado na época a hipótese de uma morte natural, talvez por tuberculose.
Em 1968 uma equipe da Universidade de Liverpool, obteve autorização para realizar um raio-X à múmia. Uma ferida perto da orelha esquerda do faraó, que penetrou no crânio, produzindo uma hemorragia, foi apontada como causa da morte. Esta ferida poderia ter sido causada por um golpe ou um acidente. As radiografias mostraram como um osso tinha penetrado no crânio. Alguns investigadores avançaram com a hipótese de assassinato que teria tido como autores Ay e Horemheb. O que pelas confusões pelo poder na época seria o mais provável.

Em Janeiro de 2005 a múmia foi retirada do seu sarcófago no túmulo do Vale dos Reis, tendo sido alvo de um exame no qual se recorreu à tomografia computadorizada. Este exame, que teve uma duração de quinze minutos, gerou 1700 imagens.
Os novos exames retiraram a hipótese de morte por assassinato. Em Novembro de 2006, com base em novas e sofisticadas análises, apresentaram-se novas evidências que sustentam esta teoria. Quanto ao osso encontrado no crânio julga-se que foi provocado por um erro durante o processo de embalsamamento do corpo.

Em Maio de 2005, egípcios,  franceses e americanos reconstituíram a sua face a partir de imagens de tomografia computadorizada. O rei Tut - como foi apelidado - tinha a parte posterior do crânio estranhamente alongada e o queixo retraído.
Conforme notícias divulgadas em de 2010, Tutankhamon teria morrido, na verdade, devido à malária combinada com uma infecção óssea, segundo um estudo divulgado nos Estados Unidos. Para outro autor o faraó Tut teria passado por severo episódio de malária antes de assumir o trono, mas teria morrido assassinado por Aye com um golpe na porção posterior do crânio.

Em torno da abertura do túmulo e de acontecimentos posteriores gerou-se uma lenda relacionada com uma suposta "maldição" ou "praga da morte", lançada por Tutankhamon contra aqueles que perturbassem o seu descanso eterno. O mecenas de Carter, Lord Carnarvon, faleceu a 05 de Abril de 1923, não tendo por isso tido a possibilidade de ver a múmia e o sarcófago de Tutankhamon. No momento da sua morte ocorreu na capital egípcia uma falha eléctrica sem explicação e a cadela do lorde teria uivado e caído morta no mesmo momento na Inglaterra. Nos meses seguintes morreriam um meio-irmão do lorde, a sua enfermeira, o médico que fizera as radiografias e outros visitantes do túmulo. Para além disso, no dia em que o túmulo foi aberto de forma oficial o canário de Carter foi engolido por uma serpente, animal que se acreditava proteger os faraós dos seus inimigos. Os jornais da época fizeram eco destes factos e contribuíram de forma sensacionalista para lançar no público a ideia de uma maldição. Curiosamente, Howard Carter, descobridor do túmulo, viveu ainda durante mais treze anos.